Advogados do governador negam envolvimento dele com esquema no mensalão do DEM
Os advogados do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), deixaram clara a linha de defesa que pretendem adotar: perseguição política. Tanto a jornalistas quanto em petição encaminhada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), Nélio Machado e José Gerardo Grossi – advogado do senador Eduardo Azeredo no caso do mensalão mineiro – reiteraram a suposta “falta de credibilidade” dos delatores do esquema de corrupção no governo do distrito federal.Segundo eles, a história é “farsesca, leviana e irresponsável”.
Os advogados negaram a versão do deputado distrital Geraldo Naves, de que teria entregue um bilhete do governador ao jornalista Édson Sombra. Segundo Sombra, o bilhete tinha intenção de convencê-lo a depor a favor do governador. De acordo com a versão dos advogados, no entanto, não trata-se de um bilhete, mas de anotações feitas por Arruda durante reunião a respeito de pedidos de patrocínio. Tais anotações teriam sido “levadas a terceiros indevidamente”, segundo Nélio Machado .
- Este papel, ardilosamente, está sendo transformado em algo que seria espúrio e que teria como finalidade a obtenção de algum tipo de benesse.
Os advogados também negam qualquer envolvimento de Arruda na tentativa de subornar o jornalista Édson Sombra para que depusesse a favor do governador. Segundo eles, o servidor aposentado Antonio Bento – preso ontem supostamente subornando Sombra – tentou, sim, sem êxito, aproximar o governador e o jornalista, que estava em busca de patrocínio para o jornal O Distrital.
Na petição encaminhada ao STJ, os advogados sugerem “conluio” entre Bento e Sombra para prejudicar Arruda, lembrando que Bento era gerente comercial do jornal O Distrital, de Sombra. Não negam, porém, que Bento também trabalhou na campanha eleitoral de Arruda em 2006.
Para os advogados, Sombra e Durval estariam juntos na “armação” de vídeos incriminando o governador. Nélio Machado se mostrou convicto da “desmoralização” dos vídeos entregues à PF por perícia do Instituto de Criminalística.
- Não há nenhum interesse em ouvir a voz e o depoimento desqualificado do senhor Sombra. Um nome que fala por si, Sombra, é alguém que se esconde. Vamos tirá-lo da Sombra.
O advogado garante que, apesar de todas as acusações, Arruda concluirá o mandato como governador do DF.
Arruda é acusado, junto com o vice-governador, Paulo Octávio, deputados e secretários de governo de integrarem um suposto esquema de corrupção dentro do governo. O esquema foi denunciado pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa. Barbosa é amigo de Edson Sombra, que é apontado como o responsável por convencer o ex-secretário a denunciar o esquema.
Hoje, em entrevista ao R7, Sombra afirmou que o governador Arruda teria oferecido R$ 3 milhões para que ele realizasse três missões para ajudar a livrar o governador das denúncias de corrupção. De acordo com Sombra, a primeira parcela de R$ 1 milhão seria paga depois que o jornalista encaminhasse à Polícia Federal depoimento que desqualificasse denúncias feitas por Durval Barbosa, delator do esquema. A segunda parte do dinheiro seria paga se Sombra conseguisse para Arruda vídeos que poderiam comprometer Joaquim Roriz (PSC), desafeto do governador.
- Se eu valia R$ 3 milhões, imagina o que está acontecendo por aí. Não é a primeira vez que há tratativas entre eu e o Arruda envolvendo dinheiro. Ele sabe do que eu estou falando. A princípio, quando a proposta veio pelo Geraldo (Naves), seriam R$ 2 milhões. Depois veio o Wellington (Moraes), mas não aconteceu nada, acho que não confiavam nele. Seria R$ 1 milhão pelas cartas de depoimento, R$ 1 milhão pelos vídeos que eu tivesse e R$ 1 milhão se eu conseguisse ajudar junto à Polícia Federal, conseguindo documentos.
Original em: http://noticias.r7.com
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