Preso em SP acusado de manter família em cárcere e sob tortura

Um homem de 46 anos foi preso na noite de quarta-feira sob a acusação de manter a ex-mulher e os filhos em cárcere privado, em uma chácara de Arujá, região metropolitana de São Paulo. Segundo a polícia, as vítimas relataram que um dos filhos ficou preso em um porão por dois anos.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, aproveitando-se de uma consulta médica, a mulher, de 42 anos, registrou boletim de ocorrência por cárcere privado e ameaça no 1º Distrito Policial de Guarulhos.
Acompanhada do filho mais velho, de um sobrinho, da mãe e da irmã, a mulher relatou que, além de ser mantida em cárcere privado, ela e os filhos eram agredidos física e psicologicamente. Conforme explicou na delegacia, ela era ameaçada de morte, caso o denunciasse, e frequentemente era agredida com socos, chutes e tapas no rosto.
Ela afirmou ainda que o filho mais velho, de 17 anos, ficou preso no porão da casa pelo período de dois anos. A mulher contou, também, que presenciou o ex-marido torturando o adolescente várias vezes. De acordo com seu relato à polícia, seu marido fazia o rapaz entrar numa caixa d’água e lhe dava choques elétricos até que ele perdesse os sentidos.
O adolescente também foi até a delegacia e confirmou as agressões e torturas supostamente praticadas pelo pai. O rapaz relatou que, durante o período em que esteve preso no porão, foi forçado a comer um abacate verde e duro fornecido pelo pai. Além disso, por falta de alimento, chegou a comer baratas para saciar a fome.
Além disso, segundo relatos da mulher, o suposto agressor mantinha todos os filhos em situação análoga à de escravo, fazendo-os acordar às 5h e trabalhar na horta até a 0h todos os dias. Caso algum deles demonstrasse sinais de cansaço, era brutalmente castigado com choques, mangueiradas e cabo de aço pelo corpo.
Os outros dois filhos do casal, na presença da conselheira tutelar, negaram os fatos praticados pelo pai. A mãe dos garotos acredita que eles estão com medo de dizer a verdade, temendo a reação do suspeito.
O suspeito foi autuado em flagrante por redução à condição análoga de escravo, maus-tratos, violência doméstica, lesão corporal, tortura, ameaça, injúria e cárcere privado. Embora negue todas as acusações, ele ficará preso. O Instituto de Criminalística foi acionado para fazer exame pericial na casa da família.

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