Preocupada com as constantes violações das cenas em locais de crimes, o que inviabilizam a comprovação da autoria de inúmeros delitos, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP), por meio da Academia de Polícia Integrada (API), e o Instituto de Criminalística (IC), vai realizar o 1º Encontro Sobre Preservação em Local de Crime.
O evento é voltado a policiais civis, militares e bombeiros militar. Estão sendo ofertadas 40 vagas para jornalistas. O Encontro vai acontecer na próxima sexta-feira, dia 13, no horário das 7h30 às 12 horas, na API.
De acordo com o vice-diretor da API, delegado Herbert de Amorim Cardoso, coordenador do encontro, o evento tem o objetivo de orientar todos aqueles que atendem as ocorrências de crimes, e com isto garantir a manutenção dos vestígios deixados e realizar o isolamento e preservação do local do delito.
Portanto, segundo ele, o público alvo será os bombeiros militares, policiais militares e civis, que prestam o pronto atendimento nas ocorrências, e também toda a imprensa, principalmente os jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos que atuam na cobertura das editorias de Polícia.
“Quando as pessoas chegam ao local do crime, muitas vezes a cena é violada, inclusive pelos próprios policiais e até mesmo por jornalistas. Por exemplo, às vezes num caso de homicídio, uma arma que se mexe ou um movimento que se faz no corpo pode alterar toda a cena do crime inicial. Pretendemos orientar policiais e até mesmo jornalistas sobre a importância da preservação destes locais”, disse.
De acordo com o vice-diretor será montado um teatro com a cena de um local de crime, juntamente com a delegada de Homicídios, Francilene Lima de Souza, onde será feita uma demonstração de que forma se deve ou não proceder.
Na abertura, será realizada palestra de introdução com o perito Nelson Souza que fará uma explanação das atividades dos órgãos de Perícia em Roraima, focando as atividades de cada Instituto, como o de Medicina e Odontologia Legal, de Criminalística e de Identificação.
De acordo com o diretor do Instituto de Criminalística, Reginaldo Carvalho Sousa, os casos de homicídios e suicídios são os mais complexos para se chegar à conclusão através de uma dinâmica para esclarecer os acontecimentos. Ele citou, por exemplo, o caso do crime ocorrido numa lanchonete que ficou conhecido como o “Crime dos Altas Horas”, em que os autores mataram e ocultaram os corpos.
“Com o trabalho pericial neste caso, chegou-se a conclusão, esclarecemos a autoria, embora o local tenha sido violado, o que retardou a conclusão dos laudos periciais. Esse retardo nos traz consequências, pois há uma cobrança da Justiça e da sociedade. Além disso, a violação nos locais de crimes possibilita que os autores fiquem impunes por mais tempo. Além do que, a violação do local pode trazer laudos inconclusos e ficamos impossibilitados de subsidiar a Justiça com as provas técnicas, requeridas para a elucidação dos casos”, disse Reginaldo Carvalho.
O secretário de Segurança Pública, general Eliéser Girão Monteiro Filho destacou que dentro do critério da orientação voltada para a segurança, cresce a importância de se orientar o maior número de pessoas sobre os cuidados que devem tomar nas cenas de crimes.
O trabalho investigativo, segundo o general Monteiro, para ter sua eficácia precisa dos vestígios dos fatos que geram esse crime.
“Desta forma, tendo em vista as repetidas informações nos relatórios policiais sobre violações das cenas dos crimes, estamos realizando esse encontro e estamos ofertando vagas para os jornalistas, pois sabemos que ao alcançarmos a mídia haverá a disseminação desta informação para o público em geral”, disse o general Monteiro.
Original em: http://www.bvnews.com.br
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