
SÃO PAULO – O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela investigação da morte da menina Isabella Nardoni, informou que Alexandre Nardoni, pai da menina, e Anna Carolina Jatobá, madrasta da criança, se recusaram a ceder sangue nesta sexta-feira para nova análise do material genético do casal. De acordo com o promotor, os dois concordaram em ceder saliva e fios do cabelo aos três legistas do Instituto Médico Legal (IML) para que seja feita a comparação com o material genético que está estocado no Instituto de Criminalística (IC).
Os dois são acusados de ter matado Isabella ao atirá-la da janela do 6º andar de um prédio, na zona norte de São Paulo, em março de 2008, quando a menina tinha cinco anos. Alexandre e Anna Carolina estão presos em cadeias na cidade de Tremembé, no interior de São Paulo.
O pedido para a realização de novos exames genéticos foi feito pela própria defesa do casal, que quer comparar o sangue depositado no Instituto de Criminalística de São Paulo. O sangue foi encontrado no apartamento do casal, e a defesa alega que havia uma terceira pessoa no local.
- Esse novo exame não vale nada. A acusação contra o casal não está baseada nessa prova. O fato de eles não terem cedido sangue, também não muda nada. A comparação genética pode ser feita com a saliva ou os fios de cabelo – diz Cembranelli.
Segundo o promotor, foi a própria defesa do casal quem orientou a ambos para que não cedessem sangue.
- Na verdade eles estão procurando algo que dê errado para tentar desqualificar o trabalho de investigação. Esse exame dentro do processo é irrelevante – explica Cembranelli.
O advogado de defesa do casal Roberto Podval não foi encontrado para comentar o motivo da recusa em ceder sangue.
Para o promotor, não há dúvida de que o casal matou a menina.

Cembranelli acredita que o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna carolina Jatobá deve acontecer ainda no primeiro semestre do ano que vem.
- As últimas diligências devem terminar este mês, o novo exame do material genético será feito e anexado ao processo e o IC e o IML devem responder a algumas questões técnicas feitas pela defesa do casal. Depois disso, acredito que o juiz já possa marcar uma data para o júri – explica o promotor.
O juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de São Paulo, aceitou, na quarta-feira, o pedido do advogado Roberto Podval, e determinou uma nova coleta de sangue dos acusados.
Em seu despacho, no entanto, Fossen ‘entendeu não ser cabível, por ora, a realização de nova prova pericial no restante do sangue que se encontra preservado no I.C. (Instituto de Criminalística) e no I.M.L. (Instituto Médico Legal)’ e que a determinação ‘visa exatamente dirimir quaisquer dúvidas a respeito da origem daquele material que lá se encontra’.
O casal alega que não cedeu sangue para a perícia na época do crime.
Original em: http://oglobo.globo.com
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