Daniel responde por fraude processual, denunciação caluniosa e tortura (os amigos de Rafael que estavam no carro foram presos e torturados na delegacia para que corroborassem com a versão da polícia). O julgamento começou por volta de 10h30, com os depoimentos de quatro testemunhas de defesa. O primeiro a ser ouvido foi um delegado da Polícia Federal aposentado Airton Siqueira Mendes, que estaria junto com o réu em uma confraternização na noite do crime, mas disse que Daniel saiu para atender uma emergência e voltou em seguida. As testemunhas de acusação foram dispensadas por terem sido ouvidas durante outras fases do processo. Participam do júri a juíza Flávia da Costa Viana, o promotor de justiça Marcelo Balzer Correia, e os advogados Osman de Santa Cruz Arruda e Maurício de Santa Cruz Arruda.
O último a ser ouvido foi o próprio réu, que alega inocência. A família do estudante e os amigos que estavam com ele no dia do crime acompanham o julgamento. A defesa de Daniel sustenta que não existem provas que o incriminem. Até o fechamento desta edição o julgamento não havia terminado.
Mais dois
Para amanhã, está previsto o julgamento do escrivão Carlos Henrique Dias, cujo advogado de defesa alega que ele só chegou na delegacia quatro horas após o episódio e que registrou no inquérito aquilo que seus colegas declararam, sem saber que estavam mentindo. No dia 15, será julgado Maurício Bittencourt Fowler, que naquela noite era o delegado de plantão do 12.º DP e é apontado como o mentor da farsa. Ele é acusado dos crimes de usurpação de função pública, prevaricação, fraude processual, denunciação caluniosa e tortura. Fowler já não pertence ao quadro da Polícia Civil. Foi demitido em janeiro do ano passado, por prática de conduta irregular, conforme consta no decreto governamental número 4142, de 8 de janeiro de 2009.
Caso
O estudante foi abordado na noite do dia 28 de maio de 1997, na desastrada ação em que participaram três policiais civis, um estudante de Direito e um informante da polícia (os dois últimos trabalhavam irregularmente na delegacia). Rafael levou um tiro na cabeça quando parou o carro, disparado pelo informante Almiro Deni Schmidt, que não poderia estar armado nem participando de um trabalho policial. Percebendo o erro, os policiais trataram de prender os amigos de Rafael, levando-os imediatamente para a delegacia, enquanto o delegado -chamado às pressas – e outros colegas de delegacia modificavam o local para incriminar a vítima.
Original em: http://www.parana-online.com.br

