Carnaval revela queda de 7,6% no número de ocorrências em Salvador

O Carnaval 2010 termina com um balanço positivo na área da segurança pública. De quinta-feira (11), quando começou a grande festa, até as 7h desta quarta-feira (17), foram contabilizados 1.193 registros, contra 1.291 do ano passado, numa redução de 7,6%. Assim como no ano anterior, não houve homicídio nos circuitos. Os dados foram divulgados na coletiva de balanço do Carnaval, realizada nesta quarta (17), no Hotel da Bahia.
No comparativo com 2009, houve uma diminuição nos seguintes delitos: rixa (-59%), lesão corporal (-20,2%) e furto (-4,8%). Ao todo, foram 39 rixas registradas em 2009 e 16 este ano, 228 lesões corporais em 2009 e 182 este ano e 938 furtos no ano passado e 893 em 2010. O único item que sofreu um aumento foi o de roubo. Houve ainda 100 casos este ano, contra 84 em 2009. Nos dois anos foram registradas duas tentativas de homicídio.
Além disso, foram apreendidas três armas de fogo e nove armas brancas, comprovando o sucesso do mapeamento das áreas e da fiscalização policial. Outro dado importante é o de presos em flagrante, que também cresceu em relação ao ano passado: de 70 para 89, com uma variação para mais de 27,1%. Quinze traficantes de drogas foram autuados, superando também o registro do ano passado, quando 12 pessoas foram presas em flagrante.
“Trabalhamos sempre com o objetivo de melhorar a atuação das polícias nesta que é a maior festa do planeta a céu aberto”, afirmou o secretário estadual da Segurança Pública, César Nunes. Ele disse que a fiscalização de espetinhos, juntamente com órgãos da prefeitura, será reforçada no próximo ano. “Comemoramos as reduções, mas sabemos que temos que melhorar em alguns pontos”, observou.
Inovações
Os cabos de fibra ótica, instalados nos postes dos circuitos e integrados ao sistema de câmeras fixas, melhoraram o processamento de imagens e garantiram mais velocidade no envio dos dados produzidos para a Central de Informação do Carnaval, sediada na Superintendência de Inteligência (SI) da SSP, em Ondina.
Com investimento de R$ 700 mil, as polícias conseguiram dar respostas rápidas para delitos cometidos nos circuitos da folia. Foram 15 quilômetros de cobertura, estendendo-se até a Praça da Sé.
Outra tecnologia utilizada este ano foram os celulares do modelo Black Berry, que, dotados de GPS, deram mobilidade às ações policiais. Os 230 aparelhos móveis, com tecnologia de transmissão de dados 3G, permitiram conexão à rede policial e à internet em alta velocidade.
Por meio dos modernos aparelhos, foram consultados em tempo real os sistemas de informações policiais de pessoas, veículos, condutores e antecedentes criminais. Também foi possível acessar a rede nacional do Infoseg, que contém informações de segurança pública dos órgãos de fiscalização do Brasil.
A utilização do ‘morpho rapid’, aparelho utilizado pela Polícia Federal na identificação por impressão digital, foi mais uma novidade tecnológica da SSP. O acessório é um microcomputador portátil com leitor biométrico que permitiu o acesso ao banco de dados da Polícia Federal para todo o Nordeste, que abriga mais de 95 mil cadastros.
Por meio dele foi possível saber em segundos se existia um histórico policial ou alguma ocorrência em nome da pessoa investigada. Dezenove pessoas conduzidas até os postos policiais estavam com mandado de prisão e foram encaminhadas ao Complexo Policial dos Barris.
Efetivo
A Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento ostensivo nos circuitos da folia, trabalhou com um efetivo de 19.628 policiais, sendo 1.499 do Corpo de Bombeiros, no Carnaval de Salvador e em mais 13 cidades do interior do estado.
Na capital baiana foram 12.587 PMs dando proteção a baianos e turistas nos circuitos Dodô (Barra), Osmar (Campo Grande) e Batatinha (Pelourinho), como também em seis bairros que tiveram festa (Itapuã, Cajazeiras, Pau da Lima, Periperi, Liberdade e Plataforma). O Corpo de Bombeiros atuou com 1.499 homens em toda a Bahia e 1.172 exerceram atividades de suporte.
Já a Polícia Civil empregou o efetivo de 2.587 em todo o estado, entre delegados, escrivães e agentes. Além do auxílio no policiamento nos circuitos da folia, a polícia judiciária fiscalizou possíveis pontos de venda de drogas e concentração de grupos que se organizam para realizar assaltos. Esse trabalho contou com o apoio da SI da SSP, que disponibilizou imagens e informações sobre os locais investigados.
O Departamento de Polícia Técnica (DPT), por sua vez, funcionou durante os sete dias de folia, com os serviços de necropsia, perícia criminal e identificação criminal, além de realizar exames de lesões corporais, entre outros. Trabalhou com o efetivo de 512 pessoas na capital e 85 em plantões extras nos municípios de Santo Amaro, Santa Maria da Vitória, Alagoinhas, Barreiras, Ilhéus, Porto Seguro e Teixeira de Freitas.
Estrutura
Este ano, a SSP montou 190 unidades policiais ao longo dos circuitos para melhor atender o folião e punir de imediato os que cometeram algum tipo de crime. Foram 17 postos de policiamento integrado (nove da PM, cinco da Polícia Civil, uma unidade de observação e uma para o comando especializado), quatro centrais de flagrante, 124 postos de observação da PM, oito dos bombeiros militares, sete unidades de abordagem e seis para reunião das tropas.
Dando suporte às ações policiais, 1.559 rádios (Hand Talk), 1.199 deles dotados com GPS, foram utilizados, permitindo a localização das guarnições em qualquer ponto do circuito.
Cento e vinte câmeras fixas e portáteis auxiliaram a polícia na identificação de criminosos e de pontos onde estavam sendo comercializadas drogas. Ainda na parte de suporte tecnológico, foram utilizados 430 computadores, 80 impressoras e 86 circuitos de dados interligados ao sistema de ocorrências policiais.
Delegacia Digital
A Delegacia Digital, lançada de forma inovadora em 2009 e cuja atuação foi destaque no Carnaval passado, atendeu os foliões na entrega dos abadás e também durante a festa deste ano. A unidade funcionou em regime de plantão 24 horas, com seu efetivo reforçado.
Um homem identificado inicialmente por Leonardo Diógeno Barbosa, 32 anos, foi encaminhado à unidade móvel localizada no estacionamento do Shopping Iguatemi, quando tentou resgatar abadás no valor de R$ 2 mil utilizando uma carteira do Senado Federal e um cartão de crédito em nome de Ivan Martins Figueiredo.
Seguranças do estabelecimento desconfiaram da autenticidade do documento e o conduziu até a unidade policial. Diógeno afirmou ter confeccionado os documentos, mas a polícia desconfia que ele faça parte de uma quadrilha de estelionatários. Autuado em flagrante, responderá por estelionato e falsidade ideológica, aguardando decisão judicial custodiado na Delegacia de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes, na Baixa do Fiscal.
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