IC de Mogi reivindica novo prédio

SABRINA PACCA

Seis passos: essa é a largura do prédio onde está instalado o Instituto de Criminalística (IC) de Mogi das Cruzes, no Parque Monte Líbano. O IC faz parte da Polícia Científica, juntamente com o Instituto Médico Legal (IML), localizado no prédio ao lado. No interior do imóvel, com menos de 10 metros de comprimento, os 43 funcionários dividem espaço com 30 mil cds falsificados – apreendidos e que aguardam perícia – dezenas de computadores que devem passar por análises, aparelhos de áudio e vídeo confiscados, caixas e mais caixas contendo laudos técnicos, milhares de cigarros contrabandeados, além de precários móveis e equipamentos de uso dos peritos.

De acordo com o encarregado do IC de Mogi, Antonio Sallum, o maior problema do órgão, atualmente, é a falta de espaço. “Já tivemos que fazer uma reunião com os funcionários aqui nas escadas, na rua, porque nossa sala de reuniões está servindo como local para armazenamento dos objetos que precisamos fazer as perícias”, lembra Sallum.

Em outra sala, improvisada com biombos, as caixas contendo embalagens especiais para manter materiais lacrados dividem espaço com um balão que foi encontrado e que ainda necessita passar pelos peritos. No chão do corredor, os computadores foram empilhados. Muitos contêm, segundo Sallum, imagens e textos relacionados à pedofilia e que foram apreendidos pela polícia. Outros são frutos de roubo ou furto e há, ainda, os casos de softwares piratas. “A instalação aqui não é nem um pouco adequada. Nossos peritos são orientados a guardar esses materiais com o máximo de zelo possível. Sempre colocamos recados com dizeres do tipo ´frágil`, ´cuidado`, ´atenção`, mas não dá para fazer milagres. Não acontece desses objetos se danificarem porque os funcionários são muito cuidadosos”, salienta o encarregado do IC.

Na sala destinada aos laudos dos peritos, que ficam guardados por um longo período para possíveis consultas, apesar das centenas de caixas acumuladas, Sallum afirma que a situação está melhor. “Há pouco tempo tínhamos aqui laudos de 15 anos atrás. A Superintendência da Polícia Científica, que pertence à Secretaria de Estado de Segurança Pública, fechou um contrato com uma terceirizada que está arquivando esses documentos. “Agora, aqui em Mogi, só temos os laudos feitos há menos de dois anos. “Mesmo assim, o volume é muito grande e ocupa um espaço que, para nós, seria precioso”, explica Sallum.

Para resolver o problema, o encarregado do IC vê três alternativas, mas apenas uma seria a ideal. “Podíamos ampliar esse prédio atual, mas o problema é que ele continuaria estreito. Só poderíamos levantar um piso superior. A segunda opção é receber, da Prefeitura, que é dona do imóvel onde está instalado o Instituto, outro prédio em novo endereço, e a terceira alternativa e que considero a mais eficaz, é a construção de um novo local para a Polícia Científica de Mogi”, destaca Sallum.

O encarregado afirma que seu antecessor, José Luiz Nardoni, tentou, por oito anos, uma audiência com o então prefeito Junji Abe para explicar a difícil situação do IC e pedir ajuda. Nunca conseguiu. Então, Sallum quis apelar para uma esfera superior. Entrou em contato com o deputado federal Walter Ihoshi (DEM), explicou a situação e pediu ajuda. “O deputado falou com o vereador Pedro Komura (PSDB) que começou a intermediar esse meu contato com o prefeito Marco Bertaiolli (DEM). Já é um avanço. Nós fomos recebidos pelo prefeito no início do ano. Ele prometeu estudar um jeito de nos ajudar”, conta Sallum.

A ajuda da Prefeitura deve vir em forma de terreno, já que o Governo do Estado afirma que tem os recursos disponíveis para a construção do novo prédio, mediante a doação do imóvel. “O que nos falta, agora, é uma área que tem de ser de 3 mil a 4 mil metros quadrados, para que caiba o IC e o IML”, afirma o encarregado do IC.

Para o vereador Pedro Komura, os esforços devem ser no sentido de encontrar esse terreno o mais rápido possível, já que o volume de trabalho do IC só aumenta a cada ano. “Eles estão sobrecarregados e ainda têm de enfrentar essa falta de espaço. Estamos procurando essa área, já falei com o prefeito e vamos fazer todo o possível para encontrar”, salienta o vereador. Até o fechamento dessa reportagem, a Prefeitura Municipal não encaminhou nenhuma resposta sobre o assunto, como havia sido solicitado por esse jornal.

Original em: http://www.odiariodemogi.inf.br/

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