Toneladas de drogas apreendidas se acumulam em unidades da polícia de SP

Até julho, segundo documento da Promotoria, havia dez toneladas em DPs.
Barreiras burocráticas dificultam a incineração da droga apreendida.

Após a apreensão, incineração de drogas leva mais de 3 meses.

Após a apreensão, incineração de drogas leva mais de 3 meses.

Toneladas de drogas apreendidas em operações policiais lotam unidades da Polícia Civil de São Paulo à espera de incineração, segundo documentos do Ministério Público Estadual e do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), aos quais o G1 teve acesso.

O MP pediu providências à Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo. O órgão pede celeridade na incineração da droga e quer que o material apreendido não seja mais armazenado em delegacias. Um promotor de Justiça do Patrimônio Público e Social recebeu o relatório e, segundo a assessoria de imprensa do MP, analisa o documento. Por isso, ainda não pode comentar o assunto.

O documento da Promotoria revela que, até julho deste ano, cerca de dez toneladas de maconha, cocaína, crack, ecstasy e outras drogas aguardavam em salas improvisadas a decisão da Justiça para serem destruídas. No cofre do Denarc, segundo dados de outubro mencionados do próprio departamento, estavam guardadas pouco mais de 12 toneladas de drogas capturadas com traficantes.

Somente neste ano, a Ouvidoria das polícias recebeu duas denúncias contra policiais suspeitos de envolvimento com sumiço de drogas após apreensão do material. Delegados que não quiseram se identificar disseram ao G1 que entorpecentes como maconha apodrecem em cômodos sem ventilação. Relatam casos de policiais obrigados a usar máscaras e luvas para se proteger do mau cheiro durante a manipulação dos pacotes da droga. Alguns, segundo eles, sofreram sangramento no nariz porque inalaram éter – um dos produtos armazenados nas unidades policiais.

A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo não quis comentar o assunto. O órgão foi procurado desde o dia 6 de novembro. No dia 13 de novembro, conforme orientação da própria secretaria, o G1 fez novo pedido, por e-mail, solicitando informações sobre a apreensão de drogas pela polícia paulista. Até a quinta-feira (26), a secretaria informava que iria fornecer os dados e que isso dependia de uma atualização do CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento).

Burocracia

O caminho entre a apreensão das drogas e a incineração passa por barreiras burocráticas.

Original em: http://g1.globo.com

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