Jornalista teve o rim perfurado

Resultado da perícia do IML, que será divulgado hoje, reforça a suspeita de erro médico em lipoaspiração feita na jovem de 27 anos

Sala de cirurgia onde Lanusse Martins foi operada: hospital garante que tem todos os equipamentos necessários para o procedimento

O resultado do exame feito pelo Instituto de Medicina Legal (IML) no corpo da jornalista Lanusse Martins Barbosa, 27 anos, reforça a suspeita levantada pelo Ministério Público do Distrito Federal de que houve erro médico durante o procedimento de lipoaspiração. Uma fonte do IML, ouvida ontem pelo Correio, atesta que a jovem teve o rim direito perfurado durante a cirurgia plástica, realizada no último dia 25 no centro cirúrgico do Hospital Pacini, localizado na 715/915 Sul. Ela teria perdido lentamente cerca de dois litros de sangue — quase a metade do que há em todo o corpo humano. Os médicos teriam ainda tentado reanimar Lanusse por cerca de uma hora, sem sucesso. A 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), que investiga o caso, divulga hoje, às 10h, o resultado da autópsia.

O documento está nas mãos da titular da 1ª DP, delegada Martha Vargas, desde a manhã de ontem. Ela, no entanto, preferiu passar o dia analisando o resultado da perícia para dar informações precisas a respeito do que pode ter ocorrido na hora da cirurgia. Segundo a fonte do IML ouvida pela reportagem, Lanusse teve diversos hematomas abdominais. A chamada cápsula renal inferior, ou seja, a base do rim, também teria sido perfurada duas vezes pela cânula da lipoaspiração e, consequentemente, atingido a região onde estão localizadas a artéria renal, a veia renal, a coluna renal e pelve renal (veja arte).

O movimento que atingiu o rim direito de Lanusse foi feito de baixo para cima e de frente para trás. Com a perda do volume sanguíneo normal, a pressão arterial da jornalista teria começado a cair, o que ocasionou uma sequência de paradas cardiorrespiratórias. “Se os médicos tivessem prestado atenção, ela poderia ter sobrevivido. Ela sangrou lentamente até morrer. Dentro da cânula entrou um pedaço de rim”, explicou a fonte, que teve acesso ao laudo, mas preferiu não se identificar.

Martha Vargas analisou ontem o laudo do IML e apresenta o resultado hoje

Hemorragia
Segundo o chefe da Promotoria de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-Vida) do Ministério Público, promotor Diaulas Ribeiro, a jornalista morreu de choque hipovolêmico, causado por uma hemorragia interna resultante da perfuração de vasos sanguíneos — o atestado de óbito também confirma isso (veja fac-símile ao lado). O MP chegou a essa conclusão com base nas informações repassadas pelo IML. A promotoria esclarece ainda que em nenhum momento participou da realização da autópsia do corpo de Lanusse Martins. “A perícia foi realizada exclusivamente por peritos do IML do Distrito Federal”, ressaltou Diaulas.

Durante a manhã, a delegada Martha Vargas preferiu não comentar sobre o laudo, mas disse que o documento oferece suporte suficiente para que as investigações sejam conduzidas. “O IML foi muito preciso e o laudo é incontestável. Ele é muito importante porque retrata o que de fato aconteceu durante a cirurgia”, destacou. A delegada afastou ontem a hipótese de responsabilizar o hospital na esfera criminal. “Existem decisões que são tomadas pelo médico durante a cirurgia. Ao que consta, o hospital tem todas as licenças. O erro, a culpa ou o dolo eventual são de uma pessoa física e não jurídica”, destacou.

O cirurgião plástico Haeckel Cabral Moraes foi quem conduziu a lipoaspiração. A polícia ainda investiga a conduta de um anestesista. Mesmo com a divulgação do laudo, a 1ª DP continua colhendo depoimentos. Até agora, nove pessoas compareceram para prestar esclarecimentos. Ontem, estava marcado um depoimento de um enfermeiro, mas o profissional remarcou para hoje, após a divulgação dos resultados. A delegacia tem 30 dias para concluir o inquérito. Assim que o resultado das investigações chegar à Pró-Vida, o MP decidirá se vai processar alguém ou se o caso será arquivado. Se o laudo constatar que Lanusse morreu por imperícia médica, o acusado responderá por homicídio culposo (sem intenção de matar), cuja pena varia de um a três anos de detenção e multa.

Atestado de 15 dias
Entre os depoimentos previstos para esta semana estava o do cirurgião Haeckel Moraes, mas na última quarta-feira, ele apresentou um atestado médico de 15 dias. O documento assinado por um psiquiatra atesta que Haeckel está perturbado mentalmente em razão da morte da jornalista Lanusse Martins. A reportagem ligou por várias vezes no telefone da clínica onde ele trabalha, no Sudoeste, mas ninguém atendeu as ligações. Segundo a delegada Martha Vargas, da 1ª DP, cinco pessoas, entre elas o pai, a mãe e a irmã de Lanusse, devem prestar depoimento nos próximos dias.

Ontem à tarde, a direção do Hospital Pacini abriu as portas do centro cirúrgico onde Lanusse morreu para que o Correio pudesse fotografar as instalações. Embora não tenham Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o diretor Mário Pacini explicou que as salas onde são realizadas as cirurgias oferecem todas as condições para socorrer os pacientes durante o procedimento, como desfibriladores, medicamentos, respiradores e entubadores. “Nós não temos UTI, mas as salas de cirurgia têm todos os instrumentos de uma”, explicou. No caso de Lanusse, Mário Pacini defende que a existência de UTI não faria diferença. “Para ser removida para uma UTI, ela teria que ter os sinais vitais estabilizados. Tentaram reanimá-la com massagem cardíaca, desfibrilação e uso de medicamentos, mas não tiveram sucesso. Os médicos não conseguiram essa estabilização da paciente durante a cirurgia”, disse.

Muitos planos
De acordo com Pacini, 450 cirurgias foram feitas nos quatro centros cirúrgicos do hospital em todo o ano passado. De qualquer forma, o hospital está em reforma e o 3ª andar prevê a instalação de UTIs. Atualmente, o paciente é levado para a UTI de um hospital conveniado.

Segundo parentes e familiares, Lanusse já havia feito, há cerca de quatro anos, uma cirurgia de redução de estômago. Ela atualmente pesava 61 quilos e, além da lipoaspiração, pretendia colocar prótese de silicone no mesmo dia em que se submeteu ao outro procedimento. A jornalista trabalhava como repórter da TV Justiça, do Supremo Tribunal Federal. Deixou um filho de 6 anos. O corpo dela foi enterrado na última quarta-feira no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Durante o velório, parentes e amigos da jovem disseram que ela pretendia casar-se até o fim deste ano. (MP)

Original em: http://www.correiobraziliense.com.br

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  • Harrytuh

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