BOPE tenta conter protesto do IC

Cerca de 60 policiais do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (BOPE) estiveram na porta do Instituto de Criminalística de Maceió, localizado na Rua João Pessoa, no Centro. Eles desobstruíram a via e já conseguiram abrir os portões do prédio, que haviam sido fechados no início da manhã desta sexta-feira (26), pelos peritos oficiais criminais de Alagoas. A categoria resolveu fazer o protesto em repúdio ao Projeto de Lei de autoria do governador Teotonio Vilela, já enviado à Assembleia Legislativa (ALE), que equipara os salários de papiloscopistas aos da categoria. Ela também quer o pagamento do adicional noturno, cuja negociação é tentada junto ao palácio há mais de dois anos.

Os peritos condenaram a chegada do BOPE e garantem que a intenção do ato não é radicalizar. “Nossa intenção era fazer o protesto durante todo o dia de hoje de forma ordeira. Não somos vândalos, mas resolvemos fechar o trânsito em resposta a decisão do governo de mandar a polícia para cá. Tínhamos apenas trancando as portas e não permitimos o funcionamento das atividades”, explicou o presidente do Sindicato dos Peritos Criminais, Nicholas Passos. 

Ele disse que os colegas peritos se sentiram intimidados, mas promete não recuar. “Não é por meio da força policial que se resolvem os problemas. Sequer o governo nos chamou para uma conversa. Mas, também não queremos mais dialogar da forma que vem sendo feita. Sabemos que serão só promessas e promessas e nada sai do papel. Exigimos o cumprimento do acordo que foi firmado e mais respeito à categoria”, cobrou o sindicalista. 

No momento em que os peritos deixaram a entrada do prédio, os Pm’s ocuparam o espaço, retiraram as faixas e abriram os cadeados. 

Além do Centro de Perícias Forenses, também funciona no antigo Hotel Beiriz a Secretaria de Infra-estrutura do Estado. 

Golpe pelas costas

Para Nicholas Passos, a categoria foi apunhalada pelas costas e o governador demonstra total desconhecimento quanto à complexidade da função dos profissionais e desrespeita a categoria.

“Nós procuramos o Estado de todas as formas. Fomos várias vezes à Segesp, sentamo-nos na Defesa Social com o secretário Paulo Rubim, fomos ao palácio do Governo, em algumas delas barrados, e sempre nos fizeram de bobos. Enquanto a categoria esperava uma resposta saudável, positiva do governador, o que ele faz? Cria um projeto totalmente distorcido e manda para a Assembleia. Pois os peritos oficiais querem uma resposta para a melhor condição de trabalho, o plano de cargos, porte de arma, adicional noturno. Uma resposta para as promessas feitas, porque até agora, andamos em círculo. Então hoje estamos dando um alerta. Já estamos com as atividades paralisadas parcialmente e podemos radicalizar”, disse Nicholas Passos.

A categoria colocou corrente e cadeado no prédio e chama a atenção da sociedade com carros de som e discursos explicando a ação. 

Liberação

O prédio foi liberado depois do clima tenso com a chegada do Bope. Um diretor do Instituto de Criminalística ligou para o secretário Paulo Rubim, que liberou a entrada dos peritos no prédio. 

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