Polícia soluciona apenas 15% dos homicídios ocorridos no Rio, mostra pesquisa

RIO – Uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana, feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que a polícia soluciona apenas 15% dos homicídios ocorridos na cidade. O restante dos crimes não está resolvido seis anos (2003 a 2008) depois de ocorrido.

(Estudo mostra mais de 33 mil assassinatos de adolescentes até 2012 no Brasil)
Os dados fazem parte da pesquisa “O inquérito policial no Brasil: uma pesquisa empírica”, realizada por quatro universidades federais e uma particular. O levantamento durou mais de um ano e foi feito por cerca de 60 pesquisadores, simultaneamente, em cinco estados: Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O estudo se debruçou sobre as apurações nas polícias civis.

Meio século atrás, 15% dos furtos e roubos eram solucionados, enquanto atualmente esse número alcança 3% nos furtos e 5% nos roubos.
Segundo o coordenador do projeto, o sociólogo Michel Misse, a situação é ainda mais grave no caso da apuração de crimes contra o patrimônio: apenas 2% dos casos tem autoria relatada. Ele faz uma comparação dos crimes dos últimos anos com a situação encontrada na década de 1950. Segundo ele, meio século atrás, 15% dos furtos e roubos eram solucionados, enquanto atualmente esse número alcança 3% nos furtos e 5% nos roubos. No caso dos homicídios, a taxa de elucidação caiu pela metade, despencando de 30% para 15%.

De acordo com Misse, os dados indicam ainda que, das 400 mil ocorrências registradas por ano no Rio de Janeiro, no máximo 20 mil vão parar na Justiça. São dados ainda preliminares, pois o levantamento só estará concluído dentro de um mês.

Pesquisador defende o fim do inquérito policial como é feito hoje no país

O estudo observa ainda que o Programa Delegacia Legal modernizou as unidades policiais, informatizando-as e melhorando as condições de trabalho dos policiais, porém, a qualidade do trabalho não teria acompanhado tais avanços. Misse defende o fim do inquérito policial como é feito hoje no país:

– O objetivo é avaliar a investigação policial sobre o modelo do inquérito policial, que no Brasil tem indiciamento feito por delegado ainda na fase inicial do processo. O que existe é uma duplicidade de função, porque não cabe ao delegado e sim ao Ministério Público a denúncia. O indiciamento não tem valor judicial e, no entanto, gasta-se muito tempo e papel em relatórios e depoimentos que serão refeitos na Justiça, quando a autoridade policial deveria se concentrar em apurar o crime. Além disto, ao formar a culpa na fase inicial, sem a defesa prévia e sem o contraditório, o delegado está na verdade, fazendo o papel do inquisidor – afirma Michel Misse.

Na maioria dos casos, os assassinos são traficantes ou milicianos e ainda não temos um programa eficaz de proteção a testemunhas.
Segundo ele o modelo só existe no Brasil e vem ainda do tempo do Império e se deve ao fato de haver uma cultura de desconfiança entre instituições:

– Na França, por exemplo, se um delegado precisa de mais tempo para uma investigação ele liga e fala com o promotor. Não precisa de relatórios.

O chefe de Polícia do Rio, delegado Alan Turnowsky rebate a tese de Michel Misse e sai em defesa do inquérito policial. Segundo Turnowsky – que disse não conhecer os números ou mesmo critérios adotados para a pesquisa – o problema na elucidação de crimes, principalmente no Rio, é a falta de programas eficazes de proteção à testemunha e a falta de preservação de local de crime:

– Seria muito simplista atribuir ao inquérito policial a não elucidação de crimes. Se fosse assim, no Distrito Federal, onde o modelo é exatamente o mesmo, também seria baixo o índice de elucidação. O Rio tem problemas graves e antigos. Problemas na preservação de locais de crime para a perícia, problemas com as testemunhas. Na maioria dos casos, os assassinos são traficantes ou milicianos e ainda não temos um programa eficaz de proteção a testemunhas. Mas estamos trabalhando para mudar isto – afirmou o chefe de polícia.

Segundo ele, a Secretaria de Segurança Pública irá inaugurar a nova Divisão de Homicídios do Estado, com o objetivo de acelerar as investigações de crimes dolosos contra a vida:

– A nova Divisão terá delegados, peritos, papiloscopista, investigador, legista, e até um rabecão. A ideia é chegar ao local do crime com equipe integrada para preservar, realizar a melhor perícia possível e garantir as testemunhas para tentar levantar a linha de investigação do crime nas primeiras 48 horas. Isto irá aumentar o índice de elucidação e não mudar o nome do papel onde é relatada a investigação que dará base a denúncia do Ministério Público.

Original em: http://oglobo.globo.com/Polícia soluciona apenas 15% dos homicídios ocorridos no Rio, mostra pesquisa, 4.0 out of 5 based on 1 rating

3 comments to Polícia soluciona apenas 15% dos homicídios ocorridos no Rio, mostra pesquisa

  • Harrytuh

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  • Harrytuh

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  • José Luís

    O baixo índice de solução de homicídios no Rio de Janeiro está no fato de que não existe uma efetiva inve.stigação. Isso porque a Perícia Criminal no Rio ainda se encontra atrelada ao atrasadíssimo sistema policial. Além do mais a estatísitca está errada: No Rio de Janeiro o índice de solução está, desde 2003, na casa dos 4%. ´Somos a lanterna no Brasil J. Luís

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