Peritos deixam presídio após coletar material genético de pai de Isabella

Em seguida, equipe seguiu para prisão onde está Anna Carolina Jatobá.
Material será comparado com sangue recolhido à época do crime.

Foto: Reprodução/Agência O Globo

Isabella Nardoni, que morreu em março do ano passado

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) coletaram na manhã desta sexta-feira (6), em um presídio em Tremembé, a 147 km de São Paulo, material genético de Alexandre Nardoni, acusado de matar a filha, Isabella Nardoni, em março do ano passado. A informação é do promotor do caso, Francisco Cembranelli, que presenciou a coleta.
Agora, a equipe do IC segue para a penitenciária feminina na mesma cidade, onde será coletado material de Anna Carolina Jatobá, mulher de Alexandre e também acusada de matar Isabella.

A decisão pela coleta é do juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de São Paulo. O promotor Cembranelli, o pai de Alexandre, Antônio Nardoni, e dois advogados da equipe de Roberto Podval, que defende o casal, também foram a Tremembé.

De acordo com a decisão do juiz, caso eles se recusem a fornecer sangue, foi determinado que os peritos recolham duas amostras de material genético, como mucosa da parte interna da boca ou bulbo capilar.

O material será comparado com amostras de sangue recolhidas à época do crime – que seriam do próprio casal – e preservadas pelos institutos.

Defesa

O pedido de coleta partiu dos próprios defensores do casal. Os advogados querem verificar a origem do sangue depositado no Instituto de Criminalística. Podval esclareceu, entretanto, que não quer que sejam retiradas amostras de sangue de seus clientes. Ele prefere que seja retirado material genético da mucosa da boca ou do cabelo.

Original em: http://g1.globo.com

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Os Nardoni fazem exame

O casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, acusado de matar, em março do ano passado, a menina Isabella Nardoni, se recusou ontem a fornecer amostras de sangue à equipe de peritos do Instituto de Criminalística (IC), conforme havia determinado o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de São Paulo.

Ambos estão presos em penitenciárias localizadas em Tremembé, a 135 quilômetros de São Paulo. O advogado de defesa do casal, Roberto Podval, disse que foram recolhidas apenas amostras de cabelo e da mucosa bucal. O resultado do exame de DNA servirá para comprovar se amostras de sangue que se encontram no IC, recolhidas à época do crime, são ou não de Alexandre e Ana Carolina.

O julgamento deverá ser definido até o final deste mês, segundo o promotor Francisco Cembranelli. Podval disse que há questões a esclarecer.

Original em: http://www.clicrbs.com.br

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Julgamento do ex-cabo Everaldo pode seguir até o fim da tarde deste sábado

Teve início, na manhã deste sábado (7) o julgamento do ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos, mais conhecido como Cabo Everaldo ou “Amarelo”. Everaldo é acusado de ser executor do duplo homicídio que vitimou, em 1991, o delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa, e seu motorista particular, Antenor Carlota da Silva.

Apesar de o julgamento ocorrer à revelia – sem a presença do réu, que está foragido desde 1993 – o representante legal do Cabo Everaldo, Givan de Lisboa Soares, está presente à sessão que segue todos os trâmites legais e ocorre de maneira natural, segundo ditames do novo Código Penal Brasileiro. Soares se diz confiante e aposta na absolvição de seu cliente: “A absolvição é a mais forte possibilidade para este caso. Não existem provas contra o meu cliente, o que existem são falácias e especulações”, afirmou. Apesar de toda confiança, o advogado admitiu que no caso de uma condenação vai aconselhar seu cliente a se entregar: “A vida de foragido não é fácil e a melhor saída no caso da condenação é que ele se apresente, pois a partir daí poderá, no tempo determinado, gozar de todos os benefícios legais como progressão de pena, regime semi-aberto, visita da família, banho de sol etc.”.

A linha de defesa que o advogado irá seguir se baseia na prova técnica – laudo pericial feito por policiais especialistas em São Paulo e emitido pela UNICAMP – e em prova testemunhal: “O José Dantas, que estava no carro do Ricardo Lessa no momento do assassinato não reconhece meu cliente como autor dos disparos”, alega a defesa. “O laudo de São Paulo também afirma que não há semelhanças entre o DNA encontrado em fios de cabelo num chapéu abandonado na cena do crime com as informações genéticas do meu cliente. Por isso estou confiante na absolvição”, emenda Soares.

O argumento do promotor do caso, José Antonio Malta Marques, também se baseia em laudo pericial, mas este, confeccionado por profissionais do Instituto de Criminalística (IC) de Alagoas: “O laudo do IC não constatou discordância significativas entre o material genético colhido na cena do crime e o do acusado, o que não nos permite afastar a possibilidade de autoria para os acusados”, justifica. Malta, assim como seu oponente no julgamento, está confiante, porém na condenação por duplo homicídio qualificado: “O homicídio qualificado prevê de 12 a 30 anos de detenção e estamos apostando nessa sentença”. Caso o réu seja absolvido há a possibilidade da acusação recorrer, mas o promotor afirmou que o crime ainda pode prescrever nesse intervalo. No caso de condenação a defesa também pode recorrer.

O juiz Geraldo Amorim declarou que apesar desse ser um caso de repercussão na mídia, tudo vai seguir os trâmites normais, sem nenhuma alteração. É a primeira experiência na carreira jurídica dele com os réus ausentes: “Apesar disso a questão de não estarem presentes não interfere em nada”, alegou. Amorim informou ainda que defesa e acusação terão, cada uma, três horas para se manifestar. O caso demanda júri popular, são nove jurados, e a sentença final deve sair ainda no final da tarde deste sábado.

Além do Cabo Everaldo, é réu ainda pela mesma acusação o ex-cabo Cícero Felizardo, o Cição, que também se encontra foragido. Ambos têm o mesmo advogado de defesa. O julgamento fez parte do Mutirão das 7ª e 9ª Varas Criminais da Capital e seguiu a Meta 2 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que visa solucionar os processos distribuídos até dezembro de 2005 em todas as unidades judiciárias do país.

Gangue Fardada

Uma das acusações que pesam sobre o Cabo Everaldo, e tem envolvimento direto com o assassinato do delegado Ricardo Lessa, é a de ter feito parte da Gangue Fardada, como ficou conhecida uma organização criminosa que atuou em Alagoas sob o comando de figuras políticas poderosas. Aos seus integrantes são atribuídos os mais diversos dolos: assassinato, sequestro, extorsão, assalto a banco, roubo de cargas, entre outros delitos.

Crimes de encomenda seriam executados por policiais como forma de repressão a quem tentasse impedir os interesses políticos dos mandantes da Gangue Fardada. Entre os envolvidos estão ainda o ex-coronel Manoel Francisco Cavalcante, tenente Silva Filho, cabo Cícero Felizardo (Cição) e cabo Daniel de Oliveira.

Assim que soube da articulação criminosa, em, 1991, Ricardo Lessa teria mandado um recado ao então coronel Cavalcante. Pouco tempo depois veio à reação: o delegado foi metralhado praticamente na porta de casa quando se dirigia a seu automóvel. A ação também vitimou o motorista de Lessa. O duplo homicídio que chocou o país atraiu grandes órgãos da imprensa nacional.

A repercussão do caso

Apesar do assassinato do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), ter tido grande repercussão à época no Estado, foi através de outro crime que a figura do Cabo Everaldo chegou ao conhecimento nacional.

Desde que saiu de Alagoas, supostamente para não pagar pelos crimes atribuídos a ele, o destino de Cabo Everaldo era desconhecido e apenas com a tragédia que envolveu sua filha Eloá, mantida em cárcere privado e morta em 2008 pelo namorado, ele pôde ser identificado através de imagens veiculadas nas emissoras de televisão. O ex-militar, que usava a identidade de Aldo José da Silva, mudou-se com a família para a cidade de Santo André, no ABC Paulista, e levava uma vida acima de qualquer suspeita.

Ciente da localização do foragido após o assassinato de Eloá, as Polícias Civis de Alagoas e de São Paulo trabalharam conjuntamente com objetivo de capturar o foragido, mas ele conseguiu fugir outra vez e mesmo depois de muitas especulações até hoje não se sabe do seu paradeiro.

Vasta ficha criminal

Além dos assassinatos de Ricardo Lessa e de seu motorista, Cabo Everaldo é acusado de ser o executor de pelo menos mais três homicídios, entre eles o da ex-mulher, que envolveu requintes de crueldade. Marta Lúcia, que foi casada com Everaldo, desapareceu e quando o corpo foi encontrado estava serrado ao meio. A cabeça foi carbonizada e o cadáver apresentava sinais de enforcamento, segundo as irmãs da vítima, Rita de Cássia e Claudilene Vieira. Na época, o ex-militar ainda morava em Maceió.

Já em 1989 na cidade de Palmares (PE), o assassinato do advogado José Vollemberg Ferreira também é atribuído a Everaldo e mais dois comparsas: João Gabriel e Cição. O crime teria sido outra “encomenda” feita por desavenças da vítima.

Também em 1989, Cabo Everaldo teria executado Amaro Braz, vereador de Japaratinga, quando ele se encontrava em Maragogi, onde tinha residência. O mandante do homicídio seria o suplente Miúdo de Japaratinga.

Original em: http://www.alemtemporeal.com.br

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Acusados de latrocínio em Delta foram presos pela Polícia Civil

A prisão aconteceu na tarde de ontem, quando, após levantamentos, policiais militares comandados pelo tenente Dolinsk e detetives da Delegacia de Homicídios composta pelos policiais Ismar, Eliene e Zaidan compareceram a uma residência em Delta e, após conversa com o pai de uma menor suspeita, ele confessou que a garota de 15 anos agiu em companhia de seu namorado de 17 anos. Os policiais realizaram rastreamentos e localizaram o casal em uma residência na cidade de Igarapava (SP). Após questionamentos, a jovem confessou o crime e disse que conhecia o verdureiro Aílton Higino Cardoso, 57 anos, e que ele sempre mexia com ela, que relatou que estava precisando de dinheiro e combinou o crime com o jovem e mais dois amigos. Ela atraiu a vítima, que deu uma carona e, quando eles pararam no canavial, os acusados chegaram, espancaram o verdureiro com pedaços de madeira e o mataram com golpes de facão. Os policias prenderam mais dois envolvidos que estavam em uma lan house e o acusado Rogério Diniz dos Santos, 19 anos, em sua residência.
Eles foram levados para a delegacia de Delta, onde prestaram depoimentos.
O crime – Aconteceu quando trabalhadores rurais passaram por uma estrada vicinal que fica na rua 14, que faz a ligação da ponte velha do Rio Grande, e avistaram um homem caído ao solo, com uma perfuração na cabeça, e acionaram a PM.
Viatura da PM compareceu ao canavial e foi constatado o óbito. Os policiais observaram que o veículo da vítima GM D-10 de cor cinza, com placas BKT-0299 da cidade de São Joaquim da Barra (SP), estava parado no meio da cana, ligado com as chaves no contato e seus pertences estavam revirados ao lado da caminhonete.
O perito criminal Rubens Arley de Almeida compareceu ao local e, ao realizar os trabalhos técnicos, localizou pedaços de madeira e bastões que foram utilizados para espancar Aílton, que foi morto com golpes de podão ou facão.
Os dois menores foram encaminhados à Vara de Infância e Juventude e o acusado de participação Rogério Diniz dos Santos foi preso e levado para uma das celas da penitenciária Aluísio Ignácio de Oliveira. (JC)

Original em: http://www.jornaldeuberaba.com.br

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Exame preliminar aponta afogamento de estudante

Resultados preliminares divulgados pela 3° CP (Bonfim), nesta sexta, apontam que a estudante Jéssica Silva de Araújo, 11, encontrada morta na piscina do Clube dos Oficiais da PM, morreu por asfixia em decorrência de afogamento. A delegada Celina Fernandes revelou que Jéssica teria falecido havia pelo menos 18 horas antes do horário em que foi encontrada na piscina, às 14h da quinta-feira.

Jéssica sumiu na tarde de quarta, quando eram realizadas as Olimpíadas Escolares do Colégio da PM, localizado na mesma quadra, em Dendezeiros. Ela competiria numa prova de natação, mas teria ficado com medo de entrar na água e se distanciado, permanecendo desaparecida por cerca de 24h. Parentes dela e funcionários do clube dizem ter vistoriado a piscina horas após o desaparecimento.
“Aparentemente, não havia sinais de violência física. O laudo final deve sair em dez dias. Investigamos todas as possibilidades e o perfil psicológico da menina, principalmente no dia do acidente”, afirma Celina. Ela solicitou à PM a relação dos instrutores de natação para que prestem depoimento. Até a noite desta sexta, os nomes ainda não haviam sidos enviados.
Os dois estudantes que encontraram o corpo foram intimados a depor. Na tarde desta sexta, um deles foi ouvido. A delegada disse que o relato confirmou o que já era conhecido: “A aluna passava com o colega e percebeu o corpo na água, com maiô verde e short azul. Ela logo associou ao desaparecimento de Jéssica”

Piscina – Também nesta sexta, peritos fizeram a reconstituição na piscina, cuja profundidade chega a 3,40m. Um boneco, aparentemente do mesmo tamanho de Jéssica, foi levado, mas não foi usado pelos peritos.
“Levamos um boneco improvisado para testar a visibilidade, mas não foi possível fazer o que a gente queria. Vamos tentar novamente”, disse a delegada. O protótipo flutuaria, caso fosse jogado na água, mas não foi possível providenciar um fardamento semelhante ao da vítima.
O perito criminal Lázaro Barreto afirmou que, no final da tarde de quarta, quando foi notado o desaparecimento, “a água estava escura e o fundo da piscina não era visto”. Para ele, “também é preciso verificar se houve alguma mudança na coloração da água”.
Pouco depois do desaparecimento, o diretor do colégio, o cel. PM Francisco Leite, garantiu que a piscina havia sido vistoriada e que Jéssica não estava nas dependências do clube, que havia 16 profissionais e 30 alunos na competição. De acordo com ele, uma segunda vistoria foi descartada pois estudantes disseram ter visto a garota sair do clube.
Tanto o colégio como o clube permaneceram fechados durante todo o dia de sexta-feira. As aulas foram suspensas e um policial fazia a vigilância. Funcionários entravam e saíam com autorização da guarita. No clube, só foi permitida a entrada de peritos para a reconstituição, por volta das 15h30, aproximadamente o mesmo horário em que Jéssica foi encontrada.

Original em: http://www.atarde.com.br

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Casal Nardoni se nega a ceder amostras de sangue a peritos

Casal Nardoni é visto em fotografia produzida em 13 de abril de 2008 Foto: Grizar Junior/Futura Press

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá não aceitaram a retirada de amostras de seu sangue para a análise do DNA. Por isso, os técnicos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) promoveram a coleta de fios de cabelo e de saliva do casal. Do material coletado, será extraído o DNA para a realização de exames comparativos. Também presente na coleta do material, o promotor Francisco Cembranelli disse que a medida, solicitada pela defesa do casal, não deve afetar em nada os trabalhos da acusação.
“A acusação não foi baseada em amostras de sangue. Estou aqui por determinação da Justiça”, disse. O promotor avalia que ainda este mês deve ser definida a data do julgamento de Alexandre e Anna Carolina no Tribunal do Júri.
O advogado Antonio Nardoni, pai de Alexandre, chegou por volta das 9h50 à P-2 (Penitenciária Dr. Augusto César Salgado) de Tremembé acompanhado pelo promotor Francisco Cembranelli. Eles ainda tiveram que esperar por cerca de meia hora até a chegada das equipes do IML (Instituto Médico Legal) e do IC (Instituto de Criminalística).
Durante cerca de duas horas, os profissionais do instituto, promotor e o pai de Alexandre permaneceram no interior da penitenciária. Em seguida, todos se dirigiram à Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, também em Tremembé, onde está presa Anna Carolina Jatobá. Eles chegaram ao local às 12h30.
O juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri do Fórum de Santana, em São Paulo, determinou a realização de um novo exame no sangue encontrado no apartamento do casal. A determinação do magistrado atende parcialmente ao pedido do advogado Roberto Podval. O defensor alega que não foi feita a coleta de sangue do casal na época das investigações.
Fossen determinou, no entanto, que a coleta seja feita por peritos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML), e não por especialistas apontados pela defesa dos réus.
Apesar da determinação, o juiz afirmou que não entende ser necessária a realização de um novo exame, mas disse ser evidente que a comparação de “‘sangue’ com ‘sangue’ permite uma maior precisão no resultado a ser obtido”.
Relembre o caso
Isabella Nardoni, 5 anos, foi encontrada ferida no dia 29 de março no jardim do prédio onde moram o pai e a madrasta, na zona norte de São Paulo. Segundo os Bombeiros, a menina chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 0h.
O inquérito policial apontou que ela foi agredida, asfixiada e jogada do sexto andar do edifício. Os supostos responsáveis irão a júri popular no começo de 2010.

Original em: http://noticias.terra.com.br

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“Minha vida virou um inferno”

Os três policiais afastados das funções, acusados de torturar presos, apontam que a denúncia é uma “farsa” montada pelo chefe da Polícia Civil, Luiz Carlos Dantas

Delegada Alexandra Medeiros foi afastada da função pelo secretário Roberto Monteiro, que também exonerou o delegado Cavalcante(Foto: DÁRIO GABRIEL)

Numa entrevista coletiva bastante concorrida, ontem pela manhã, na sede do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Sindepol), a delegada Alexandra Medeiros não poupou palavras e acusações ao superintendente da instituição, Luiz Carlos Dantas: “O que acontecer com minha família ou qualquer um de nós, eu responsabilizo o Dantas. Toda essa trama foi armada por ele para que a gente se afastasse das investigações“.

Alexandra, o marido Fernando Cavalcante (inspetor) e o irmão dele, delegado Francisco Cavalcante, foram afastados das funções policiais, após terem sido apontados em suspeita de tortura a presos de uma quadrilha que teria cometido, em agosto, um atentado contra a família da delegada. O grupo foi preso na semana passada e denunciou a suposta sessão de agressões. Revelação só seis dias após a prisão.

A investigação sobre a morte de um exportador lagosteiro, ocorrida em 2004, que desde julho tem a participação de Alexandra, seria um dos elos de todo o entrevero. Dantas estaria citado na investigação, que corre sob segredo de justiça. Membros da quadrilha presa seriam próximos a gente envolvida com o Caso Lagosteiro. “Minha vida se transformou num inferno“, diz a policial.

A delegada, o marido e o cunhado cobram tratamento igual da Secretaria da Segurança. Pedem o afastamento de Dantas para que a apuração tenha lisura e isenção. O superintendente, ontem, divulgou apenas nota oficial e não quis mais uma vez falar sobre o episódio. A seguir, trechos da coletiva. (Colaborou Diego Lage)

CASO LAGOSTEIRO
Fomos convidados a participar das investigações do tão falado Caso Lagosteiro (que apura a morte do empresário Cláudio Kmentt, ocorrida em dezembro de 2004). Fomos conversar com o doutor Dantas. “Vocês não tinham me informado que queriam uma delegacia mais tranquila para organizar a vida de vocês? Pois deixe esse caso pra lá e vão trabalhar na Delegacia de Acidentes e Delitos de Trânsito (DADT)“. Passado um tempo, o GCOC (Grupo Especial do Ministério Público de Combate ao Crime Organizado) solicitou a gente para atuar com eles na investigação do crime organizado. Fizemos algumas operações. Em julho deste ano, o doutor Ronaldo Melo Bastos chega com um monte de documentos e uma portaria do secretário (assinada pelo adjunto Nival Freire, então no cargo, com o conhecimento do titular Roberto Monteiro, à época sob licença médica), que o designou para ficar na DADT o tempo necessário para concluir as investigações do Caso Lagosteiro. E a portaria diz que ficaria sendo auxiliado pela doutora Alexandra. Ligo para o doutor Dantas, ele foi na delegacia. “Como a gente combina que eu não ia entrar no caso do lagosteiro e chega esse documento do secretário?“. E ele: “Fui pego de surpresa tanto quanto você. A determinação foi exclusiva do secretário. Mas será que você não sabia?“. Ele achou que descumpri o acordo. E até então eu não sabia, como até hoje não posso revelar, do envolvimento dele no caso. “Eu não queria, combinei com o senhor de não pegar, mas o procedimento chegou na delegacia, está determinado meu nome e vou fazer como fiz com os demais, vou até o fim, não importa onde vai chegar“. Ele disse: “Você vai, mas vai assumir as consequências dos seus atos“. E eu: “Perfeitamente“.

INTIMIDAÇÃO
A partir desse momento, a minha vida se transformou num inferno. Isso foi no final de julho. No dia 16 de agosto deste ano, invadem nossa casa. Tentaram matar a mim e a minha família. Digo isso porque conheço bandido, sei quando o cara vai assaltar e quando vai matar. Tomo conhecimento que o doutor Dantas tinha ido pra imprensa dizer que foi tentativa de roubo. Ele não é inexperiente, pra de uma primeira olhada de uma cena de crime, sem conversar com as vítimas.

DE VÍTIMA A ACUSADA
Sai matéria num jornal dizendo “Bandido morto na casa de delegada deixou o celular e já está na perícia, onde vai ser feita a comparação das ligações que ele recebeu, pra quem ligou, para que a quadrilha seja identificada”. Isso foi um aviso velado aos bandidos. Quem vai divulgar um negócio desses? Ele vai ao secretário e diz: “É bom investigar esse caso com cuidado porque está me cheirando a execução sumária. O bandido levou muito tiro, tudo à queima-roupa”. Ou seja, fui vítima de atentado e ele queria reverter para dizer que eu havia executado sumariamente o bandido.

LIGAÇÃO DOS CASOS
A quadrilha do Carvalho e do Otacílio já havia sido presa em outras ocasiões com pessoas que estão sendo investigadas acusadas de participação no caso do lagosteiro. O procedimento está em sigilo.

VAZAMENTO
Acontece a prisão de uns PMs que vinham tirando bandidos de cenas de crime. No dia seguinte, sai uma matéria dizendo que os policiais estavam interceptados. Destruiu criminosamente todo o resto do trabalho. Vazou a informação. Destruiu as investigações que até o momento iam bem.

PRISÕES
Por força divina, doutor Cavalcante de plantão no Eusébio, e de madrugada houve o roubo de uma Hilux, agrediram as vítimas. O veículo é encontrado dentro de um haras. O caseiro, preso, chega e diz que “um dos envolvidos no crime estava envolvido na tentativa de homicídio na residência do seu irmão“. Ele liga para a Coin (Coordenadoria de Inteligência) e faz a prisão dos indivíduos. Isso foi numa quinta-feira (29/10). Um dos presos foi levado para a delegacia, ouvido pelo Ministério Público e delegado, feito exame de corpo de delito onde não deu lesão de tortura. Na terça-feira (3/11) aparece a história que os presos tinham sido torturados para dizer que o Dantas estaria envolvido com a tentativa de homicídio lá em casa. Fizeram exame, não deu tortura. Depois, novo exame que os caras estão todos quebrados, torturados, e desta vez, sim, eles assinam um documento que foram torturados por nós. Quem torturou?

FARSA
Fomos afastados acusados de tortura, ele (Dantas) era para ter sido afastado também porque paira no ar a dúvida de que, se ele não torturou, está envolvido com as torturas posteriores à prisão. O secretário está no seu papel. O que foi apresentado a ele é uma farsa, mas foi apresentado pelo superintendente. O que o Dantas queria ele conseguiu. Uma vez que não morremos quando era para morrer, morremos na polícia agora. Tiraram nossas armas e nossa carteira. Não podemos investigar nada, os procedimentos foram retirados de nossa mão numa fase muito crítica, em que muita coisa iria ser revelada. Quero deixar bem claro: o que acontecer com minha família ou qualquer um de nós aqui, eu responsabilizo o Dantas. Toda essa trama foi armada por ele para que a gente se afastasse das investigações. O doutor Roberto disse pra mim, “a coisa vai ser apurada com toda lisura“. E eu disse “vai não porque quem tem o poder é o Dantas, ele é o superintendente“. Ele usa os outros para atingir os objetivos, como está usando o secretário.

CERTEZAS
Tenho certeza absoluta que ele violou local de crime e coagiu testemunhas. Isso tenho certeza. O envolvimento dele, até que ponto chega, só com a conclusão do inquérito.

ISENÇÃO
Quem pode apurar com isenção? O Ministério Público e alguém da Polícia Civil, no caso de afastamento do superintendente. Enquanto ele for superintendente, nenhuma investigação vai ser feita com lisura.

GENTE DE BEM
Na Polícia Civil tem essas coisas criminosas, mas tem muita gente de bem que eu conheço de perto. Não se intimidem. Muita gente me avisou: “Não bate de frente com o homem, vai ver o que vai acontecer contigo“.

ÚLTIMA VEZ COM PRESOS
Na sexta-feira (30) pela manhã eu vi o Otacílio. Eu, Ministério Público, a delegacia, tanta gente viu. O promotor Sávio Amorim também esteve na delegacia.

Original em: http://www.noolhar.com

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