Empresa foi ‘expulsa’ pela polícia, que investiga se houve dano meio ambiente
A Multi Ambiental, empresa que presta serviço de coleta, transporte, transbordo e destinação final do lixo doméstico em Olímpia por meio de contrato de emergência, foi flagrada na quinta-feira à tarde, manuseando o lixo produzido aqui em uma área clandestina no município de Guaraci. Ela estava usando um espaço de 70×70, segundo consta alugado de um olimpiense às pressas, porque não estava mais podendo, desde sábado passado, 9, fazer o transbordo na área do lixão desativado de Olímpia.
Ironicamente, no âmbito do transbordo, a empresa foi “expulsa” de Olímpia no sábado, e depois “expulsa” também de Guaraci, na quinta-feira. Hoje, nem a prefeitura sabe onde o lixo está sendo tirado dos caminhões coletores e colocados nos que o transportam para o aterro sanitário de Catanduva. Pelo menos foi o que disse o secretário de Obras, Gilberto Toneli Cunha, na tarde de ontem. Ele disse acreditar que o transporte do lixo para Catanduva esteja sendo feito pelos próprios caminhões coletores, o que seria tecnicamente inviável, segundo fontes da área. “Eles teriam trazido mais caminhões para poder fazer isso”, disse Cunha.
A Multi Ambiental foi somente advertida na quinta-feira pela polícia de Guaraci, que aguarda agora os laudos da perícia criminal e da Cetesb, para saber se houve ou não dano ao meio ambiente. Foi feito BO de averiguação de suspeita de crime ambiental e não flagrante, exatamente por causa disso. A delegada Débora Cristina Abdala Queiroz levou consigo na hora da autuação um perito criminal e um fiscal da Cetesb.
A área alugada pela empresa ficava às margens da vicinal Roberto Azeda Ribeiro de Aguiar, próximo à Mina Mercantil, no acesso ao Bairro Rural Bocaina. Consta pertencer ao advogado Marco Loureiro, e é área plantada com cana. A empresa fez uma clareira no meio da plantação e colocava lá o lixo no chão e depois o colocava no caminhão para o transporte até Catanduva. O Ministério Público do Meio Ambiente, em Olímpia, também foi acionado.
A empresa estava trabalhando ali irregularmente, segundo a polícia. Faltava adequação técnica ao local, bem como autorização da Cetesb. A ação irregular vinha acontecendo há dois dias. “Cortamos o mal pela raiz”, disse a polícia. A máquina que estava sendo usada no local foi apreendida e levada para o pátio da delegacia daquela cidade.
Secretário diz que “não estava sabendo”
Toneli Cunha negou que prefeitura tenha algo a ver com o aluguel da área
O secretário municipal de Obras, Gilberto Toneli Cunha, disse ontem no começo da tarde que “não estava sabendo” que a Multi Ambiental estava usando área irregular para fazer o transbordo do lixo no município de Guaraci, negando também que a prefeitura tenha alguma coisa a ver com o aluguel da área, que pertence a um advogado que segundo consta teria ligações com o serviço público local. Ele revelou que a empresa foi levada a isso, após ser proibida, terminantemente, mas só depois de quatro meses, de usar a área desativada do lixão.
“Aconteceu de ontem para hoje, é operação de transbordo”, disse ele ontem, sobre o episódio de Guaraci. E negou que Olímpia tivesse sido multada pela Polícia Ambiental esta semana. “Desconheço qualquer tipo de autuação pelo Estado ou União”, rebateu. Segundo ele, o contrato de novembro de 2009 prevê que a responsabilidade pela limpeza ambiental, coleta, transporte, transbordo e destinação final do lixo é da Multi Ambiental. “Fizemos o papel de polícia”, observou.
O “papel de polícia” do município foi expulsar a empresa da área do lixão, que tinha autorização para usá-la, por contrato, durante 30 dias. Agora, Cunha diz que “toda operação está sendo feita a contento, menos o transbordo”. Ele informou que notificou a empresa por duas vezes para tirar o lixo dali, que adquirissem uma área, e que no sábado esteve lá juntamente com o diretor de Meio Ambiente, Fernando Velho, “e proibimos a utilização do aterro”.
CONTRATO NO FIM
A coleta do lixo não foi prejudicada, ele garante, reforçando que, quanto ao transbordo, “a prefeitura não tem nada a ver com isso, nem com o local onde está sendo depositado o lixo”. E diz que o Poder Público “está tranqüilo em relação ao assunto”.
Sobre cancelamento de contrato disse não poder tomar atitude drástica, de paralisar o serviço, pois prejudica a população. “Por isso só notificamos a empresa. E se foram para outro município, extrapola nosso poder de polícia. E se estava usando (área) sem licença, estava errado”, frisou. O contrato de seis meses com a empresa está para terminar. Ele é de 11 de novembro de 2009. Vence em 11 de maio próximo.
De acordo ainda com Cunha, não houve briga com a Multi Ambiental. “O Paulo Albertoni (diretor da empresa) veio aqui, ficou uma semana procurando área. Sentimos boa vontade em resolver o problema”. Sobre se conseguiu, respondeu: “Como é assunto particular não posso responder por isso, mas acredito que já tenha área”. E se não tiver, a coleta de lixo continua normal, o destino também, diz Cunha. Como levar sem o transbordo? “Ele leva do jeito que achar melhor”, responde. “Pode levar com os próprios caminhões da coleta, não precisa fazer transbordo, transporta diretamente para o aterro de Catanduva”.
Sobre o uso de área em Guaraci, disse que a questão é do âmbito daquele município, e que não estava sabendo. “Ficamos sabendo agora, mas é de responsabilidade daquele município”, finalizou.
Original em: http://www.planetanews.com.br
