Cientistas melhoram técnicas de ‘CSI’ da PJ

Cientistas melhoram técnicas de 'CSI' da PJ

Uma das maiores dificuldades dos investigadores forenses está prestes a ser ultrapassada: investigadores da Universidade de Coimbra, em conjunto com a Polícia Judiciária, desenvolveram um método que revela e preserva impressões digitais em metal. Processo que já foi usado para proteger um tinteiro de prata de Cavaco Silva e peças de ouro feitas no Norte do País.

Imaginemos o seguinte cenário: Horatio Caine, investigador da série CSI Miami, aproxima-se de um local de crime. A arma utilizada foi um pesado tubo de metal. O agressor não usou luvas mas, mesmo assim, o tubo não tem qualquer impressão digital pois o metal tem dificuldade em manter este tipo de marcas. Um caso difícil de solucionar na ficção e ainda mais na realidade. Mas, em Portugal, o Centro de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra (CEMUC) em colaboração com a Polícia Judiciária (PJ), está a aplicar o princípio da pulverização catódica ao metal, conseguindo preservar as impressões digitais no seu estado original durante anos e nas melhores condições.
A pulverização catódica é uma técnica de deposição de material usada para cobrir uma superfície magnetizada. “Os átomos agem como bolas de bilhar numa mesa. A energia é o taco que as faz mover e depois estes vão depositar-se nos lados”, explica Jorge Nunes, doutorando em Engenharia de Biomateriais da Universidade de Coimbra.
Assim, consegue-se “prender” um revestimento ao metal, em cima da impressão digital, com a marca a ficar visível e preservada para a usarem como prova do crime.
O próximo passo a ser dado é conseguir revestir superfícies mais agrestes. “Um puxador de porta tem uma superfície mais irregular. Sendo um dos sítios onde mais se encontram impressões digitais, é importante conseguir retirá-las da melhor maneira nestas superfícies”, diz Jorge Nunes.
Este método, desenvolvido pelo CEMUC em conjunto com a P,J pode vir a substituir métodos actualmente mais utilizados para descobrir e recolher impressões digitais: pó de carvão e vapor de cianoacrilato – isto é, um vapor tóxico obtido quando se aquece uma cola semelhante à Supercola 3.
Mas na CEMUC a pulverização catódica não é só utilizada no combate ao crime. O revestimento dado por esta técnica tem sido muito usado para proteger os mais diversos metais.
“O Presidente da República, Cavaco Silva, tem um tinteiro de prata revestido com este método, que foi oferecido por nós”, conta o investigador. Assim, o CEMUC evita que o desgaste do tempo atinja o tinteiro e que a prata escureça. O mesmo método é usado pelas empresas que trabalham com metais preciosos, principalmente no Norte do País, onde se localiza a indústria portuguesa da filigrana.

Original em: http://dn.sapo.pt

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MP quer indenização de R$ 1 milhão da SuperVia para dividir entre passageiros

Passageiros se aglomeram na estação de trem da Central do Brasil: autoridades dizem que houve sabotagem na paralisação do serviço / Foto: Fernando Quevedo - Arquivo

RIO – Na próxima terça-feira, o Ministério Público do Rio entrará na Justiça com uma ação civil pública responsabilizando a SuperVia pelas falhas ocorridas nos últimos dias. Além de cobrar medidas da empresa para que não ocorram mais transtornos, a ação pedirá que a SuperVia pague uma indenização de R$ 1 milhão, valor que seria destinado a um fundo e dividido entre os passageiros.

Nesta sexta-feira, um laudo preliminar do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) comprovou que a pane ocorrida nesta quinta foi resultado de sabotagem. Os peritos afirmam no documento que o pantógrafo – equipamento que faz a ligação com a rede elétrica – da composição que seguia pela linha 6 em direção à gare Dom Pedro II foi atingido por paralelepípedos lançados de cima do viaduto 31 de Março.

Segundo o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, há indícios da participação de milicianos e de integrantes da máfia das vans no planejamento e na execução de ações contra o sistema ferroviário do Rio. Segundo Lopes, foram identificadas pessoas ligadas a vans nas manifestações que ocorreram na Central e em Nilópolis, na quarta-feira. Para o secretário, as ações teriam sido motivadas pelo aumento de 20% no número de passageiros da SuperVia por causa da repressão às vans piratas.

Lopes citou ainda a legalização do transporte alternativo feita pelo Detro, medida que, segundo ele, dificultou a vida dos donos de vans.

– A quem interessa quebrar os trens da população? Como em 12 minutos (após a composição parar) já saltam para depredar o trem?

O fato de os tumultos terem acontecido só em horários de rush também contribuem para a convicção do secretário de que as ações foram combinadas por um mesmo grupo.

À tarde, no Palácio Guanabara, o governador Sérgio Cabral disse que a Secretaria de Segurança está investigando as ações, que, segundo ele, teriam sido orquestradas por vândalos.
– Quero uma apuração rigorosa para identificar os participantes do quebra-quebra e do roubo nas estações. Nada justifica o vandalismo. Temos que identificar os ladrões de bilheterias e os que quebraram os trens – disse o governador, acrescentando que há pessoas usando esse método para fazer política. – Isso não é política, é terrorismo.

As declarações de Júlio Lopes revoltaram o presidente do sindicato dos proprietários de vans, Marcelo Cerqueira. Ele acusou o secretário de tentar achar um bode expiatório para os problemas da malha ferroviária:

– Ele com certeza fez uma afirmação leviana. Vou entrar com uma representação contra ele no Ministério Público, pedindo que apresente elementos para comprovar a acusação.

Ferroviários dizem que tumulto em Nilópolis foi culpa da concessionária
Fiscais do sindicato dos Ferroviários informaram nesta sexta-feira ao deputado estadual Gilberto Palmares (PT) que o tumulto ocorrido na quarta na estação de trem de Nilópolis teria sido causado pela retirada dos dispositivos de abertura das portas dos trens pela própria concessionária SuperVia. Segundo o sindicato, a ausência do equipamento fez com que os passageiros ficassem presos na composição, quando o trem parou de funcionar por 10 minutos. O parlamentar disse que irá propor a criação de uma comissão especial para apurar os problemas do sistema ferroviários.

Segundo Palmares, a Agetransp – Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro – não foi comunicada pela SuperVia sobre a retirada do dispositivo das portas.

“Sei que é um problema o trem viajar de porta aberta, mas acho que a concessionária deve colocar nas portas uma alavanca que possibilite a abertura das mesmas quando o trem tem um problema técnico. Além disso, a Agetransp tem que ser informada sobre este tipo de coisa”, disse Palmares, em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Alerj.

Original em: http://oglobo.globo.com

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Polícia apura tempo da morte com inseto

Primeira turma de policiais civis concluiu ontem curso que aponta caminhos do uso de insetos como ferramenta de trabalho

Policiais civis do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter) 4 de Bauru concluíram ontem o curso de “Entomologia Forense”. Foram três dias aprendendo como observar, coletar e utilizar insetos na solução de crimes e a varejeira foi apontada como uma importante aliada do profissional no dia-a-dia. Essa é uma técnica bastante utilizada na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda desconhecida no Brasil.

Agora, graças a um convênio entre o Ministério da Justiça e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, ela passou a ser difundida no meio policial paulista. Bauru é a primeira cidade do Interior a oferecer o curso, que até então estava restrito aos policiais da Capital.

Em Bauru, foram montadas duas turmas de 20 policiais civis cada. A primeira se “formou” ontem e a segunda fará o curso na semana que vem. O convite foi estendido a todos os policiais das sete Delegacias Seccionais pertencentes ao Deinter 4 (Assis, Bauru, Jaú, Lins, Marília, Ourinhos e Tupã), mas o objetivo principal é atrair quem trabalha diretamente com a investigação de crimes.

Dependendo do tipo de inseto que esses investigadores encontram em um cadáver, ele pode determinar quanto tempo se passou desde a morte da vítima e se o corpo foi transportado de um lugar para outro. De acordo com o perito criminal da Academia de Polícia de São Paulo, Edilson Nakaza, a decomposição de um corpo segue um processo que é possível determinar o tempo com a ajuda dos insetos.

Ele conta que cerca de 15 minutos após a morte de uma pessoa, normalmente, aparecem as primeiras moscas varejeiras. Três horas mais tarde é possível notar os ovos depositados pelo inseto. Mais cinco ou seis horas aparecem as primeiras larvas. Depois surgem as pupas, que é o estágio intermediário entre a larva e o inseto adulto.

A coleta desses ovos, larvas, pupas ou insetos adultos, somada as informações sobre temperatura do corpo, do local onde ele foi encontrado e da umidade do ar, pode oferecer uma importante contribuição para calcular o Intervalo Pós-Morte (IPM). “Nos cadáveres com até três dias, o Instituto Médico Legal (IML) consegue determinar o tempo com certa precisão. Depois disso, a decomposição do corpo torna os dados não tão precisos. Nesse caso, a entomologia consegue dar melhores respostas”, afirma o perito.

Além de homicídios, essa técnica consegue desvendar também se a contaminação de alimentos ocorreu por má conservação ou por sabotagem. Crimes contra o meio ambiente também entram na lista. O uso constante de agrotóxicos nas plantações, por exemplo, pode provocar a extinção de vários tipos de insetos e, com isso, desequilibrar o ecossistema local.

De acordo com o delegado Luís Henrique Fernandes Casarini, os 20 policiais civis que concluíram o curso ontem estão aptos a pôr imediatamente em prática o que aprenderam. Depois de coletadas as amostras, elas devem ser encaminhadas para as universidades paulistas Unesp, USP e Unicamp, que serão as responsáveis pelas análises.

Original em: http://www.jcnet.com.br

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A longa viagem da X2

Restos do primeiro guerrilheiro morto pelo Exército no sul do Pará são sepultados após 37 anos


A cada noite de Natal a cena se repetia. No meio da festa, família reunida entre abraços e sorrisos, d. Luiza puxava os versos da marcha de Paulo Soledade e Fernando Lobo, lançada na voz de Dalva de Oliveira em 1951: “Oi, zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum / Tá faltando um”. Aos 94 anos, d. Luiza sabe o que é sentir falta. Esperou 37 anos pelo retorno de seu primeiro filho homem, Bergson Gurjão Farias, terceiro dos quatro que teve com o comerciário Gessiner Farias, morto em 1988. Todos nascidos de parteira na casa da família, no bairro de Aldeota, em Fortaleza: Tânia, Ielnia, Bergson e Gessiner Júnior. Bergson foi líder estudantil e militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) no final da década de 60, durante a ditadura militar. Entrou para a guerrilha do Araguaia, da qual se tornaria o primeiro desaparecido, em 1972. Na terça-feira, sua ossada, finalmente identificada, voltou para o Ceará. E d. Luiza pôde enterrar seu filho.

“Cantando o Zum-Zum minha mãe instituiu uma espécie de ausência presente do meu irmão”, conta a primogênita Tânia, de 66 anos, última a aceitar a morte de Bergson na família, após uma via-crúcis de buscas infrutíferas, informações truncadas e má vontade política.

Ela se lembra do menino curioso e perspicaz, nascido em 17 de maio de 1947, que, com pouco mais de 3 anos, perguntou a uma tia-avó muito católica por que nunca tivera filhos. Diante da resposta “porque Deus não quis”, o pequeno pôs-se, para seu espanto, a ensiná-la. “A senhora entra no quarto, fecha a porta, deita na cama e manda chamar a d. Dudu”, disse Bergson, referindo-se à parteira da família.

Os Gurjão Farias, que por décadas contemplaram a porta de casa na esperança de ver Bergson surgir de volta da clandestinidade, não esquecem a forma como ele entrava: sem dizer “oi”, cantando uma marcha de carnaval e agarrando mãe e irmãs para beijá-las e cheirá-las. “Tinha essa mania de dar cheiro na gente”, suspira d. Luiza. “Eu, adolescente, morria de raiva”, ri Ielnia, de 64 anos. Paixão mesmo Bergson tinha por Noel Rosa e pela política.

Estudante de química na Universidade Federal do Ceará (UFC), foi vice-presidente do DCE em 1967 e um dos presos no famoso Congresso da União Nacional dos Estudantes ocorrido em Ibiúna (SP) em outubro de 1968. Por conta disso, acabou expulso da faculdade. Naquele mesmo ano de 1968, durante uma passeata estudantil em Fortaleza, sofreu um ferimento grave na cabeça. “O relato que tivemos foi de que o meu irmão agachou-se para desmontar um coquetel molotov que um dos estudantes tinha deixado rolar perto de um carro e tomou uma botinada de um soldado”, diz Tânia. “Ele se preocupava muito com a pecha de baderneiros que o regime queria grudar nos estudantes e era contra que se danificasse qualquer patrimônio. Chegava a pedir licença às autoridades antes das passeatas – que era negada e, aí, eles saíam do mesmo jeito.”

Com a pancada, Bergson fraturou o osso mastóide, na região temporal do crânio e teve hemorragia pelo ouvido. Julgado pela Justiça Militar em julho de 1969, foi condenado a 2 anos de prisão e partiu para a clandestinidade. Seria a última vez que seus pais o veriam. Bergson fugiu para São Paulo, onde adotou o codinome “Jorge”. De lá, seguiu para o Araguaia, na região sul do Pará, onde integraria um dos três grupamentos de militantes do PC do B que sonhavam derrubar a ditadura e criar as condições para uma revolução socialista no País. Uma aventura que terminaria mal após o cerco organizado pelo Exército brasileiro: 70 pessoas, entre membros do PC do B e camponeses locais, foram presos, torturados e assassinados.

As circunstâncias da morte de Bergson até hoje não estão esclarecidas. Ela teria ocorrido entre os dias 4 de maio e 4 de junho de 1972. Em A Ditadura Escancarada, o jornalista Elio Gaspari traz uma descrição: “O Exército oferecia mil cruzeiros por “paulista” capturado. Era dinheiro suficiente para a compra de um pequeno pedaço de terra. Esse tipo de incentivo, associado à intimidação, levou um camponês a denunciar um guerrilheiro com quem tinha boas relações. Deveria entregar-lhe um rolo de fumo e avisou o Exército. Cinco “paulistas” foram para as proximidades do lugar onde deveria ser deixada a encomenda. Um deles, Jorge, aproximou-se. Ouviram-se três rajadas. Bergson Gurjão Farias, 25 anos, ex-aluno de química na Universidade Federal do Ceará, tornou-se o primeiro desaparecido da guerrilha”.

O Livro Negro do Terrorismo no Brasil, produzido pelo Centro de Informações do Exército (CiEX) em resposta ao Brasil: Nunca Mais, extenso relatório sobre os crimes da ditadura divulgado em 1985 por d. Paulo Evaristo Arns, registra: “Em junho, começando a rarear os suprimentos, os elementos subversivos começaram a deixar a selva em busca de alimentos. No dia 4, houve um choque de um grupo subversivo com as forças legais na região do Caiano. Dele resultou ferido um tenente paraquedista, sendo morto Bergson Gurjão Farias (Jorge)”. O oficial que teria sido baleado na omoplata por Bergson seria Álvaro de Souza Pinheiro, hoje general da reserva.

Testemunhas afirmam que o corpo de Bergson foi perfurado por baionetas e pendurado em uma árvore, de cabeça para baixo, para ser agredido por paraquedistas e agentes da repressão. O Exército jamais confirmou a informação ou o entregou à família. O deputado federal José Genoino, do Partido dos Trabalhadores (PT), um dos poucos sobreviventes da guerrilha, afirma tê-lo visto. “Enquanto estava preso, vi seu corpo chegando da mata, trazido pelos militares. Estava enrolado em um pano verde e tinha os olhos bem abertos, com uma expressão altiva, de quem não morreu na tortura, mas lutando, atirando”, contou ao Aliás, minutos antes do sepultamento de Bergson esta semana.

Passados 24 anos da redemocratização, ainda existem cerca de 140 desaparecidos políticos no Brasil. O psicólogo paulista Sergio Perazzo, autor de Descansem em Paz os nossos Mortos dentro de Mim, de 1995, obra pioneira sobre o processo de luto, afirma que “quando não se tem contato com o corpo, a dor da família se prolonga. É o ritual funerário que marca a virada de página concreta”. Já para o escritor Marcelo Rubens Paiva, colunista do Estado, cujo pai foi levado de casa em 1971 por agentes da repressão e nunca mais foi encontrado, o grande acerto de contas é com o País. “A gente não consegue ver nosso passado com os olhos da verdade”, diz Marcelo, que participou da campanha de rádio e televisão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) para recolher informações sobre o paradeiro das vítimas, que está no ar.

Acionada por familiares dos militantes da guerrilha do Araguaia, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) considerou insuficientes os esforços empreendidos pelas autoridades no esclarecimento das circunstâncias das mortes, na devolução dos restos mortais às famílias e na punição dos responsáveis pelos crimes. E encaminhou em setembro um pedido de explicações ao País, que corre o risco de ser condenado por violações continuadas aos direitos humanos. A força tarefa enviada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao Araguaia este ano – cuja credibilidade tem sido questionada pelos familiares de desaparecidos – seria um sintoma do temor do governo com a possibilidade de uma condenação internacional.

Não por acaso, foi longo o caminho percorrido pelos restos mortais de Bergson, até que pudessem descansar em sua Fortaleza natal. Em 1996, ainda no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos localizou uma ossada com uma fratura no crânio semelhante à que Bergson tivera, no cemitério da cidade de Xambioá, no Tocantins. Ela recebeu o nome de “X2”. Ainda que se encontrasse em péssimo estado de conservação, é difícil entender por que um teste de DNA conclusivo tenha levado 13 anos para acontecer. As razões de tanta demora oscilam, de acordo com o ponto de vista, entre as exigências técnicas e os humores da política.

Do início do governo Fernando Henrique até o final do governo Lula, amostras da X2 viajaram mais quilômetros do que Bergson em sua escapada do Ceará para São Paulo e, então, para o Araguaia. Em 1996, elas passaram pela Divisão de Pesquisa de DNA Forense da Polícia Técnica do Distrito Federal. Em 1998, foram enviadas para um novo laboratório, em Portugal. Em 2001, foram repassadas ao Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, em Brasília. Em 2003, visitaram a Universidade de Buenos Aires, na Argentina. Em 2006, chegaram pela primeira vez ao laboratório Genomic, licitado pelo governo federal, em São Paulo. Só no dia 6 de julho de 2009, uma nova amostra, enviada no mês anterior, confirmou: X2 era mesmo Bergson Gurjão Farias.

“Encontramos, nessa segunda amostra, uma parte mais preservada do osso e utilizamos outra técnica, chamada SNP (sigla em inglês para Single Nucleotide Polymorhism)”, explica a cientista que conseguiu a identificação, Denilce Ritsuko Sumita, bióloga paulista especializada em genética humana. O processo começa com a retirada de pedaços menores do osso, com o uso de uma serra elétrica. Depois, os fragmentos são triturados em um aparelho de nitrogênio líquido e submetidos a reagentes químicos para extrair o DNA – então comparado ao material colhido junto aos parentes, no caso, uma gota do sangue de d. Luiza.

Assim que o laudo da Genomic chegou a Brasília, o ministro da SEDH, Paulo Vannuchi, enviou uma assessora a Fortaleza para dar a notícia pessoalmente. Foi Tânia quem a recebeu, e perguntou três vezes: “Então não falta nada?”, antes de acreditar que a espera de quase quatro décadas havia terminado. Minutos mais tarde, d. Luiza foi informada e ouviu em silêncio. Só depois, quando a filha saiu de casa, ela se sentou sozinha e chorou. “Depois de tanto tempo, pensei que nem tivesse mais lágrimas para chorar.”

A pequena urna com os despojos de Bergson chegou de avião ao Aeroporto de Fortaleza e foi transportada em carro do Corpo de Bombeiros até o campus da UFC. Lá, um público de cerca de 300 pessoas a aguardava, entre familiares, amigos, estudantes universitários e secundaristas – vários vestindo camisetas com a inscrição “Bergson Vive”.

Quando a urna surgiu, carregada por José Genoino, o senador Inácio Arruda, do PC do B, e o presidente nacional do partido, Renato Rabelo, entre outros, houve um momento de tensão inicial, motivado não só pelas divergências político-partidárias, mas também pelas histórias de delação que envenenaram as relações entre os personagens do Araguaia ao longo dos anos. Mas a sucessão de discursos emocionados aos poucos desarmou os ânimos. “Foi a coisa mais bonita ver gente que não se falava há tanto tempo se abraçar e chorar”, disse Tânia.

Da universidade, o cortejo seguiu para o cemitério Parque da Paz, onde o filho de d. Luiza enfim foi sepultado, 37 anos depois, às 17h54 do dia 6 de outubro de 2009. Quando a última pá de cimento cobriu o jazigo, a mãe de Bergson sorriu pela primeira vez aquele dia. Daqui dois meses, na noite de Natal, quem sabe ela deixe de lado os velhos versos de Zum-Zum: “Bateu asas, foi embora / Não apareceu / Nós vamos sair sem ele / Foi a ordem que ele deu / Oi, zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum / Tá faltando um”.

Original em: http://www.estadao.com.br

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PF chega ao acusado de matar Capitão Freitas. Entenda o crime

Capitão FreitasA Policia descobriu que o jovem que matou o piauiense Perito Criminal Federal, capitão Freitas em Belém (PA) tem 18 anos, e que, quando era menor (16 anos) matou um homem para roubar. Mauro José da Cruz é filho de pais separados. Morava com o pai e as vezes dormia com a mãe. O pai é entregador de jornal. A Policia descobriu também, que o crime foi planejado. Mauro combinou tudo com as amigas Tainara, Rainara e Pacuda e os amigos Luan do Morro e Cezar Neto. As meninas levaram Freitas para o famoso ‘cheiro do queijo’. O crime foi de latrocínio. Os matadores levaram um notebook e uma pistola Glock 40 da vítima.

“Eu não criei meu filho para isso. É claro que eu não sou conivente com o crime que ele praticou. Isso me deixa muito triste porque apesar de tudo é filho”, disse aos prantos José Maria, pai de Mauro José da Cruz Cruz, o “Zé Carneiro”, 18 anos, principal acusado de ter efetuados os oito disparos que mataram. o Capitão Freitas. Uma testemunha, de 17 anos, foi levada à Seccional da Sacramenta para prestar depoimento. Segundo ela, o policial foi atraído para o canal da Pirajá pelas garotas onde seria assaltado. “Elas são garotas de programa e atraíram a vítima. Elas entraram em contato com os assaltantes e eles já estavam à espera do carro, mas não sabiam que ele era policial”, contou.

Ele conta que estava dentro da casa dele quando ouviu os disparos que vinham do canal da Pirajá. Ao correr para janela viu “Zé Carneiro”, “Luan do Morro”, “Babá” e as garotas Rainara, Tainara e “Pacuda” fugindo do local onde o perito foi alvejado. Segundo ele, os acusados haviam planejado a “casinha” através de Tainara. Os assaltantes ainda atiraram contra o policial com a própria arma dele, uma “Ponto 40” que foi localizada no quintal de uma residência próximo ao local do crime. Segundo a testemunha, isso é comum entre aqueles criminosos. As meninas são responsáveis por fazer a “casinha” para atrair as vítimas até o canal, onde posteriormente são abordadas pelos assaltantes. Para disfarçar, as garotas fingem que são vítimas.

CERCO FECHADO
O crime chocou amigos e colegas de Francisco. Desde que ficaram sabendo do latrocínio, ainda na madrugada do dia do crime, vários policiais federais, civis e militares saíram à procura dos criminosos. Após a coleta de informações no local do crime, eles descobriram que o autor dos disparos teria sido um homem identificado como “Zé Carneiro”. Ainda na tarde de ontem, muitos nem haviam tomado sequer o café da manhã, mas os policiais intensificaram as buscas pelo trio próximo ao local do crime. Os agentes entraram em algumas casas, onde os criminosos poderiam estar escondidos, mas não conseguiram prendê-los. As três garotas que estiveram com a vítima foram detidas ainda na madrugada e encaminhadas para a Superintendência da Polícia Federal. Com a identificação de pessoas que estariam ligadas aos criminosos, os policiais começaram a levá-los para a seccional para colher informações sobre o paradeiro dos bandidos.

NA CASA DO PAI DO ACUSADO
O primeiro local procurado foi a casa do pai de “Zé Carneiro”. Lá, a polícia descobriu que o genitor dele teria entrado em contado por telefone celular com o filho várias vezes naquela madrugada. após negar, José Maria voltou atrás e disse que o filho não contou nada sobre o assassinato. “Ele só disse que ia dormir na casa da namorada e que era para eu avisar à mãe dele, já que ela só tem celular e ele não tinha crédito pra ligar pra ela”, contou. “Eu não posso ser penalizado por uma coisa que meu filho fez. Sou trabalhador e não sabia que ele estava agindo errado. Já sou separado da mãe do Mauro há mais de 10 anos e não tinha muito contato com meu filho, a não ser quando ele me ligava dizendo que precisava de algo. Várias vezes eu pedi para ele ir morar comigo, mas ele não queria”, acrescentou chorando o pai do garoto.

OPERAÇÃO DA PF COM PM E CIVIL
Para encontrar os criminosos, a Polícia Federal contou com o apoio das Polícias Civil e Militar. “Com a divulgação de fotos deles na imprensa temos certeza que as pessoas vão denunciar e logo, logo eles serão presos”, afirmou o tenente Nonato, da Seccional da Sacramenta. Pai manteve contato com acusado 5 vezes. Segundo informações levantadas pelos policiais militares do 1° BPM, comandados pelo tenente-coronel S. Machado, o assassinato foi planejado por mulheres que moram às proximidades do local onde a vítima foi morta. De posse das informações dadas pela testemunha de 17 anos, uma operação coordenada pelo tenente-coronel S. Machado e tenente Nonato, da Polícia Militar, foi montada para cercar a casa do principal suspeito que mora na passagem São Sebastião, na Sacramenta e já possui passagens pela polícia quando era menor de idade. Ao chegarem lá, a residência do acusado estava vazia. Mas, logo chegou ao local, o pai de Zé Carneiro, o distribuidor de jornais, José Maria Cruz.

CRIMINOSO TEVE CONTATOS COM O PAI
Após interrogarem José Maria, o tenente-coronel S. Machado recebeu a informação da irmã de Zé Carneiro, que o pai havia mantido contato com o criminoso logo após o crime. Ao investigar o celular de José, foi descoberto que o acusado ligou várias vezes para o pai. A primeira ligação aconteceu às 1h34, poucos minutos após o policial ser executado. Outros contatos foram mantidos às 6h47, 8h28, 8h59 e o último foi às 10h47. Mesmo comprovando, os vários contatos existentes entre eles, José Maria ainda negou ter falado com o filho e que só soube do crime pela manhã, quando familiares o avisaram. Pai e filha foram conduzidos para a Seccional da Sacramenta para prestarem depoimento. A Polícia Militar e os agentes da Polícia Federal continuaram as buscas dos acusados mas, até o fechamento desta edição, os outros envolvidos não haviam sido presos.

Original em: http://180graus.brasilportais.com.br/

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Garoto de três anos morre soterrado em Praia Grande SP

O caso foi registrado na delegacia de Praia Grande como “morte suspeita”

Uma criança de três anos morreu soterrada no começo da tarde deste sábado após a queda de um muro, no município de Praia Grande (litoral sul de São Paulo). De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), o acidente aconteceu por volta de 13h, no bairro Jardim Melvi.

O menino chegou a ser levado para o pronto socorro Samambaia e, depois, transferido ao pronto socorro Quietude, onde já chegou sem vida.

A Polícia Militar soube pela enfermeira do pronto socorro que o garoto estava com a mãe em uma casa onde seria pago o aluguel da residência deles. O menino teria subido em um muro de aproximadamente um metro e meio, que não estava firme e desabou.

O caso foi registrado na delegacia de Praia Grande como “morte suspeita”. O delegado solicitou perícia de local de crime. O corpo do menino foi levado ao IML (Instituto Médico Legal) e passará por exame necroscópico.

Original em: http://www.midianews.com.br

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À procura do quarto suspeito

Polícia tem mandado de prisão contra mais uma pessoa investigada, a que teria ajudado a apagar rastros. Três homens estão detidos

 Delegada Martha Vargas ouviu ontem depoimento do terceiro preso no caso - (Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press   )

Delegada Martha Vargas ouviu

ontem depoimento do terceiro preso no caso

Apesar de a polícia manter três homens presos por suspeita de envolvimento no triplo homicídio ocorrido na 113 Sul, permanece em aberto mais um mandado de prisão expedido pela Justiça local. A expectativa é de que a quarta detenção do caso seja feita até o início da semana. A última prisão ocorreu na noite de sexta-feira, quando um homem chegou algemado à 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul. Ele é foragido da Justiça, mas ainda não se sabe o grau de relação dele com as mortes do casal de advogados José Guilherme Villela, 73 anos, e Maria Carvalho Mendes Villela, 69; e da principal empregada deles, Francisca Nascimento da Silva, 58.

A delegada-chefe da 1ª DP, Martha Vargas, deu início ontem ao depoimento desse terceiro homem preso desde o começo das investigações. A polícia chegou ao nome dele ao longo da semana, ao aprofundar a apuração do triplo homicídio. A responsável pelo caso, no entanto, não quis dar detalhes das informações levantadas à tarde. “Trata-se de um foragido da Justiça. É só o que posso dizer. Pessoas estão sendo presas em decorrência da investigação do crime da 113 Sul e estamos descobrindo se elas têm ou não participação direta no crime”, afirmou a delegada.

A prisão teria ocorrido a partir de uma linha de investigação diferente daquela que se segue desde as prisões de dois primos, identificados como A. e D.. A dupla, presa há mais de uma semana e transferida sexta-feira da 1ª DP para o cárcere do Departamento de Polícia Especializada (DPE), responde por acusações de envolvimento em clonagem de veículos. Mas uma testemunha viu os dois, acompanhados de uma terceira pessoa, a conversar em um ponto de ônibus da 513 Sul na noite de 28 de agosto, data dos assassinatos. Há indícios de que D. teria dirigido o carro que pode ter levado A. para matar as três vítimas no apartamento 601/602, do Bloco C, da 113 Sul. O casal Villela e a empregada levaram 73 facadas. D. ainda faria parte do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa de São Paulo.

O mandado de prisão ainda não cumprido seria desse terceiro homem flagrado na W3 Sul. Pode ser o mesmo responsável pela limpeza do cenário do crime. A polícia acredita que alguém esteve no imóvel dos Villela entre os três dias que separaram os homicídios da localização dos três corpos, em 31 de agosto. Teria ido ao local para apagar o rastro dos assassinos. Havia, por exemplo, pouca quantidade de sangue no apartamento. E os peritos da Polícia Civil descobriram apenas fragmentos de impressões digitais diferentes das dos donos da casa.

Segundo peritos ouvidos pelo Correio, só uma pessoa com conhecimentos técnicos teria condições de eliminar tais vestígios. Mesmo assim, precisaria de materiais especiais de limpeza. A alteração no imóvel atrapalhou o trabalho do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal. Tanto que os exames feitos no local estão atrasados. Mais de 40 dias passados desde o crime, não houve a divulgação de resultado dos laudos.

A delegada Martha Vargas reservou a tarde de ontem para ouvir os esclarecimentos do terceiro detido no caso. Chegou à delegacia por volta das 15h e permaneceu pelo menos até o início da noite. Nenhuma nova testemunha apareceu para prestar depoimentos. Também não houve mais prisões. Na última quinta-feira, a delegada esteve na região de Alto Paraíso (GO) para fazer diligências. Distribuiu intimações pela localidade onde Adriana Villela, filha do casal assassinado, mantém uma casa. Um veterinário, que aluga a residência, prestou depoimento na sexta-feira.

Cronologia

Agosto

Dia 28
Os advogados José Guilherme Vilella e Maria Carvalho Mendes Villela e a principal empregada da família, Francisca Nascimento da Silva, são assassinados a facadas em apartamento da 113 Sul. Estima-se que tenham sido atacados entre 19h30 e 20h30.

Dia 31
A neta dos Vilella contrata um chaveiro para abrir a porta do imóvel dos avós. Está acompanhada de três amigos policiais, que encontram os corpos e chamam a polícia.

Setembro

Dia 29
Um homem suspeito de ser matador de aluguel, identificado apenas como D., é preso por agentes da 1ª Delegacia de Polícia. Os investigadores chegaram ao nome do rapaz após a quebra de sigilo telefônico de todas as pessoas que receberam ou originaram chamadas do aparelho celular feitas na quadra onde o crime ocorreu.

Outubro

Dia 6
O Correio publica com exclusividade que há um segundo suspeito de participação no assassinato detido. O homem identificado apenas como A. seria primo de D. Os dois podem ter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A. teria sido o autor das facadas e D., o motorista do carro na fuga.

Dia 9
Um terceiro envolvido no crime é preso. Informações levantadas pelos investigadores do caso revelaram que D. conversou por telefone no dia dos assassinatos com esse homem, que no passado se relacionou com uma pessoa da família Villela e por isso tinha uma relação conturbada com duas das vítimas.

Dia 10
Passaram-se mais de 40 dias e o crime continua sem solução. A polícia colheu mais de 80 depoimentos e realizou 13 perícias no local do crime, mas ainda não recebeu parte dos laudos. Agora procura o quarto suspeito de envolvimento no caso.

Original em: http://www.correiobraziliense.com.br

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