MP: 4ª expedição termina sem achar restos mortais no Araguaia

Peritos do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) encerraram sem sucesso a quarta expedição de buscas por restos mortais de guerrilheiros, militares e de eventuais agricultores mortos durante os combates entre opositores do regime militar e tropas do Exército no Araguaia. Nesta segunda-feira, foi realizado o segundo dia de escavações no sítio que abrigou, no início da década de 70, a base Xambioá, do Exército brasileiro. A informação foi divulgada pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA).
Os pontos vasculhados desde ontem no município de Xambioá, no Tocantins, divisa com o Pará, foram indicados por ex-soldados e por um ex-guerrilheiro como locais onde haviam sido enterrados três guerrilheiros, entre os quais Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, principal liderança da guerrilha.
As testemunhas apontaram as localizações das covas perto de locais usados na época pelos militares como fossa sanitária e caixa de detritos. Os dois pontos de referência foram realmente encontrados, a cerca de 1 m de profundidade.
Na caixa de detritos foram achados diversos resíduos, inclusive latas de inseticida em que ainda se podia ler as datas de fabricação do final da década de 60. Após as buscas no terreno, feito com auxílio de um radar, foram detectadas anomalias próximas das referências encontradas, que poderiam ser os restos mortais, mas a escavação encontrou apenas rochas.
“As informações das testemunhas se mostraram verossímeis, mas são vagas, e os resultados aqui foram falsos positivos”, disse Jeferson Evangelista Correa, perito criminal da Polícia Federal que integra a expedição de buscas.

“Operação limpeza”

Outro perito da equipe, Elvis Oliveira, da Polícia Civil do Distrito Federal, descartou a possibilidade do local vasculhado conter hoje restos mortais de guerrilheiros. “Pode ter havido deterioração a ponto de não restarem vestígios, os restos podem ter sido retirados logo depois de enterrados ou ainda podem nunca ter sido enterrados aqui, mas em algum outro ponto da área”, disse.
Oliveira ressaltou o fato de se tratar de uma região de mata sem nenhuma referência geográfica mais marcante, como um córrego ou morro, o que pode trair a memória das testemunhas. O longo tempo decorrido, 35 anos, seria motivo suficiente para a outra hipótese, de decomposição total dos corpos.
A terceira suspeita é de que o Exército tenha realizado, após a aniquilação dos guerrilheiros, uma operação “limpeza”, para retirada de todos os vestígios da guerrilha do Araguaia, o que mostraria que os corpos foram efetivamente enterrados pelas testemunhas, mas retirados logo após.
O Grupo de Trabalho Tocantins deverá fazer a quinta expedição de buscas a partir do próximo dia 18, mas os pontos que serão escavados ainda não foram informados oficialmente ao MPF, que também acompanhará a próxima etapa. Até agora, 13 áreas foram vasculhadas num total de 28 mil metros quadrados na região entre Marabá e Xambioá.
A sentença da juíza Solange Salgado determinava um prazo de 120 dias para receber os relatórios das buscas, que termina no final de outubro. O Ministério da Defesa anunciou que deve dar continuidade ao trabalho mesmo depois disso.

Original em: http://noticias.terra.com.br

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