Equipamento pode ter iniciado fogo em residência

Rio. Uma semana após o incêndio que destruiu grande parte do acervo de Hélio Oiticica, o seu irmão César Oiticica acredita que o desumidificador da reserva técnica pode ter sido a causa da tragédia. Ele encontrou no local peças soltas do aparelho, o único a estar ligado no momento do ocorrido. “Pelo estado do desumidificador, a impressão é que houve um curto-circuito, e ele explodiu”, diz César, diretor do Projeto Hélio Oiticica, que cuida do acervo desde o ano de 1981.

Entretanto, a causa do incêndio só será assegurada com a perícia da reserva, que será feita esta semana por um técnico chamado por César Oiticica, na casa da família, no Jardim Botânico. Ele diz que, diferentemente do que foi anteriormente divulgado, ainda não houve perícia.

O Corpo de Bombeiros também afirma que, neste caso, só faria uma perícia sem pedido oficial se fosse um incêndio destruidor de uma área maior. De acordo com o órgão, a perícia é feita pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli quando há um pedido da Polícia Civil, originado por denúncia policial, o que não foi o caso do incêndio do acervo de Oiticica, um dos mais importantes artistas brasileiros do século XX. Neste fim de semana, César Oiticica recebe um técnico do Instituto Moreira Salles (IMS), especialista em recuperação de fotografia, que analisará o que sobrou de negativos e ampliações.

Original em: http://diariodonordeste.globo.com

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Três assassinos em ação

Relatório do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, a ser encaminhado à 1ª DP na próxima semana, mostrará que o casal Villela e a empregada Francisca da Silva foram sedados e rendidos antes de morrer

Laboratório do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do DF: os peritos ainda não teriam conseguido estabelecer a ordem das mortes - (Paulo de Araujo/CB/D.A Press  )

Laboratório do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do DF: os peritos ainda não teriam conseguido estabelecer a ordem das mortes

Três pessoas executaram os Villela e a principal empregada da família. Segundo a lógica dos peritos do Instituto de Criminalística (IC), José Guilherme Villela, 73 anos, Maria Carvalho Mendes Villela, 69, e Francisca Nascimento da Silva, 58, foram dopados por um dos assassinos, rendidos por outro e esfaqueados pelo terceiro bandido. A conclusão — à qual o Correio teve acesso com exclusividade por meio de uma fonte da própria polícia — faz parte de um relatório que o IC deve encaminhar na próxima semana à 1ª Delegacia (Asa Sul).

Os peritos, porém, não conseguiram estabelecer a ordem das mortes. Mas a posição e o número de facadas, além da falta de sinais que indicam qualquer tipo de reação das vítimas, levaram os especialistas a acreditar que o crime que chocou o Distrito Federal foi cometido por mais de duas pessoas. Até agora, dois homens (1)estão presos e são apontados como suspeitos de terem ligação com o triplo assassinato ocorrido em 28 de agosto. Além disso, um terceiro homem havia sido visto por uma testemunha na companhia desses suspeitos. O trio estava, de acordo com o denunciante, em um carro na 513 Sul na tarde do crime. Os homicídios ocorreram entre as 19h30 e as 20h30, mas os corpos só foram encontrados três dias depois, na noite de 31 de agosto. O cenário da tragédia: a residência dos Villela, o apartamento 601/602 do Bloco C da 113 Sul.

Faltam, no entanto, algumas respostas que poderão ser esclarecidas somente com a divulgação do laudo definitivo, como qual dos três assassinos teria limpado as digitais nas paredes e móveis do apartamento. A motivação do crime, por enquanto, ainda não foi definida. Duas hipóteses figuram como as mais prováveis: latrocínio (roubo com morte) ou crime encomendado. A primeira ganhou força nos últimos dias, mas a segunda ainda não está totalmente descartada.

Depoimentos
Para tentar decifrar esse enigma, a delegada Martha Vargas já ouviu mais de 100 depoimentos. Ontem, pelo menos 11 pessoas foram ouvidas. Elas estão na lista de 37 intimações feitas pela polícia na última quinta-feira. Os nomes surgiram com a abertura do sigilo telefônico dos familiares do casal Villela. Durante todo o dia, os 11 prestaram esclarecimentos a três delegados que trabalham na unidade policial que investiga o caso.

A delegada-chefe da unidade, Marta Vargas, e equipes de investigadores fizeram diligências para checar denúncias recebidas pelo telefone 197 depois que as fotos das joias levadas durante o crime foram divulgadas pela imprensa na quarta-feira. Desde então, a polícia recebeu mais de 50 ligações referentes ao triplo homicídio e à localização das peças. Os agentes esperam chegar aos receptadores dos itens e, a partir deles, rastrear os assassinos — seja pela confirmação de que os autores são os que estão presos, seja pela identificação de outras pessoas.

Por volta das 20h, Martha Vargas voltou à delegacia acompanhada de um agente e de um homem que seria uma testemunha. O carro em que estavam veio escoltado por outra equipe de policiais do distrito. Ao sair, às 22h, a delegada conduziu em seu carro oficial uma mulher. Enquanto isso, a outra testemunha foi transportada em outro veículo por dois agentes.

Outras acusações
Os dois homens suspeitos de envolvimento no triplo homicídio — identificados como D. e A. — são mantidos presos por outros crimes. D. foi flagrado em um carro roubado e é acusado de pistolagem, clonagem de veículos e de fazer parte de um grupo de extermínio ligado a uma facção criminosa de São Paulo. A. participaria do esquema de roubo de carros. Os dois são primos. A polícia busca evidências que comprovem as suspeitas para indiciar a dupla pelo crime da 113 Sul.

O número 197: Número do Disque-Denúncia da Polícia Civil. As pessoas não precisam se identificar no telefonema

Original em: http://www.correiobraziliense.com.br

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BHTrans descarta intervenção

Na tarde de quinta, caminhão atingiu 17 veículos e deixou 30 pessoas feridas

A instalação de um radar no declive da avenida Senhora do Carmo, no trecho onde um caminhão desgovernado atingiu anteontem 17 veículos e deixou 30 pessoas feridas, é uma das ações apontadas pela Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) para diminuir o risco de acidentes. Colisões com veículos de carga no local costumam ser trágicas, pois geralmente ocorrem em trechos congestionados – 85 mil veículos circulam na via por dia. O radar, previsto para entrar em operação em janeiro, inibiria os caminhoneiros mais apressados.

Uma medida mais drástica é a proibição da carga e descarga nos horários de pico, que entra em vigor na Senhora do Carmo somente em 2011. Pressionado para dar uma resposta imediata ao problema, o diretor de ação regional e operação da BHTrans, Edson Amorim, alegou que as mudanças são gradativas e que elas estavam previstas antes do acidente. “Não é porque aconteceu um acidente que tem-se que mudar tudo de uma vez. O acidente poderia ter sido evitado com uma cautela maior do motorista”, afirmou Amorim.

O processo de aquisição do radar (dentro de um pacote de licitação de outros 52 equipamentos) está em fase de análise das propostas das empresas interessadas em gerenciar os aparelhos. Já a restrição de circulação dos caminhões visa a melhoria do fluxo de veículos nos horários de pico. A medida já está em vigor em áreas do hipercentro.

Segundo Amorim, a Senhora do Carmo conta com uma boa sinalização. “A população também tem que se conscientizar e entender que precisa respeitar a sinalização”, diz.

Velocidade

A Polícia Civil investiga se o caminhão que arrastou motos, ônibus e carros anteontem na avenida estava acima da velocidade permitida (60 km/h). Na perícia realizada ontem pelo Instituto de Criminalística, foram analisados o tacógrafo – que registra o histórico da velocidade – e a parte mecânica. Se houver alguma irregularidade, o caminhoneiro, que alegou ter perdido os freios, pode perder a carteira de habilitação e responder por lesão corporal culposa, ou seja, sem intenção (desde que alguma vítima o acione na Justiça).

A polícia também quer saber se o veículo tinha excesso de carga e se alguma outra irregularidade pode ter contribuído com o acidente. De acordo com a delegada Cláudia Nacif, da Delegacia de Acidente de Veículos, o depoimento do caminhoneiro, que estava internado no Pronto-Socorro João XXIII ontem, só será colhido quando ele receber alta. “Ele poderá ser enquadrado por lesão corporal culposa e punido de seis meses a dois anos de detenção”, explica a delegada.

Sobrecarga pode levar à falha nos freios

Segundo especialistas, veículos de carga sobrecarregados forçam o sistema de freios do veículo, e a falta de revisão e manutenção potencializam o risco de acidentes. A fadiga térmica do sistema de freios pode levar à perda da aderência das lonas de freios, quando estas atingem temperaturas entre 350ºC e 400ºC. Em consequência disso, as rodas podem também travar e levar a uma frenagem brusca.

Velocidade

O uso do tacógrafo é determinado pelo Código de Trânsito Brasileiro. O equipamento é obrigatório em veículos de transporte e de condução escolar, os de transporte de passageiros com mais de dez lugares e os de carga com peso bruto total superior a 4.536 kg. No entanto, conforme a Polícia Civil, o código não determina que este seja vistoriado periodicamente.

O projeto que regulamenta a inspeção está parada no Congresso desde 2001. A vistoria contemplaria a análise das reais condições dos itens de segurança, do controle das emissões de gases poluentes e do ruído da frota de carros, ônibus, motos e caminhões.

Ocorrência

Por causa do número de vítimas, o boletim de ocorrência da PM sobre o acidente na Senhora do Carmo tem 42 páginas. (RR)

Original em: http://www.otempo.com.br

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“Não existe crime perfeito”

A entrevista da semana é com o representante da Unidade Regional de Perícias e Identificação de Três Lagoas, o perito criminal Milton César Fúrio.
Com 37 anos, natural de Pacaembú (SP), Fúrio se formou em Farmácia Bioquímica e quando assumiu a perícia local foi estimulado a cursar Direito. “A profissão é muito abrangente, temos que conhecer de tudo um pouco”, destacou. Ele afirma que sua mãe só tem filhos peritos. O mais velho trabalha em Dracena (SP) e o mais novo trabalha em Sinop (MT). Fúrio começou o trabalho na Perícia de Três Lagoas há nove anos. Para ele não existe crime perfeito, tudo depende do grupo que está envolvido com a investigação. Já trabalhou em soluções de crimes complexos como o assassinato do ex-prefeito Miguel Tabox e atualmente trabalha no caso do assassinato do jovem Conrado Buratto. “Este último caso também é complexo, mas muito em breve chegaremos à autoria”, afirmou.

Com 37 anos, natural de Pacaembú (SP), Fúrio se formou em Farmácia Bioquímica e quando assumiu a perícia local foi estimulado a cursar Direito

Jornal do Povo: Qual é a função da Perícia Criminal?

Milton César Fúrio: A função da perícia se divide em três elementos básicos. A primeira é verificar a ocorrência ou não do fato. A segunda é materializar aquilo, ou seja, o que ocorreu, como ocorreu, quando ocorreu. A terceira é quando se possível apontar a autoria e falar “quem cometeu esse crime foi fulano de tal”. Tudo isso para fazer um laudo pericial e encaminhar para o Fórum para ser apreciado pelo juiz. A gente trabalha quando ocorre crime, para materializar crime. Acidente de trânsito que não há vítima não há perícia. A função do perito criminal é buscar a atividade delitiva. Trabalho diretamente com o Judiciário, posso receber requisição direto do juiz, da defensoria pública, e da polícia. A confecção de requisição não é vinculada somente à polícia, é bem mais abrangente.

JP: Qual a situação da perícia em Três Lagoas?

Fúrio: A situação é antes de 15 de outubro e depois de 15 de outubro [chegada de quatro novos peritos e três médicos legista, antes havia apenas dois peritos e um médico legista]. Agora eu posso fazer uma escala constitucional. Poderemos trabalhar do jeito que o Código do Processo Penal preconiza, cumprindo prazos e fazendo atendimentos aos locais. Antes disso não havia pessoal, a atividade era bem debilitada, os prazos não eram cumpridos. Havia muitas ocorrências e acabava que não conseguíamos atender a todas.

JP: A situação relativa aos Recursos Humanos foi suprida. E como está a Perícia local com relação a Recursos Materiais?

Fúrio: Recursos materiais nós temos projeto. A construção da Unidade Regional de Perícias e Identificação e do novo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL). Com pouco mais 300 metros quadrados, a previsão da Agesul aponta que em agosto do próximo ano já teremos a unidade construída. A obra está em processo de licitação.

JP: Relate uma atividade pericial mais intrigante.

Fúrio: No caso do assassinato do Miguel Tabox a perícia foi fundamental, fizemos aproximadamente uns cinco trabalhos periciais. Teve degravação [extrair de áudio arquivos que foram gravados], exame mecanográfico [constatar se um bilhete realmente foi escrito numa determinada máquina de escrever], teve o local em si que deu para constatarmos bastante coisa. Geralmente num crime dessa natureza há quatro ou cinco perícias. No caso, a esposa do Miguel Tabox em conluio com o advogado do próprio marido e o filho do advogado armaram o assassinato. Contrataram dois pistoleiros para assassinar o Miguel. Este foi um caso complexo.
O mais recente foi o assassinato do Conrado e estamos usando praticamente a mesma linha do caso Miguel Tabox, ligando uma informação com outra. O trabalho da perícia é baseado em evidências para chegarmos à prova material. A prova material está sendo buscada, o celular dele está conosco, o computador também está em posse da perícia. Já fizemos local, temos projétil. Algumas informações já surgiram. A autoria vai aparecer muito em breve. É um caso complexo. O computador dele foi encaminhado para a Capital e o exame não voltou ainda. As senhas de msn, e-mail e orkut devem ser quebradas. Temos que pedir quebra de sigilo eletrônico para as operadoras dos aplicativos. Sabemos que ele usava muito o Msn, se caso aparecer algum desafeto ou algo que remeta a alguma discussão, Campo Grande mandará no laudo os nomes e essas pessoas serão investigadas. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) fará o meio de campo neste processo. A perícia na maioria das vezes não faz o trabalho sozinha e sim com um grupo de pessoas.

JP: Alguns exames essenciais são mandados para central em Campo Grande. O que dá para se fazer diretamente em Três Lagoas?

Fúrio: Aqui nós fazemos o local e o que vai aparecendo. Informações que vinculem a uma pessoa local. Para Campo Grande mandamos exames específicos como exame de balística [caminho do projétil até a chegada no corpo da vítima e a arma que foi utilizada], aqui não há equipamento para isso. Não seria viável a confecção desses exames em Três Lagoas. O volume é pequeno e o custo dos equipamentos é muito alto. Por isso tais exames se concentram na Capital. São vários setores: o de balística forense, o de perícias especiais [para onde foi mandado o computador do Conrado], laboratórios forenses de DNA. Já tivemos vários casos que a prova surgiu pelo DNA.

JP: Quais os fatores mais importantes para um trabalho pericial eficiente?

Fúrio: O mais importante de tudo é a preservação do local do crime, a população deve se atentar a isso. Se preservarem direitinho vão ter a resposta que esperam. Um monte de coisas que poderíamos levantar perdemos, porque a população não entende essa necessidade. A coisa mais simples do mundo é você pisar numa cápsula de munição num local de crime, na terra, por exemplo, pisou não acha mais. Dá um trabalho danado ter que peneirar uns dois ou três metros cúbicos de terra para achar a prova do crime.
Uma mecha de cabelo, uma digital, uma gota de sangue ou uma arma elucida um caso. Um indivíduo chega ao local e pega na arma, destrói a digital e fica marcada a dele que não tem nada a ver com o crime. Para vítimas de estupros aconselhamos comparecer à delegacia o mais rápido possível, sem tomar banho nem trocar de roupa. No novo prédio vamos ter uma ala específica para o atendimento a esse tipo de vítima.

JP: Qual o maior número de casos atendidos pela perícia local?

Fúrio: O que mais ocorre é furtos e arrombamentos. Toda vez que isso acontece é solicitado um laudo pericial. Registramos mensalmente em torno de 60 furtos. É o que mais toma tempo. Antigamente como não dava tempo selecionávamos os casos mais graves, agora com o aumento do contingente vamos materializar tudo. Se formos analisar os homicídios, estatisticamente parecem poucos, mas com relação aos habitantes estamos batendo a fronteira. A maioria dos homicídios ocorridos na cidade envolve pessoas com vida pregressa relacionada ao tráfico de drogas, formação de quadrilha e roubo. Raros casos fogem dessa realidade.

JP: O que a função lhe acrescentou na vida pessoal?

Fúrio: Muito conhecimento nas mais diversas áreas, é uma profissão muito abrangente. Trabalhamos na área de engenharia, na área química e jurídica. Tanto que, quando comecei a trabalhar era farmacêutico bioquímico e fui fazer Direito. Em casa todo mundo é perito: eu e mais dois irmãos. Um foi puxando o outro, sou o do meio. Minha mãe só tem filhos peritos. O mais velho trabalha em Dracena (SP) e o mais novo trabalha em Sinop (MT).

JP: Existe crime sem solução?

Fúrio: Depende de quem está envolvido com aquela investigação. Dificilmente. Para mim não há crime perfeito. O índice de soluções em Três Lagoas por parte da Perícia tem sido bastante satisfatório. Para se trabalhar no apontamento de autoria temos que ser multidisciplinar. Muita coisa que materializamos nasceu de uma investigação. Também há vários casos de investigação que partiram de coisas que materializamos. Qualquer detalhe pode ser uma evidência. Absolutamente nada e nenhuma hipótese é descartada.

Original em: http://www.jptl.com.br

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