OAB pedirá pressa à polícia no caso Villela

A Ordem dos Advogados do Brasil está preocupada com a demora na divulgação dos laudos periciais feitos no apartamento dos Villela

Advogado Aristoteles Atheniense, amigo de José Guilherme Villela:

Advogado Aristoteles Atheniense, amigo de José Guilherme Villela: “A advocacia é uma profissão de risco”

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) enviará, ainda nesta semana, um ofício à Direção da Polícia Civil do Distrito Federal exigindo pressa na conclusão dos laudos periciais realizadas no apartamento do casal de advogados José Guilherme Villela, 73 anos, e Maria Carvalho Mendes Villela, 69, assassinados a facadas em 28 de agosto. Ao todo, houve 13 visitas ao imóvel localizado no Bloco C da 113 Sul feitas pelos especialistas do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Identificação (II). Os peritos do IC também encontraram material biológico no carro de um dos suspeitos presos desde o início das investigações. Às vésperas de completarem-se 50 dias de apurações sobre o triplo homicídio, nenhum dos resultados chegou às mãos da delegada-chefe da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), Martha Vargas.

O documento será protocolado pela própria presidente da OAB/DF, Estefânia Viveiros, de acordo com o advogado criminalista Raul Livino, indicado pela entidade para acompanhar o caso. Segundo Livino, a conclusão dos laudos será fundamental para que os investigadores possam avançar na apuração do caso — a principal empregada dos Villela, Francisca Nascimento da Silva, 58, também foi morta em 28 de agosto. Ao todo, as três vítimas levaram 73 facadas. “Sem informações sobre os exames, fica difícil de a gente acompanhar o inquérito policial. Acho que isso (a divulgação) não trará prejuízo às investigações”, argumentou Livino.

Enquanto os laudos não chegam, a polícia continua a fazer diligências em cidades do Entorno e a colher depoimentos. Cinco pessoas estiveram ontem na 1ª DP para prestar novos esclarecimentos. O advogado Aristoteles Atheniense, vice-presidente da Comissão Nacional de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conversou com os investigadores entre as 15h e as 17h15 — ele havia comparecido ao distrito policial da Asa Sul pela primeira vez logo nos primeiros dias de investigação, pois deixou Belo Horizonte (MG) em direção a Brasília na noite da localização dos corpos das vítimas, em 31 de agosto. Atheniense era amigo de escola e de faculdade de José Guilherme Villela, além de integrar o Conselho Federal da OAB.

Ao fim dos esclarecimentos à polícia, Atheniense falou à imprensa. Disse que repassou com os agentes o período entre 10 e 28 de agosto. “Nós nos vimos pela última vez em 10 de agosto, quando o Villela esteve em Belo Horizonte para participar da festa de encontro da nossa turma de faculdade. Duas semanas depois, conversamos por telefone. Lembro que na festa ele estava feliz e até dando autógrafos a estudantes e recém-formados em direito. O filho dele também ligou para saber se ele estaria em Brasília no dia do aniversário, 12 de agosto”, afirmou o advogado, que fica em Brasília até hoje para a reunião do Conselho Federal da OAB.

Direito e futebol
Segundo Atheniense, Villela era um homem “muito fechado”. Mesmo assim, os dois mantinham sólida amizade desde 1952. “Sou advogado por causa dele, que, na época, me convenceu a seguir na profissão. Eu iria servir na Marinha”, contou. Conversavam principalmente sobre a profissão e o futebol. “A advocacia é uma profissão de risco, todo advogado sabe. Mas não me recordo de Vilella ter comentado sobre algum caso em que tenha sofrido ameaças ou sentido medo.”

O advogado evitou formular hipóteses sobre o crime da 113 Sul. Mas revelou que o meio jurídico acompanha o caso. “Estou aqui também em nome do Judiciário brasileiro. Estamos permanentemente atentos para que esse caso não se perca na bruma do tempo.” A polícia ainda ouviu ontem quatro verdureiros que trabalham na comercial da 113 Sul. No sábado, foi a vez de entregadores da quadra. Até hoje, duas pessoas estão presas por suspeita de envolvimento nos assassinatos.

Devem ser divulgados até o fim da semana os desenhos das joias levadas pelos criminosos após o triplo homicídio. Os esboços foram feitos por um dos parentes dos Villela. Além das peças preciosas, quem praticou os crimes fugiu com dólares. A estimativa da polícia é de que a soma roubada — entre objetos e o dinheiro em espécie — alcancem R$ 700 mil. A quantia reforçou a hipótese de latrocínio (roubo com morte). Mas não descartou outra linha de investigação, a de crime encomendado.

TELEFONEMAS DOS FAMILIARES
Os investigadores do caso Villela receberam ontem de operadoras de telefonia as listas de chamadas feitas e recebidas por familiares das vítimas. Tiveram acesso aos dados por meio de autorização judicial. A listagem com as ligações realizadas pelo casal de advogados está em poder da polícia há mais de duas semanas. Os agentes trabalham no cruzamento dos dados na tentativa de descobrir algo suspeito.

Original em: http://www.correiobraziliense.com.br

Leave a Reply