Morre mais um policial queimado

Cabo que estava no helicóptero abatido sofreu ferimentos em 90% do corpo

Rio – Morreu ontem o terceiro policial militar que estava no helicóptero abatido por traficantes no Morro dos Macacos, sábado de manhã. Internado no Hospital da Aeronáutica, na Ilha do Governador, com 90% do corpo queimado, cabo Izo Gomes Patrício, 36 anos, não resistiu aos ferimentos. Izo estava há nove anos na PM. Pai de um casal de filhos, ele morava com a família em Paciência. O cabo Anderson dos Santos, que também sofreu queimaduras graves, continua internado.


O local da tragédia: helicóptero foi totalmente destruído depois de ser atingido por tiro, fazer pouso forçado e explodir.

Os dois e mais quatro PMs do Grupamento Aéreo Marítimo (GAM) tentavam socorrer um colega que estava ferido no interior da favela, quando a aeronave em que estava foi atingida. Os soldados Marcos Standler Macedo e Edney Canazaro de Oliveira morreram carbonizados. O piloto Marcelo Vaz de Souza, que teve queimaduras na mão esquerda, e o copiloto Marcelo Mendes, que levou um tiro no pé, ambos capitães, estão fora de perigo.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se colocou ontem à disposição para prestar assistência jurídica às famílias dos três PMs e também às dos primos Marcelo Costa Gomes, 25 anos, Leonardo Fernandes Paulino, 27, e Francisco Hailton Vieira da Silva, 24, moradores do Morro dos Macacos que foram assassinados, quando voltavam de uma festa, na madrugada de sábado.

Na Clínica São Vitor, na Tijuca, onde Leonardo trabalhava, o dia ontem foi de luto. “Era uma pessoa maravilhosa. Estava ansioso com a festa do filho, mas não pode viver para isso”, lamentou o colega Alexandre Feitosa. O mesmo aconteceu nas oficinas mecânicas onde Marcelo e Francisco trabalhavam. Francisco Halaílton Vieira da Silva, 23 anos, que foi baleado e fingiu estar morto para não ser executado, continua internado em estado grave no Hospital do Andaraí.

Dois soldados do Batalhão de Choque, que patrulhavam o Morro dos Macacos no sábado, foram presos acusados de furtar a arma de um policial do GAM. Por volta das 15h, o PM abandonou o carro particular num acesso ao Túnel Noel Rosa. Ao retornar, reparou que a pistola havia sumido e acionou um sargento do Batalhão Choque. Dois policiais que revistaram o veículo foram encontrados e confessaram que roubaram a arma. A dupla foi levada para o Batalhão Especial Prisional.

Perícia feita pelas polícias Civil e Militar

As polícias Civil e Militar vão investigar as causas que levaram à queda do helicóptero Phenix 03. Na PM, um inquérito — que vai demorar, no mínimo, 30 dias — foi aberto no Grupamento Aéreo Marítimo (GAM). Os destroços da aeronave foram levados para a sede da unidade, em Niterói. Em paralelo, o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) vai elaborar um laudo pericial sobre a tragédia. A investigação sobre a morte dos PMs ficará a cargo da Delegacia de Homicídios (DH).

Identificar o tipo de munição usada pelos traficantes não será fácil. Como a fuselagem do helicóptero foi toda queimada, será difícil encontrar qualquer perfuração. O piloto chegou a cortar o combustível da aeronave para impedir a explosão no ar.

Original em: http://odia.terra.com.br

Leave a Reply