Greve dos policiais civis de Goiás já dura 15 dias e pode ganhar adesão de IML

Faixa com aviso de greve na delegacia em Valparaíso II - (Kléber Lima/CB/D.A Press )
Faixa com aviso de greve na delegacia em Valparaíso II

A terceira greve deste ano dos policiais civis de Goiás completa 15 dias, nesta segunda-feira (19/10), e segue sem previsão de um desfecho. O movimento, que só no Entorno de Brasília atinge mais de 1 milhão de habitantes, pode receber um reforço, com a possível paralisação dos profissionais do Instituto Médico Legal (IML-GO). A categoria compreende médicos legistas, papiloscopistas e peritos, e fará assembleia, nesta tarde, para definir se cruzará os braços a partir de amanhã, por tempo indeterminado.
Com indicativo de greve aprovado desde a semana passada, os peritos e legistas têm como principal reivindicação o lançamento de um edital para concurso. A seleção já foi autorizada pelo governo do estado. “Cada dia que passa o trabalho aumenta. Os servidores estão sobrecarregados. Não adianta aprovar concurso e não realizar”, diz Carlos Kléber Garcia, presidente da Associação dos Peritos em Criminalística de Goiás (Aspec-GO).

A falta de profissionais já é conhecida por moradores da cidade de Formosa, no Entorno norte do DF. Na semana passada, acidentes e crimes violentos não tiveram visitas técnicas no local, já que o único perito criminal do IML estava de férias. A unidade de Formosa atende outras 12 cidades goianas, e para isso conta apenas com dois médicos legistas.

Carlos Kléber explica que, sem perícia, um culpado pode ser inocentado por falta de provas. Mesmo quando o trabalho é feito no local do crime ou acidente, há ainda o problema de laudos atrasados, devido a falta de servidores. “Na situação que a gente está hoje, é quase como se estivéssemos em greve”,diz.

A situação é um pouco menos complicada no IML que atente o Entorno Sul do DF, mas está longe do ideal. A unidade de Luziânia conta com oito peritos criminais e oito legistas. Mas é responsável pela região mais densa dos arredores de Brasília, com 1 milhão de habitantes, e uma das mais violentas do país. Entre as 11 cidades sob tutela do IML de Luziânia estão as populosas Águas Lindas, Valaparaíso e Cidade Ocidentel. Segundo Carlos Kléber, para suprir a demanda seria necessário o dobro de pessoal.

Manifestação
Agentes e escrivães da Polícia Civil de Goiás farão amanhã, às 14h30, uma mobilização na Assembleia Legislativa de Goiás, em Goiânia (capital do estado). Eles querem impedir que os deputados aprovem o projeto de Plano de Cargos e Salários (PCS) enviado pelo governo.

No PCS, o salário inicial é mantido em R$ 2.711 e o teto salarial, que hoje é de R$ 3.348, sobe para R$ 5.144,91. O plano também atende uma reivindicação antiga ao criar a Classe Especial para agentes e escrivães. O reajuste proposto para ascensão de classe é de 10%.

Para o presidente do Sindicato dos Policias Civis do estado (Sinpol-GO), Silveira Alves, a proposta é inaceitável. Ele dá como exemplo o salário final da Polícia Militar de Goiás, que hoje é de 9.720. A categoria também quer a contratação dos 612 aprovados no último concurso da corporação; reposição inflacionária dos últimos cinco anos; e melhoria das condições de trabalho.

Em coletiva à imprensa na terça-feira (6/10) da semana passada, o secretário de Segurança Pública de Goiás, Ernesto Roller, deu a negociação por encerrada. Para Roller, a proposta apresentada é “justa, exequível, dentro da possibilidade do Governo Estadual” e resgata os compromissos assumidos em julho. A greve de julho foi a segunda realizada em 2009 pelos policiais. Ela durou 28 dias e exigia, entre outros pontos, a realização do concurso para agentes e escrivães. A primeira paralisação ocorreu em março.

Original em: http://www.correiobraziliense.com.br

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