População goiana está assustada com escalada da violência e, paradoxalmente, o governo mostra que nunca se investiu tanto no setor
Medo. Esse é o sentimento que toma conta de uma das maiores cidades goianas, Luziânia, no Entorno de Brasília. O desaparecimento, em janeiro, de seis jovens com idade entre 14 e 19 anos tem provocado o pânico entre a população a ponto de mães saírem do emprego para poder levar e buscar seus filhos na escola. E na Capital, janeiro pode ser considerado um mês sangrento, com a ocorrência de 47 homicídios, crescimento de 20% em relação ao mesmo mês de 2009. Por isso, o sentimento de temor não é exclusividade de Luziânia. Toda a população goiana, em maior ou menor medida, está vivendo no clima de intranquilidade que a falta de segurança provoca em todos.
“Em Goiás vivemos um dos piores momentos em relação à insegurança. A gente sai de casa e não sabe se volta”, afirma o publicitário Thiago Leopoldino de Paula, um cidadão que está sofrendo o problema da forma mais dura. Ele é o viúvo da empresária Pollyana Borges Arruda Leopoldino, assassinada há quatro meses, num crime cuja solução parece estar ainda longe. Sobre o assassinato da esposa, Thiago informou que até na sexta-feira, 5, não havia novidades, mas afirma saber que a polícia está investigando. “A polícia não abre os fatos, o que é correto, para não atrapalhar as investigações. Sei que eles têm limitações, mas acredito no trabalho da polícia.”
Thiago diz que a violência está cada vez mais perto de todos. “Continuo vendo acontecer ao meu redor. Um amigo foi sacar dinheiro no caixa eletrônico e foi abordado por um assaltante. Dia desses, a mãe de uma amiga minha quase foi raptada ao entrar no carro, um homem queria entrar com ela e faltou pouco para conseguir. As pessoas têm de andar com o vidro do carro abaixado. Todo mundo vive preso. A insegurança é geral.”
O publicitário diz que esse estado de coisas leva a uma desesperança por parte de todos. “As pessoas deixam de acreditar que é possível ter um mundo melhor. Por isso a cidade tem de ser mais segura. Precisa ter mais policiais nas ruas, um policiamento mais ostensivo.”
Prioridade — O publicitário tem razão, a sensação de insegurança é cada vez maior e não é à-toa que as empresas que vendem segurança estão cada vez mais prósperas. Mas quais são as razões para esse quadro de calamidade, sendo que o governo de Goiás tem na segurança pública uma de suas prioridades? Há poucos dias, em entrevista ao Jornal Opção, o secretário Ernesto Roller (PP) repetiu, talvez pela enésima vez, uma informação que ele vem dando há algum tempo: em Goiás nunca se investiu tanto no setor de segurança pública.
Para lembrar, há pouco mais de um mês, foram entregues 1.955 viaturas às Polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros, para todos os 246 municípios goianos. A resposta do secretário quando perguntado sobre os investimentos na estrutura da Secretaria de Segurança Pública: “Se somarmos as 60 do Corpo de Bombeiro, entregamos 2 mil viaturas à Polícia Militar. Segurança Pública não foi prioridade de nenhum outro governo. Quando cheguei à secretaria, encontrei de-legacias e prédios destruídos, além de problemas com pessoal e viaturas em todo o Estado. A polícia científica de Goiás tinha o seu quadro de servidores definido por uma lei de 1967. Imagina o que era Goiás naquela época e o que é hoje. Mu-damos essa realidade. Realizamos concurso na Polícia Civil. Demos posse aos novos funcionários. Realizamos concurso com 400 vagas na Superintendência de Execução Penal. O curso de formação começa em fevereiro. Já se encontram na Secretaria de Ciência e Tecnologia, para publicação de edital, os concursos da Polícia Científica de Goiás, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Faremos um grande aporte de pessoal na área de Segurança Pública. Além disso, inves-tindo em estruturas físicas. Estamos reformando o 8º e o 4º Distritos Policiais. As demandas foram muito represadas ao longo dos anos. Conseguimos recursos fe-derais para a construção de novas unidades prisionais que devem ser iniciadas dentro de pouco tempo. Além disso, fizemos o maior investimento em Segurança Pública da história no nosso Estado. Em 2005, tudo que se gastou na área so-mou R$ 503 milhões. Agora, em 2009, passamos da casa de R$ 1 bilhão. Isso significa dizer que dobramos os investimentos. Isso decorre da priorização que foi feita dessa área. Segurança Pública é uma demanda que se renova a cada dia e que sempre precisa receber investimentos para pode atender a população.”
Como se vê, são números que não deixam dúvidas. E desde quinta-feira, 4, a polícia goiana passou a contar com um novo sistema de balística informatizado, que custou cerca de R$ 1,9 milhão. O secretário Ernesto Roller enfatizou que Goiás passa a ser um dos dois Estados no País a contar com este modelo de laboratório completo para exame de balística.
O sistema é uma ferramenta de apoio ao trabalho pericial na área de balística forense e permite que projéteis e estojos relacionados a crimes cometidos com armas de fogo, recolhidos nos locais de crime e dos corpos das vítimas, tenham suas raias e marcas escaneadas, inseridas em um banco de dados do servidor e periciadas na tela do computador. Coisa moderníssima, de séries de TV norte-americanas.
Eficiência — A Secretaria de Segurança Pública também entregou 16 furgões para transporte de cadáveres e equipamentos de informática para a Polícia Científica. Mas a pergunta que a sociedade se faz neste momento é se a eficiência da polícia goiana vai melhorar de fato. É bom que a Polícia Científica receba esses benefícios. Quem conhece o setor diz que talvez seja justamente nessa área que o sistema em Goiás é mais carente.
Na semana passada, o repórter fez um rápido giro por algumas delegacias especializadas e pôde observar que ainda há falhas, por exemplo, na realização de exames mais complexos. À solicitação de um laudo, por exemplo, o ofício de resposta do setor responsável diz o seguinte: “informamos que para o funcionamento do Laboratório de DNA desse Instituto de Criminalística, ainda fala a instalação de alguns equipamentos e o treinamento da equipe de funcionários. Portanto, não temos uma data precisa para início dos trabalhos no momento.”
O detalhe é que esse ofício tem data de 2005, ou seja, há cinco anos esse laudo está pendente e, em consequência, também pendente está a resolução da ocorrência. Esse é um exemplo entre vários na mesma situação. Espera-se que os investimentos que estão sendo feitos resolvam esses e outros problemas, como a falta de pessoal, à qual o secretário Roller se referiu ao informar que o edital para o concurso público está pronto para publicação.
Uma fonte no sistema de segurança, com mais de 20 anos de serviços prestados, lembra que esse concurso para suprir pessoal na Polícia Técnica está prometido há vários anos. “Mas nunca sai. Faltam mais de 200 peritos em todo o Estado”, afirma. O governo está investindo, mas muito ainda precisa ser feito para que a população tenha a segurança que precisa.
Original em: http://www.jornalopcao.com.br





fevereiro 22nd, 2010 às 18:27
nossa isso tenque ser combatido