Crime da 113 Sul: Após 50 dias, os homicídios continuam sem solução

Os três foram cruelmente assassinados em 28 de agosto

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Depois de 50 dias de investigação, a Polícia Civil tem mais dúvidas do que certezas a respeito do triplo assassinato ocorrido na 113 Sul. Delegados, agentes e peritos ainda buscam pistas que levem ao autor da barbárie ocorrida no apartamento 601/602 do Bloco C. Até agora, nem sequer definiram uma linha. Ora dão mais ênfase à hipótese de crime encomendado ora à de latrocínio (roubo com morte) ora a ambas. Faltam provas para sustentar uma delas. Em meio às idas e vindas, a cena do crime acabou alterada, pessoas ficaram expostas como suspeitas e registros de mais de 100 depoimentos se avolumam no processo.

Os investigadores trabalham contra o tempo e, principalmente, a ausência de uma testemunha-chave. Não apareceu ninguém que tenha visto ou ouvido algo da ação criminosa, apesar de as três vítimas — o advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, 73 anos, a mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, 69; e a principal empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, 58 — terem sido mortas em uma quadra povoada e entre as 19h30 e as 20h de 28 de agosto, uma sexta-feira. As imagens captadas pelas câmeras do circuito de TV do Bloco C não eram gravadas. As de um prédio vizinho são de má qualidade.

Enquanto isso, a equipe da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), responsável pelo caso, segue à risca a ordem da direção da Polícia Civil de não dar detalhes sobre a investigação. Ninguém da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do DF fala a respeito. A falta de respostas incomoda setores da sociedade, como a Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), que indicou o criminalista Raul Livino para acompanhar o trabalho da polícia. Além de José Guilherme, Maria era advogada.
No fim da tarde de ontem, a OAB-DF enviou ofício ao secretário de Segurança Pública do DF, Valmir Lemos, e ao diretor-geral da Polícia Civil do DF, Cléber Monteiro, exigindo pressa na conclusão dos laudos das perícias feitas no apartamento do casal Villela. “Em princípio, a gente atribui essa demora à complexidade (do crime). Mas, pelo menos, a polícia precisa apresentar um resultado parcial, para a sociedade saber o que está sendo feito”, cobrou Livino, que preside a Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF.

O promotor Maurício Miranda, do Tribunal do Júri de Brasília, também aguarda os laudos para organizar a tese de acusação. Ele diz não ter informações sobre o trabalho da 1ª DP e afirma serem fundamentais os relatórios dos peritos para conseguir a condenação do autor ou dos autores. “O inquérito dos primeiros 30 dias de investigação só trazia os laudos cadavéricos, que não revelam muita coisa sobre o autor. Espero que venham os outros ao fim do prazo de mais 30 dias (que termina na próxima semana)”, comentou.

Para o advogado Aristoteles Atheniense, vice-presidente da Comissão Nacional de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o atraso na entrega dos exames atrapalha o trabalho policial. “A parte técnica está deixando a desejar. Os laudos são importantes para a delegada e essenciais para a investigação”, avaliou o mineiro Atheniense, que ontem esteve em Brasília para a reunião do conselho federal da OAB. Também compareceu à 1ª DP, onde prestou esclarecimentos como amigo e colega de faculdade de José Guilherme.

A demora na solução do crime da 113 Sul incomoda ainda o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF). O presidente da entidade, Wellington Luiz de Souza Silva, se diz preocupado com a imagem da Polícia Civil candanga. “Para a gente, é uma preocupação enorme porque a nossa polícia é reconhecida nacionalmente pela sua eficiência. Não temos dúvida de que os policiais da 1ªDP estão empenhados, trabalhando dia e noite, mas a população quer resultado.”

Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Identificação (II) estiveram 13 vezes no imóvel onde morreram com 73 facadas as três vítimas. Pela primeira perícia, investigadores afirmam que o crime ocorreu na noite de 28 de agosto. Mas os corpos acabaram encontrados somente três dias depois. Apenas os resultados do II são conhecidos, embora não tenha havido divulgação oficial: os especialistas detectaram fragmentos de impressões digitais diferentes das dos moradores do apartamento.

“Faxineiro”

Não se precisou se o crime foi cometido por uma ou mais pessoas. O mais provável é que ao menos um dos envolvidos seja conhecido de uma das vítimas, pois não havia marca de arrombamento nas portas.

A delegada Martha Vargas, chefe da 1ª DP, já confirmou que alguém entrou no imóvel para limpar os rastros dos assassinos. A pouca quantidade de sangue e a ausência de impressões digitais fazem a polícia acreditar que o “faxineiro” era profissional, pois somente o uso de produtos especiais apagaria os vestígios. Até agora, no entanto, não há informações capazes de identificar o responsável pela alteração no cenário.

Por enquanto, dois homens estão presos por suspeita de envolvimento no caso. Mas faltam provas para vinculá-los de forma definitiva ao crime. Os primos D. e A. permanecem detidos há semanas, mas por acusações de pistolagem e clonagem de veículos. Segundo a polícia, testemunhas viram a dupla, e um terceiro homem, na 513 Sul na noite dos assassinatos. Pesa ainda contra D. a suspeita de integrar uma facção criminosa de São Paulo.

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Original em: http://www.correiobraziliense.com.br

3 comments to Crime da 113 Sul: Após 50 dias, os homicídios continuam sem solução

  • Alberto

    Caso complicado esse, mas espero que a justiça venha a ser feita para a família.

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    • Marcelo

      Complicado foram os vários erros de investigação da polícia, isso sim.
      Um verdadeiro absurdo, uma vergonha, pois várias pessoas inocentes foram presas por causa desses erros, inclusive a filha do casal assassinado.

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