Laudo do IML sobre morte de militares em Corumbá aponta excesso de esforço

Laudo do IML apontou excesso de esforço físico, como fator determinante nas mortes dos dois militares em Corumbá

Os laudos necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) sobre as mortes do cabo Diego Augusto de Lima Leite e do soldado Antônio José dos Santos Neto , ocorridas em novembro de 2009 durante treinamento de campo do exército, apontaram que os militares do morreram devido ao “excesso de esforço físico e desidratação”, segundo Luiz Fernando Toledo Jorge, advogado da família do cabo Lima Leite.

O laudo afirma que as mortes foram provocadas por “insuficiência cardiorrespiratória aguda em conseqüência de coagulação intravascular disseminada em decorrência de internação associada ao excesso de esforço físico e desidratação”. A internação ou exaustão térmica, significa a ação do calor, sem exposição direta aos raios solares, em ambientes pouco arejados e aquecidos, geralmente associada a esforço físico executado por uma vítima com o organismo debilitado.

O advogado explicou que agora irá tomar como providência, a solicitação de acesso ao Inquérito Policial Militar (IPM), que tramita na Auditoria da 9ª Circunscrição Judiciária Militar, em Campo Grande. “Também vamos solicitar atuação como assistente de acusação, pela família, no IPM”, informou. Outra medida será entrar com ação na área Cível contra o Exército por danos materiais e morais. “No caso moral porque a família perdeu um filho e os danos materiais se justificam porque este filho ajudava no sustento familiar”, argumentou o advogado.

Sigilo

No dia 27 de janeiro, a Seção de Comunicação Social da 18ª Brigada informou em nota que o IPM que apurava as circunstâncias das mortes dos militares havia sido concluído no dia 25  e tinha sido encaminhado para a Auditoria da 9ª Circunscrição Judiciária Militar, em Campo Grande, órgão da Justiça Federal a quem “cabe julgar e responsabilizar possíveis envolvidos”, explicava o documento.

Alegando “sigilo” respaldado pelo Código de Processo Penal Militar (CPPM), o Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira resolveu não divulgar o resultado do Inquérito Policial Militar. O sigilo foi baseado no artigo 16 do CPPM, a nota diz que “o Exército Brasileiro não pactua com nenhum tipo de irregularidade e apura rigorosamente todas as denúncias recebidas, agindo com impessoalidade, tendo o cuidado de não ferir os direitos individuais previstos na Constituição Federal”.

Em entrevista coletiva, concedida um dia após as mortes dos militares, o comandante da 18ª Brigada, general-de-brigada Roberto Jungthon, explicou que aguardava os resultados médicos para divulgar o que teria causado as mortes. Inicialmente, disse o general, os dois tiveram um quadro de parada cardiorrespiratória.

Original em: http://www.capitalnews.com.br

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