Para afastar as bactérias

Brasília – Habitantes do planeta há pelo menos 4 bilhões de anos, as bactérias são exemplos de seres vivos que se tornaram cada vez mais resistentes com o tempo, sendo as principais causadoras de várias doenças. Pesquisa desenvolvida pelo cientista Thiago Sequinel, 25, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), pretende amenizar a incidência desses organismos em ambientes que precisam estar limpos, como hospitais, clínicas e casas de pacientes em tratamento. A técnica consiste na fabricação de uma película extremamente fina formada a partir de nanopartículas, aliando temperatura e pressão adequadas. O material, invisível a olho nu, pode ser aplicado na superfície de materiais de acabamento, como azulejos e cerâmicas, além de vidros, madeiras e plásticos.

O filme, produzido a partir de um processo químico específico, impede que qualquer bactéria entre em contato com a superfície, facilitando a limpeza e mantendo o local livre de contaminação. O projeto venceu a competição internacional Idea to product (Da ideia ao produto), realizada em 2009, nos Estados Unidos, e que reuniu representantes de instituições de ensino de 17 países. Como prêmio, US$ 10 mil, que será empregada na continuidade do projeto, iniciado quando Sequinel ainda fazia graduação em química na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Num primeiro momento, segundo Thiago, os estudos sobre a síntese de nano-óxidos eram voltados para a aplicação em nanopigmentos para cerâmicas de revestimento. “Os nano-óxidos são compostos químicos convencionais, porém em escala reduzida, medida em nanômetros. Em dimensões, é o mesmo que dividir um fio de cabelo em 30 mil partes”, explica. No mestrado do pesquisador, foram desenvolvidos filmes finos formados por nano-óxidos em formato de pó, que podem ser aplicados em várias superfícies. “Este filme tem série de vantagens em relação aos demais, a exemplo dos já existentes em formato de spray”, diz.

Por ser invisível aos olhos humanos, a técnica conta com equipamentosespeciais, como o de microscopia eletrônica de varredura (MEV). Os aparelhos ampliam a imagem de 200 mil a 500 mil vezes. Ele lembra que, levando em consideração a quantidade de óxido usado, além de gastos envolvidos no processo, a aplicação do filme custou cerca de R$ 1 por metro quadrado de material.

Original em: http://www.diariodepernambuco.com.br

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