A primeira audiência para decidir se o ex-deputado estadual do Paraná Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB-PR), de 26 anos, irá a júri popular acabou por volta das 11h desta sexta-feira, na 1º Vara de Júri de Curitiba, sem a presença do ex-parlamentar e sem uma definição sobre o caso. Após um acidente de carro em que dois jovens morreram, Carli Filho foi denunciado por duplo homicídio com dolo eventual.
De acordo com informações da Justiça, o juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar ouviu 3 testemunhas nesta sexta-feira. Outras 16 já haviam sido ouvidas na quinta-feira e mais 19 pessoas ainda serão interrogadas. Porém, como algumas moram em outras cidades, isso ocorrerá por meio de carta precatória.
Pela legislação, o deputado só será ouvido quando todas as testemunhas tiverem sido inquiridas. A Justiça ainda não tem a data certa de quando isso deve acontecer.
O advogado de defesa da família, Elias Mattar Assad, declarou que a ida do caso para o Tribunal do Júri é “inexorável”. “Estão se confirmando judicialmente as provas que já tinham no inquérito policial, com uma ou outra palavra um pouco diferente”, afirmou.
Familiares e amigos dos dois jovens mortos estiveram no prédio do Tribunal do Júri, onde a audiência foi realizada sem a presença da imprensa e com apenas um familiar de cada um podendo acompanhar. “Queremos só justiça, que vá a júri e acabe o sofrimento”, pediu Vera Almeida, mãe de Murilo. “Essa luta é por justiça, é para os vivos, é para todos nós que dependemos do trânsito”, completou Christiane Yared, mãe de Gilmar.
O caso
Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, o Volkswagen Passat que o ex-deputado dirigia chocou-se contra o Honda fit onde estavam Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, na rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi, no bairro de Mossunguê, em Curitiba. O veículo ficou completamente destruído e os dois jovens morreram na hora.
O deputado sofreu múltiplas fraturas, inclusive na face. Ele ficou um mês internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para se recuperar das lesões.
O laudo do IML, realizado duas horas após o acidente, apontou que o Carli Filho estava com 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue, quando o tolerado pela legislação brasileira é de 2 decigramas.
Um recibo fornecido à polícia pelo restaurante onde o parlamentar estava na noite da colisão mostra três tipos de vinho na conta dele, que ficou em R$ 705.
Além disso, ele também não poderia dirigir porque estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por excesso de multas. Para a polícia, Carli Filho assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado. “Ao que tudo indica houve dolo eventual”, disse o delegado de Delitos de Trânsito de Curitiba, Armando Braga, durante a reconstituição do acidente.
Laudos do Instituto de Criminalística apontaram que o carro conduzido por Carli Filho estava em uma velocidade entre 161 km/h e 173 km/h, sendo que no local onde houve a colisão a velocidade máxima permitida e de 60 km/h.
A defesa do deputado, porém, se mostrou confiante e disse que os depoimentos não trouxeram nenhuma novidade aos autos. Segundo o advogado Brzezinski Neto, já ocorreram algumas vitórias, como a desconsideração, pelo juiz, do laudo de dosagem alcoólica. “A prova é ilícita porque foi colhida e obtida na clandestinidade”, afirmou ele, que preferiu não comentar a possibilidade de o caso ir para júri popular. “O caso está no começo, tem várias peculiaridades e, no final, a tese principal da defesa será abordada”, disse.
Original em: http://ultimosegundo.ig.com.br
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