Preso um dos suspeitos pelo assassinato de coordenador do AfroReggae

Rui Mário, um dos acusados pelo assassinato do coordenador do AfroReggae é preso e levado para a 1ª DP (Praça Mauá) -  Foto: Fernando Quevedo - O Globo

RIO – Policiais militares do serviço de inteligência prenderam na noite desta segunda-feira, na Zona Portuária, Rui Mário, conhecido como Romarinho, um dos acusados pelo assassinato do coordenador do AfroReggae Evandro João da Silva, na madrugada do domingo passado, no Centro da cidade. A ocorrência foi registrada na 1ª DP (Praça Mauá). De acordo com a PM, ele seria morador de um prédio abandonado no Centro.

Segundo o Serviço Reservado da corporação (P2), que efetuou a prisão, Romarinho foi preso por volta das 21h. O comandante do P2, tenente-coronel Hugo Freire, disse que o bandido chegou a confessar a participação no assalto, mas acusou o comparsa, que ainda está sendo procurado pela polícia, de ter atirado na vítima. Freire disse ainda que Romarinho confirmou ter sido abordado pelos policiais e alegou ter sido liberado porque já não tinha nada em mãos – ao ver a aproximação da polícia, livrou-se dos objetos roubados, jogando-os na rua.

O comandante-geral da PM, coronel Mario Sérgio Duarte, foi para a delegacia assim que soube da prisão. Ele fez questão de destacar que ela só foi possível graças à parceria entre a PM e a Polícia Civil durante a investigação. Disse ainda que a prisão do outro bandido que participou da ação está próxima:

– Esta prisão é muito importante. Ela não devolve a vida de Evandro, mas é um consolo para a família, para os amigos e para a própria PM, além de representar tranquilidade para a população – afirmou.

O comandante Hugo, por dua vez, disse que a prisão do suspeito era “uma questão de honra” para ao Estado.

– Essa resposta foi dada pelo estado, que teve a PM, a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF-Norte) e a 1ª DP trabalhando no caso. Agora vamos trabalhar para pegar o outro bandido.
Emocionado, o coordenador-executivo do AfroReggae, José Júnior, agradeceu à polícia e disse ter sonhado com a prisão:

– Estou muito feliz. Agradeço ao Coronel Mário Sérgio, que empenhou sua palavra, ao coronel Freire, que efetuou a prisão,e à polícia Civil. Num curto espaço de tempo a polícia deu uma resposta. Por isso, acredito que a gente pode ter uma cidade melhor.

O delegado da 1ª DP, José Luiz Duarte, disse que vai pedir, ainda nesta madrugada, a prisão temporária do bandido no plantão do TJ-RJ.

O coordenador de Projetos Sociais do AfroReggae, Evandro João da Silva,foi assassinado na madrugada do domingo retrasado após um assalto no Centro, em que teve a jaqueta e o par de tênis roubados. Câmeras flagraram a jaqueta e os tênis sendo colocados numa Blazer da PM pelo capitão Dennys Nogueira Bizarro, que estava acompanhado do cabo Marcos de Oliveira Sales. Evandro morreu baleado sem receber socorro dos policiais. A jaqueta e o par de tênis estão desaparecidos. O delegado José Luiz Duarte espera a conclusão do exame de balística da arma encontrada numa lixeira próxima ao local do crime para compará-lo com a bala extraída do corpo de Evandro. Um dos exames já revelou que não há impressões digitais suficientes para identificar o usuário do revólver calibre 38. Há indícios de que os assaltantes, já identificados, sejam do Morro da Providência.

Na sexta-feira, a Justiça já havia decretado a prisão prisão preventiva do cabo Marcos de Oliveira Sales e do capitão Dennys Leonard Nogueira Bizarro. Os policiais foram transferidos para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica.

José Júnior, esteve com o homem que acompanhava Evandro na noite do assalto. Identificado apenas como Cláudio, ele disse que foi o primeiro a chegar na esquina da Rua Carmo com Ouvidor. Cláudio contou que viu o amigo cinco minutos após ele ser baleado, ficou desesperado e tentou se aproximar, mas um policial o impediu, o que é mais um indício de que houve omissão de socorro.

De acordo com Júnior, Cláudio não soube identificar o PM. Na conversa, ele disse que os dois estavam indo de carro para a boate Dito e Feito, que fica próximo ao local do crime, quando o Evandro pediu a Cláudio que o deixasse na esquina da Rua do Carmo com a do Ouvidor, porque precisava urinar. Cláudio combinou que ia estacionar o carro e esperar Evandro na porta da boate.

– O Cláudio me disse que ouviu um barulho de tiro e esperou cerca de cinco minutos. Como o Evandro não chegava, decidiu procurá-lo nas ruas próximas, que estavam escuras. Assim que chegou ao local onde estava Evandro, viu um PM que não o deixou mexer no corpo. Cláudio também viu a ambulância chegar cerca de uma hora depois do horário do assalto – contou José Júnior.

Original em: http://oglobo.globo.com

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