UFPE pode ser alternativa para exames de DNA da polícia

Exames solicitados pelo Instituto de Criminalística são feitos em laboratórios da Paraíba e da Bahia

Reprodução / TV Globo

O Laboratório de Genética Molecular Humana da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pode resolver um problema antigo do Instituto de Criminalística. É que os exames de DNA para identificar um corpo não podem ser feitos em Pernambuco, o que tem atrasado a solução de alguns crimes no estado.

O local atende mães e filhos que o procuram para fazer o exame de investigação de paternidade pelo DNA. São 30 exames por mês. Quase todo o processo é manual e passa por diversos equipamentos. Mas com a nova unidade de sequenciamento de DNA, que será instalada no próximo semestre, o processo vai ficar bem mais rápido e com mais qualidade

O equipamento de R$ 300 mil vai poder atender a demanda de todo o estado. “A maior dificuldade agora não é nem de equipamentos, nós estamos bem equipados. A maior dificuldade é com recursos humanos. Então, na medida em que a gente tenha a estrutura e que forme recursos humanos a gente vai aumentar a nossa capacidade de atuação”, explica Marcos Morais (foto 3), professor de Genética da UFPE.

Com o sequenciador automático de DNA, o laboratório será um dos mais completos do Nordeste e poderá fazer os exames de genética forense, que hoje não são realizados no estado e poderiam ajudar e muito o trabalho dos peritos criminais. “Como cidadão eu devo dizer o seguinte: que este é um elemento de segurança pública da mais alta importância. O cidadão se sentirá mais seguro se ele souber que um indivíduo que cometeu um crime pode ser encontrado em um banco de dados de indivíduos que já foram presos”, afirma Luiz Maurício da Silva (foto 4), diretor do Laboratório de Genética.

O novo equipamento vai resolver um problema antigo do Instituto de Criminalística. A Polícia Científica do estado não pode fazer os exames de DNA porque não temo equipamento e
precisa enviar o material biológico coletado, como fios de cabelo, amostras de sangue, de pele e de saliva, para os laboratórios dos estados da Paraíba e da Bahia, que nem sempre conseguem atender a demanda.

Segundo os números oficiais, 84 exames estão na fila à espera de um laboratório. Entre eles o que poderia por fim a angústia de uma família, em Timbaúba. A agricultora Márcia Cláudia dos Santos espera que o exame identifique o corpo carbonizado de uma criança, que pode ser do filho dela que está desaparecido.

A Secretaria de Defesa Social informou que quatro exames estão sendo feitos no laboratório da Paraíba, oito na Bahia e 72 ainda não foram encaminhados. O secretário Servilho Paiva (foto 5) pediu explicações ao Instituto de Criminalística. “Temos que avaliar se a pendência está aqui, se não foi encaminhado ao estado parceiro ou se no estado parceiro existe uma demanda muito maior e está ocorrendo o atraso.”

Além da parceria que pretende firmar com a Universidade Federal de Pernambuco no próximo ano, a Secretaria de Defesa Social também encaminhou para a Secretaria Nacional de Segurança Pública um projeto de R$ 2,1 milhões para a construção de um laboratório próprio. Se o dinheiro for liberado, em um ano o laboratório poderá ser construído.

Original em: http://pe360graus.globo.com

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