Novo advogado dos Nardoni pede anulação de todas as acusações contra a madrasta de Isabella

SÃO PAULO – O julgamento mais aguardado na crônica policial brasileira já começou. Mesmo antes da instalação do júri, o novo advogado de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Roberto Podval, pede a anulação de todas as acusações contra a madrasta. Assim como seu antecessor, Marco Polo Levorin, ele diz que a perícia é frágil e não prova nada contra ela. Mas a delegada que comandou a investigação rebate ponto a ponto os argumentos da defesa.

Podval afirmou, em entrevista ao “Fantástico”, neste domingo, que os autos não chegam à conclusão sobre o que se passou no apartamento do casal, de onde Isabella Nardoni, 5 anos, foi atirada pela janela.

– Não estou dizendo: ‘São inocentes’. Estou dizendo: ‘Não tem prova que eles tenham feito, não tem’ – diz Podval.

A delegada Renata Pontes, responsável pelo inquérito, afirmou que está absolutamente tranquila em relação ao resultado da investigação.

Podval espera conseguir “uma reviravolta” no caso. Ele foi contratado há duas semanas. Levorin negou ter abandonado o caso por algum tipo de divergência com o casal ou com o também advogado Antonio Nardoni, pai de Alexandre.

– E aí me perguntam: ‘Mas e a pobre da garotinha que morreu?’ Ninguém está preocupado com os pobres dos garotos que estão vivos – dispara o advogado.

Na lista de clientes de Roberto Podval, está o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002. O empresário responde ao processo em liberdade. Ele também é advogado do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, condenado a 13 anos pelo assassinato e esquartejamento de uma ex-paciente. Farah recorre em liberdade.

– O dia que eu não defender as causas que eu entenda justas, por receio da opinião pública, eu abandono a advocacia e vou fazer qualquer outra coisa – diz Podval.

Podval entrou com recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo e alega que os laudos não apresentam nenhum fato concreto que possa relacioná-la com as agressões, inclusive no caso da esganadura e da asfixia. Ele utiliza o mesmo argumento dos laudos, feitos a pedido de Levorin, feitos pelo criminalista George Sanguinetti.

Podval nega e diz que está descartando a perícia particular e trabalhando apenas com a perícia técnica. Segundo ele, a perítica técnica chega a uma conclusão que pode ser equivocada.

– Não tem prova de esganadura. A asfixia mecânica deu-se pela queda – afirma.

Podval também critica a versão da polícia de que Anna Carolina Jatobá começou a agredir a enteada no carro da família com um anel ou uma chave:

– Essa chave não foi para perícia. Essa perícia não foi feita. Eu pergunto: por quê?

A delegada Renata Pontes diz que a chave não levaria nenhum tipo de prova na investigação e que a conclusão de que houve esganadura foi com base na afirmação dos legistas e dos peritos do Instituto de Criminalística. A polícia também descartou a tese defendida pelo casal de que uma terceira pessoa entrou no apartamento e cometeu o crime. Segundo a perícia, o suposto invasor teria apenas 1 minuto e 55 segundos para guardar a faca e a tesoura usadas para cortar a tela, limpar as manchas de sangue, apagar as luzes, trancar a porta e fugir, sem deixar vestígios.

– O conjunto dessa prova aponta categoricamente que o casal estava no apartamento quando da queda da criança e que esse casal é o autor do homicídio da Isabella – explica a delegada.

– A ideia que eu tenho é que o advogado não leu o mesmo processo do qual nós estamos falando – diz o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

Para o advogado Roberto Podval, o principal objetivo agora é tirar o casal da cadeia. Como todos os recursos da defesa foram negados até o momento, polícia e Ministério Público não acreditam nessa possibilidade. Para eles, o pai e a madrasta de Isabella devem ficar presos e pagar pelo crime que cometeram. A pena prevista é de 19 anos de cadeia.

– Tenho absoluta certeza de que vai haver uma decisão unânime no sentido de condená-los – acredita Francisco Cembranelli.

– A única preocupação deles era fugir da responsabilidade do que aconteceu dentro do apartamento. Mentiram sempre, sem dúvida, e continuam mentindo – diz a delegada Renata.

– Um julgamento rápido não é necessariamente um julgamento justo – lembra Roberto Podval.

Original em: http://oglobo.globo.com

Leave a Reply