SÃO PAULO – Foi solucionado no Paraná o sumiço de um menino, ocorrido 20 anos atrás no município de Roncador, a 435 km de Curitiba. Os policiais do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) conseguiram comprovar, por meio de exame de DNA feito pelo Instituto de Criminalística, a morte de Leandro Correia, desaparecido desde 22 de maio de 1990, quando tinha três anos de idade. A criança estava na lavoura com a mãe Djanira dos Santos Correia e com o padrasto Pedro Alexandre.
De acordo com informações da Agência Estadual de Notícias, a polícia prosseguiu com as investigações mesmo depois do arquivamento do inquérito pela Justiça em 1994. Mas a comprovação de que os ossos encontrados próximos à região do crime são mesmo de Leandro só veio agora. A delegada titular do Sicride, Ana Claudia Machado, disse que os ossos foram submetidos a exame pericial logo que foram encontrados, mas na época o exame de DNA ainda não era uma realidade.
- Apesar disso, o Sicride continuou investigando o caso e agora com os avançados exames que podemos fazer na Criminalística comprovamos que os ossos encontrados eram compatíveis com o DNA da mãe da criança – confirmou a delegada.
Ana Claudia Machado revelou que, mesmo com o arquivamento dos casos, o Sicride não deixa de investigar o paradeiro das crianças desaparecidas no Paraná.
A delegada explicou que agora cabe à Justiça decidir se reabre o caso para que a polícia possa então investigar as causas da morte da criança.
- Nós vamos encaminhar um relatório sobre as novas descobertas, juntamente com o laudo do Instituto de Criminalística para o Fórum local, já que se tratava de um inquérito arquivado. Agora é da Justiça a decisão sobre a continuidade das investigações – disse.
Neste caso, foram quase 20 anos de espera até que a mãe recebesse a confirmação da morte do menino. Na tarde da última quinta-feira, uma equipe de policiais do Sicride, mais a delegada Ana Cláudia e a psicóloga da delegacia visitaram a mãe de Leandro para falar da confirmação da morte do menino.
- A mãe ainda reluta em acreditar, mas é uma atitude comum nesses casos em que a esperança da família nunca morre. De qualquer maneira, estamos tentando ajudá-la com a psicóloga da nossa delegacia que é especialista em atender pessoas nestas situações de dor e tristeza – garantiu a delegada.
Criado em 1996, o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas registrou neste período 1.176 casos de crianças desaparecidas no Paraná. Deste total, 1.166 foram resolvidos – um índice de 99%. Estatísticas mostram que cerca de 70% desses casos são de crianças que fugiram de casa e os outros 30% se tratam de infrações penais como homicídio, sequestro e sonegação de incapaz.
Original em: http://oglobo.globo.com
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