Caso AfroReggae: Patrulha passou duas vezes pelo local do crime

Primeira patrulha da PM passou pela rua no momento do crime, e a outra apenas seis minutos depois / Reprodução de TV

RIO – Uma câmera de vídeo instalada na Rua do Ouvidor, apontada para a Rua do Carmo, registrou duas vezes patrulhas da PM chegando ao local do assassinato do coordenador do AfroReggae, Evandro João da Silva. A primeira passa à 1h22m e entra na Rua do Carmo, provavelmente no horário do assalto. Seis minutos depois, mais uma Blazer da PM entra na Rua do Ouvidor e estaciona na esquina com a do Carmo. Dois policiais saem do veículo em direção à calçada da agência bancária, onde estava o corpo de Evandro. Quatro pessoas que estavam passando pela Rua do Ouvidor também caminharam para o local do crime.

(Assista às imagens das câmeras de segurança do local do crime)
O delegado da 1ª DP (Praça Mauá), José Luiz Silva Duarte, disse nesta quinta-feira que recebeu cinco CDs com vídeos de diversos estabelecimentos comerciais da Rua do Carmo. Os inspetores da delegacia percorreram a via desde a Rua da Assembleia até a esquina com a Rua do Ouvidor, recolhendo as gravações, que foram levadas ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

José Júnior: Beltrame ficou revoltado

O coordenador-executivo do AfroReggae, José Júnior, esteve nesta quinta-feira à tarde reunido com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Ele disse que o secretário estava indignado com o que aconteceu a Evandro:

– O secretário chegou a me pedir desculpas. Mas nem precisava. A melhor desculpa que pode ser dada nesse momento é a polícia prender os marginais que assaltaram e balearam o Evandro. Os assassinos não podem ser esquecidos – afirmou.

Segundo ele, a morte do coordenador da ONG causou comoção nos presídios de Bangu II, III e IV e no Talavera Bruce. Desde o início do ano, Evandro atuava no projeto Rebelião Cultural. O AfroReggae e outras ONGs levam atividades como teatro e informática para reduzir a ociosidade dos detentos.

Nesta quinta-feira, uma faixa preta com a mensagem “Estamos de Luto” era exibida na subsede do Afroreggae em Parada de Lucas, que Evandro ajudou a fundar. Pai da vítima, o cozinheiro Inácio João da Silva, de 73 anos, que mora na favela desde os anos 50, disse que pretende processar o estado pela participação dos policiais. Mas quer também que os dois assaltantes, que ainda não foram localizados, sejam punidos:

– O sentimento é de revolta contra os bandidos e os policiais que não o socorreram.
Evandro dividia com Sirlélia Menezes os projetos sociais que atendem a quase 500 crianças, adolescentes e adultos da favela. Ela lembra que os dois tiveram dificuldades para superar a desconfiança inicial. Quando o projeto começou, facções diferentes do tráfico controlavam Parada de Lucas e Vigário Geral. Os moradores viram com desconfiança a entrada do AfroReggae em Lucas já que a ONG havia sido fundada em Vigário.

Original em: http://oglobo.globo.comCaso AfroReggae: Patrulha passou duas vezes pelo local do crime, 5.0 out of 5 based on 1 rating

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