SP: 14 são presos em ação contra venda de atestados médicos

** Foto: Raphael Marchiori/ SSP-SP/Divulgação

Cartazes eram usados pelos vendedores nas ruas

A polícia Civil de São Paulo prendeu nessa quarta-feira 14 pessoas que vendiam falsos atestados médicos para pessoas que queriam justificar a ausência no trabalho. A iniciativa faz parte de um programa do governo do Estado paulista contra ao excesso de faltas entre os servidores. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os documentos eram vendidos na região central e na zona sul, por valores que oscilavam entre R$ 20 e R$ 50. Os vendedores eram pessoas de 40 a 60 anos, que ficavam nas ruas com placas penduradas ao corpo.
Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) foi o responsável pela operação Atestado 4, realizada após sete dias de investigação, nos quais 39 policiais civis trabalharam. Mais de mil atestados médicos foram aprendidos.
Foram realizados monitoramentos, abordagens e prisões na região central, como na Praça da Sé, no Largo do Paissandu, e nas ruas Conselheiro Crispiniano e Barão de Itapetininga. O Largo 13 de Maio, na zona sul, também foi alvo da ação.

Disfarces

Para identificar os suspeitos, os policiais usaram disfarces e chegaram até a comprar alguns atestados. Eles pediam pelo produto e recebiam de volta os documentos falsos em nome de diversos centros hospitalares, como: Hospital Regional Sul, Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, Hospital das Clinicas e Hospital Santa Marcelina.
Os documentos serão analisado pela perícia do Instituto de Criminalística (IC). Para constatar a falsidade, a polícia entrou m contato com médicos que tiveram seus CRMs falsificados nos documentos, e comparou assinaturas e carimbos. “Além de não encontrarmos nenhuma evidência da participação deles, todos negaram o envolvimento”, disse o delegado Dejar Gomes Neto, diretor do DPPC.
Os homens ficavam nas ruas esperando potenciais clientes. Desempregados, eles emitiam atestados comprovando a doença que o funcionário quisesse – para afastá-lo do trabalho por quanto fosse necessário. Segundo João Batista Beolchi, corregedor da CGA, “esses funcionários tinham um cardápio de doenças à disposição e o preço do falso documento subia caso o afastamento fosse solicitado em datas próximas a feriados”.

Combate às faltas no trabalho

A Operação Atestado 4 faz parte do combate do Governo do Estado ao absenteísmo no serviço público, principalmente na Secretaria da Educação do Estado. Em novembro de 2007, foi detectado que 13% das faltas diárias de professores eram ocasionadas por motivos de saúde. Nesse cenário, o governador José Serra baixou um decreto que limitou o número de faltas por atestado médico a seis por ano. O resultado foi uma diminuição das faltas no serviço público estadual em 59%.
Apesar de a ação ter como foco o combate às faltas no serviço público, Dejar Gomes Neto destaca também a importância de ações desse tipo para o setor privado. “A sociedade como um todo acaba lesada com a venda desses atestados, inclusive os empregadores privados. De forma geral, quando um funcionário falta, o prejuízo é duplo, pois o trabalho dele terá de ser feito por outro”, disse.

Original em: http://noticias.terra.com.br

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