Delegado descarta hipótese de ‘simples acidente’ no caso de engenheira desaparecida

Reconstituição do desaparecimento de Patrícia Almieiro. Foto de Guilherme Pinto

RIO – O delegado Ricardo Barbosa, da Delegacia de Homicídios, afirmou nesta quinta-feira que a polícia descartou a hipótese de um simples acidente no caso da engenheira Patrícia Amieiro Branco de Franco, desaparecida há quase um ano. Barbosa coordenou a reconstituição do caso, que foi realizada durante toda a manhã desta quinta e complicou o trânsito na Barra da Tijuca. (Veja fotos da reconstituição do crime)

– A polícia Civil está realizando diversas investigações e diversos exames periciais para verificar o ocorrido. O fato é que está descartada a hipótese de um simples acidente – afirmou o delegado em entrevista ao telejornal RJTV, da TV Globo.

(Assista como foi feita a reconstituição)

Perguntado sobre se os PMs são suspeitos, o delegado respondeu:

– Não posso revelar essa informação agora, até para não prejudicar as investigações. Mas com o recebimento do laudo pericial, que deve sair em 15 dias, já poderemos ter uma confirmação do que pode ter acontecido.

Patrícia voltava para casa, na Barra da Tijuca, na madrugada de 14 de junho, quando o carro em que estava desceu uma ribanceira após o Túnel do Joá e caiu no Canal da Barra. Desde então, a engenheira está desaparecida. O veículo foi encontrado dentro do Canal de Marapendi, com perfurações que foram identificadas como tiros. Durante a investigação, descobriu-se que pelo menos sete carros da PM haviam ido ao local da queda nauqela madrugada. Um dos PMs que estava no local dirigiu-se ao Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde ficou por cerca de seis minutos. Depois, seguiu para a Favela Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, uma área controlada por milícia.

De acordo com o delegado, a polícia trabalha com a suspeita de que o veículo foi alvejado por disparos de armas de fogo.

– A hipótese de acidente está descartada por ter sido encontrado fragmentos de projéteis de armas de fogo no veículo. E por meio do laudo da reconstituição vamos verificar em que situação o veículo foi alvejado – explicou Barbosa, que lembrou ainda que o laudo deve sair em 15 dias.

– A reconstituição foi importante até para verificar as contradições existentes nos depoimentos dos policias militares. Com a conclusão do laudo pericial, já poderemos ter uma confirmação do que aconteceu.

O pai da engenheira, Celso Franco, afirmou por telefone ao telejornal RJTV que não se surpreendeu com o fato de a polícia ter descartado o acidente.

– Já achávamos isso há muito tempo, desde quando foram encontradas as marcas de bala no carro. Já tínhamos certeza de que não foi um simples acidente. Mas com certeza os policiais sabem o que aconteceu, porque foram eles que deram o tiro. A gente só tem que aguardar o laudo final da perícia. Depois que mudou o chefe de polícia, o caso andou rápido e sentimos que a polícia está empenhada em resolver o caso. Acho que vamos ter um resultado breve. Estou com muita esperança – afirmou.

A reconstituição do caso começou no fim da madrugada desta quinta-feira, por volta das 4h, na Autoestrada Lagoa-Barra. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli e policiais da Delegacia de Homicídios participaram dos trabalhos. Uma rua próxima à saída do Túnel do Joá, na Barra da Tijuca, precisou ser interditada e o tráfego ficou complicado no local.

Os peritos fizeram o trabalho na mesma hora do fato para se aproximarem ao máximo da realidade As pessoas diretamente envolvidas com o caso participaram da simulação, inclusive os policiais militares e bombeiros que atenderam a ocorrência. Um caminhão Munck foi usado para posicionar o carro – um Palio igual ao que Patricia dirigia – na beira do Canal de Marapendi, onde ele foi encontrado.

Os trabalhos da polícia acabaram complicando a vida de muitos motoristas no início da manhã. Motoristas curiosos paravam para ver a reconstituição do caso e, com isso, o tráfego ficou congestionado na Barra desde a Avenida Ministro Ivan Lins até o Túnel do Joá, no sentido Zona Sul. No sentido Barra, o tráfego ficou lento desde a na altura do Fashion Mall, em São Conrado, até o Túnel do Joá.

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Audiência pública discute anteprojeto de CPP

[Foto: presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Otávio Brandão Caldas Netto]

Na primeira audiência pública da Comissão de Reforma do Código de Processo Penal, realizada nesta quinta-feira (4), o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Otávio Brandão Caldas Netto, defendeu a realização, por peritos oficiais, do exame pericial em processos penais. O anteprojeto de Código de Processo Penal, apresentado pela comissão de juristas, sugere que tais perícias possam ser feitas também por servidores públicos, de qualquer órgão.

Otávio Netto argumentou que a polícia judiciária e a perícia criminal brasileiras estão equipadas para produzir laudos com eficiência. Em sua opinião, a perícia exige equipamentos e treinamento, nem sempre presentes nas repartições públicas. Ele disse que órgãos que não têm a competência exclusiva de realizar exames periciais podem colocar em risco o trabalho feito na investigação penal. Para ele, os laudos periciais devem ser elaborados por perito com qualificação profissional compatível com a natureza do exame.

– Que compromisso teriam os servidores com a Justiça? Teriam eles meios suficientes em suas repartições para produzir os laudos. Posso garantir que não – afirmou Otávio Netto.

O presidente da APCF ressaltou que o estado precisa investir no aparelhamento da perícia criminal para adequá-la às evoluções tecnológicas e científicas. Ele também defendeu a realização de concursos públicos que contratem peritos, delegados e juízes competentes para combater a impunidade.

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