Anulação de exames atemoriza candidatos de concursos públicos

Tendo em vista que, com as eleições deste ano, os concursos devem se concentrar no primeiro semestre, aspirantes a cargos públicos têm mais uma razão para temer tentativas de fraude e irregularidades no edital e na organização do teste.

Isso porque um atraso no cronograma pode adiar o sonho da estabilidade, uma vez que as instituições estaduais e federais têm até a primeira semana de julho para homologar os concursos a fim de contratar.

O temor se justifica. No último trimestre de 2009, foram suspensos ou anulados exames da PRF (Polícia Rodoviária Federal), com 103.437 pessoas, do governo de Mato Grosso, 274 mil, e do Instituto de Criminalística de São Paulo, 17.621.

O gestor de segurança Jorge Nogueira, 28, era um dos que disputavam uma vaga na PRF. Já havia passado no concurso anterior da instituição, mas recusou o posto por ser em outro Estado. Por isso, conta, estava confiante na aprovação.

Não passou e começou a notar problemas na seleção. Reuniu colegas na mesma situação e, juntos, se dedicaram a investigar. O concurso foi suspenso. “Agora estamos avaliando os resultados de outros”, destaca.

Irregularidades

Não há estatísticas oficiais sobre o número de certames cancelados. O Ministério Público Federal e os dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais não têm dados consolidados.

A diretora-executiva da Anpac (Associação Nacional de Apoio e Proteção aos Concursos), Maria Thereza Sombra, no entanto, estima em 20% o índice de concursos nacionais com alguma irregularidade, mas nem todos são anulados.

Pelas contas da entidade, de janeiro a outubro do ano passado, foram oferecidas 98.496 vagas em seleções federais.

“Temos de fazer uma limpeza nas bancas”, opina.

O juiz William Douglas, autor de “Como Passar em Provas e Concursos” (ed. Impetus), considera ter havido um aumento no número de concursos cancelados _que seria proporcional ao de realizados.

As fraudes, diz ele, existem. “Não há como achar que [o segmento] é uma ilha”, comenta.

Para o promotor Antonio Celso Faria, do Ministério Público de São Paulo, as tentativas de fraude são casos isolados. “Tem até fogo de palha [nas denúncias recebidas pelo órgão]: estelionatários [no local de seleção] que dizem ter o gabarito. Vendem fumaça”, esclarece.

Original em: http://www.administradores.com.br

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