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Cancelamento de provas vira um caso de Polícia

Revoltados, inscritos lotam delegacias para registrar “BO”. Houve falhas na comunicação

Candidatos chegam à Unic, na Avenida Beira-Rio, para provas do concurso público, no domingo

Após a divulgação do cancelamento do concurso público do Governo do Estado, no domingo (22), os candidatos procuraram as delegacias de Cuiabá e Várzea Grande para registrar boletim de ocorrência.

Só no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Verdão e na Delegacia Metropolitana, mais de 100 pessoas registraram queixa. A alta procura provocou uma pane no sistema. A preocupação da maioria dos candidatos é pelo ressarcimento do alto prejuízo financeiro e moral em ações a serem movidas.

Um exemplo é o casal Alexandre de Oliveira Melo, 36, e Luciana de Aguiar Melo, 34, que veio de Boa Vista (RR) para prestar a prova. Revoltados, eles apontam diversas falhas na organização do concurso. Com o filho de quatro anos, eles deixaram Boa Vista na sexta-feira e enfrentaram 12h de ônibus até Manaus (AM), de onde partiu o avião com destino a Cuiabá.

“No caminho, enfrentamos 3 horas de tensão em uma terra indígena, sendo que os índios não queriam nos deixar passar. Tudo isso para nada”, lamenta a mulher. Só com passagens estimam um gasto de R$ 4 mil, além de inúmeros transtornos, como faltas não justificadas nos respectivos empregos.

Ela tentava uma vaga para professora e ele para agente prisional. Luciana conta que a dedicação para os estudos começaram desde início, quando houve o anúncio da realização do concurso. Tudo que mais queriam era mudar para Mato Grosso e o serviço público era a oportunidade ideal.

“Fiz uma prova excelente, sai de lá animada, mas agora vou voltar para casa em esperança nenhuma”, avalia a candidata. Com o B.O. em mãos, Luciana e Alexandre eles afirmam que vão mover ação de indenização contra o Estado, para ressarcimento dos prejuízos.

Concurseira, a advogada catarinense Débora Góss, 28, tenta a vaga de delegada e diz não ter conhecimento da existência de tantas falhas num concurso público como presenciou neste domingo em Cuiabá. Junto com o colega de profissão de Brasília (DF), Everton Luis Pinheiro da Silva, 38, ela também foi a Delegacia Metropolitana registrar a queixa para posteriormente mover ação contra o estado e lá ficou sabendo das inúmeras reclamações feitas pelos candidatos durante o dia.

Eles também reclamaram da falta de organização do governo, que alterou em setembro a data da prova mas não deu publicidade satisfatória da alteração nacionalmente, prejudicando os planos de quem vinha de longe e se programava para isso. “Só quem estava aqui ficou sabendo”, reclamou ela.

Comunicação

Um exemplo de falha de comunicação e informação da organização do concurso foi o que aconteceu com a analista de crédito Greisiele Neves Jacob, 22, e o noivo Noildo Queiroz, 30, que tem a mesma profissão. Moradores de Cuiabá, eles tiveram problemas com os locais de prova, que foram transferidos de última hora de escolas em Várzea Grande para a Unirondon.

Contudo, apesar de a Secretaria de Estado de Administração (SAD) garantir que todos os candidatos foram informados das alterações, ele reclamam que no site da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) não havia nenhum comunicado acerca da mudança até a última sexta-feira (20). O percurso entre as duas cidades só foi possível porque estavam de moto, o que possibilitou driblar o grande congestionamento que praticamente parou as principais avenidas das duas cidades.

No entanto, ao chegarem na Unirondon perceberam a movimentação de candidatos, que informaram o cancelamento da prova, frustrando as expectativas do casal, que tentava vagas de agentes de trânsito. Revoltado, o rapaz apelou para a realização de uma grande mobilização social, em protesto a falta de organização do pleito.

Para a professora Nelígia Picinini, 24, que veio de Rolândia (PR) para disputar uma das vagas disponíveis para perito oficial, as denúncias de fraudes no maior concurso já realizado em Mato Grosso são motivo de decepção. “Minha mãe mora em Tangará da Serra e quando as pessoas falavam que Mato Grosso era atrasado e tinha muitos problemas, eu sempre defendia, mas agora eu me decepcionei”. Só com passagens de avião e estadia, ele diz ter gasto cerca de R$ 600.

Original em: http://www.midianews.com.br

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