Bebê baleado no colo da mãe no Rio se recupera bem

A menina de 11 meses, atingida por um tiro quando estava no colo de sua mãe na favela Kelsons, na Penha, zona norte do Rio, se recupera bem do ferimento nesta segunda-feira, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. A mãe também foi baleada, mas não resistiu ao ferimento e morreu na noite de domingo (25).

A secretaria ainda afirmou que o bebê foi atingido no braço e permanece internado em estado grave, porém estável. A menina foi operada no final da noite de ontem, mas os médicos ainda aguardam a evolução do quadro para saber se será necessária uma nova cirurgia.

Ana Cristina Costa do Nascimento, 24, foi atingida nas costas por uma bala perdida na noite do domingo quando deixava a comunidade com mais seis pessoas, entre elas o marido e as filhas de 11 meses e três anos. Segundo familiares, que não quiseram se identificar, não houve troca de tiros e somente os policiais efetuaram os disparos, a esmo, em uma das entradas da favela.

A Polícia Militar disse que ocupantes de uma moto atiraram contra uma base da PM no momento em que as vítimas foram atingidas. A polícia afirma também que não revidou, mas quatro policias que estavam no local foram afastados do trabalho para investigação.

Apreensão

O delegado da 22ª DP (Penha), Felipe Ettore, disse que está investigando as possibilidades de os tiros terem partido de armas de policiais.

O delegado afirmou que vai aguardar o laudo do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) de três fuzis e quatro pistolas que estavam com os PMs para saber qual o calibre da bala que atingiu as vítimas. Ettore ainda disse que não vai divulgar detalhes sobre o caso para não atrapalhar as investigações.

Enterro

Cerca de 200 pessoas, entre familiares e amigos, compareceram ao enterro. A mãe da vítima, Maria Conceição Costa do Nascimento, estava bastante emocionada e chegou a passar mal.

“Acabaram com a vida da minha filha. Ela era tão nova, não sei como será daqui pra frente”, disse, chorando. A irmã mais velha de Ana Cristina também passou mal e nem chegou a participar do enterro.

Ana Cristina era moradora de Vista Alegre, também na zona norte, e estava na comunidade visitando a irmã mais velha. Seu marido, Anilton César Matos, 24, que trabalha como auxiliar de almoxarifado, afirma que o carro da PM atendeu sua mulher somente após ele começar a gritar. Ana Cristina foi atendida no hospital estadual Getúlio Vargas, também na Penha, mas não resistiu.

Durante a cerimônia, familiares gritaram, em coro: “só queremos justiça”. Moradores da comunidade também levaram cartazes para protestar contra a ação da polícia em comunidades carentes.

“A gente quer mostrar que não existe só bandido na comunidade. A gente tem direito de ir e vir, de visitar parentes. Quantos inocentes precisarão morrer?”, dizia um dos cartazes.

Original em: http://www.diariodopara.com.br

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