Exame complica situação de marido e sogro da turista alemã

Peritos do Instituto de Criminalística encontraram vestígio de chumbo nas mãos dos dois suspeitos do crime

Foto: Acervo familiar

O resultado de um exame feito pelo Instituto de Criminalística (IC) complicou ainda mais a situação do sogro e do marido da turista alemã, Jennifer Marion Nadja Kloker. Os peritos encontraram vestígio de chumbo nas mãos dos dois suspeitos do crime. Ela foi morta na noite da terça-feira de Carnaval e a primeira versão da família era de que ela teria sido vítima de assalto.

O pedido de prisão temporária de Pablo e Ferdinando Tonelli, encaminhado à Justiça pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), traz detalhes importantes, que segundo os delegados, ajudaram a avançar nas investigações e a desvendar o mistério da morte da turista alemã.

Um dos indícios que levaram a polícia a suspeitar do marido e do sogro de Jenifer foi o resultado do exame de pólvora feito pelo IC. Os peritos constataram presença de chumbo nas mãos direitas de Pablo e Ferdinando Tonelli. Até agora a arma usada no crime não foi encontrada.

Foto: Acervo familiar

A informação ajudou a embasar a decisão da juíza de São Lourenço da Mata, Marinês Marques Viana, que determinou a prisão do marido e do sogro da turista. O documento,mostra também contradições nos depoimentos da família, principalmente quando Pablo e Ferdinando tentam narrar em detalhes, o que aconteceu na noite da terça feira de Carnaval.

Em outro parágrafo, a polícia se refere aos registros do GPS do veículo alugado pela família. Pelas informações repassadas pelos sogros e marido da turista, os bandidos teriam que ter parado três vezes após anunciar o assalto. No entanto, o sistema de localização por satélite mostra que o veículo parou apenas duas vezes. Ou seja, Jeniffer teria sido assassinada no mesmo local em que aconteceu a suposta abordagem dos assaltantes.

Os delegados fazem um questionamento. Se ela estava tão descontrolada, como o bandido que entrou no carro conseguiu conduzir o veículo e ao mesmo tempo mantê-la quieta? Há ainda o relato de uma testemunha – um caminhoneiro que passava pelo local do crime e viu o carro parado e a família ao lado, numa situação diferente da informada por eles no interrogatório.

Foto: Acervo familiar

No despacho, a juíza afirma que, com base nesses indícios, é quase certa a participação de Pablo e Ferdinando no assassinato. Um crime que ela define como covarde, praticado de forma cruel e sem piedade. O Ministério Público também se pronunciou. O parecer, assinado pela promotora Ana Claudia Walmsley foi favorável à prisão.

O advogado Célio Avelino, que defende o marido e o sogro da alemã, disse que os elementos apresentados pela polícia no pedido de prisão temporária não têm valor. “O exame residuográfico de pólvora é um exame que não é conclusivo, não serve nem para acusar nem para inocentar. E repito, não é essa a fase. Esse exame feito pelos acusados demonstra que eles colaboraram com a polícia, fizeram exame, prestaram declarações mais de uma vez, foram ao local do crime mais de uma vez com a polícia, uma demonstração inequívoca que querem colaborar. Esse exame residuográfico é um exame que não é conclusivo. As vezes a pessoa manipula uma outra substancia e dá o mesmo resultado e as vezes efetua disparo de arma de fogo e dá o resultado negativo, então é um exame que serve apenas de orientação, não é conclusivo.”

Nesta tarde, o desembargador Antônio Melo e Lima do Tribunal de Justiça negou ao advogado o pedido de habeas corpus em favor de Pablo e Ferdinando Tonelli. Os dois vão continuar presos no Recife, à disposição da polícia.

Original em: http://pe360graus.globo.com

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