Que o artefato encontrado na segunda-feira (9) pela manhã, no posto de atendimento da Celpe, no Centro do Recife, não era uma bomba, a polícia já sabia. Agora, que o material fazia parte de uma obra de arte, disso, ninguém desconfiou. A suspeita de bomba que parou a cidade entre a Avenida Conde da Boa Vista e a Rua da Soledade, em plena hora do almoço, continha apenas declarações de amor.
O que o capitão da Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe) Flávio Bantim classificou como “frases desconexas” é, na verdade, “Eu te amo” escrito em inúmeras línguas, como português, francês, inglês, alemão, italiano, entre outras, que fazem parte da obra Bauer 05, do artista plástico Flávio Emanuel.
O projeto integra uma série de ações de artes plásticas criadas para levar o público a refletir sobre o poder exercido por grandes empresas sobre os cidadãos (ver matéria no Caderno C). Segundo Flávio, a obra é uma forma de se posicionar em relação à onipresença dessas instituições, que pautam a vida das pessoas.
“O trabalho como um todo é uma ficção, uma declaração de amor para essas empresas colocada de forma irônica”, comenta o artista.
O caso deve ser investigado pela Delegacia da Boa Vista. Mas, até o fim da tarde de ontem, o material coletado no local não havia chegado às mãos do delegado João Dantas, titular da unidade policial.
Com a suspeita de que os tubos de PVC pintados de vermelho com um relógio digital grudado poderia ser uma bomba, a Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe) da Polícia Militar terminou tendo que explodir a obra de arte.
O que sobrou do artefato foi levado para o Instituto de Criminalística (IC). A explosão intencional, no entanto, já havia revelado que o material não era uma bomba. Os papéis que haviam no interior dos tubos de PVC se espalharam pela calçada. Recolhidos pela polícia, os vestígios do que achava-se ser um explosivo estão sendo considerados provas essenciais do caso.
No local onde o suposto explosivo foi encontrado pela manhã – um funcionário da Celpe localizou o material –, a polícia comentava que câmeras da Secretaria de Defesa Social (SDS) poderiam ajudar na identificação do responsável pelo objeto.
Um dos equipamentos fica no suporte do semáforo localizado na Conde da Boa Vista. O outro, em um poste próprio na esquina da avenida com a Rua da Soledade.
Quando as imagens forem analisadas, os policiais poderão perceber que Flávio Emanuel deixou a obra de arte em frente ao posto de atendimento no dia anterior, domingo, por volta das 16h.
Para realizar a explosão intencional do que até então era uma bomba, foi necessário uma verdadeira operação de guerra. Com equipes da PM, Corpo de Bombeiros e Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), a Conde da Boa Vista precisou ser interditada nos dois sentidos.
A área teve que ser isolada, o posto de atendimento da Celpe e uma loja de colchões desocupados. A polícia chegou a considerar a hipótese do artefato ter sido colocado por alguém que queria causar pânico ou protestar contra algum serviço prestado pela Celpe.
Original em: http://jc.uol.com.br
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