Marcação cerrada da polícia ao Imperador

Ministério Público manda abrir inquérito para investigar a relação do atacante com traficantes

O documento da moto no nome de Marlene Souza

Rio – O Ministério Público Estadual determinou que órgãos de segurança pública fechem o cerco ao jogador Adriano, do Flamengo. Um inquérito será instaurado na Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) para investigar a relação do atacante com traficantes do Morro da Chatuba e outras favelas do Complexo da Penha. Conforme ‘O DIA’ revelou ontem, o Imperador pagou R$ 35 mil em uma moto Hornet 600, em julho de 2008, que foi emplacada no nome de Marlene Pereira de Souza, uma senhora de 64 anos que jamais teve carteira de habilitação. Ela é mãe de um amigo de infância do jogador: Paulo Rogério de Souza Paz, o Mica, chefe do tráfico naquela localidade.

A nota fiscal da Hornet 600cc em nome do jogador Adriano

Titular da 17ª Promotoria de Investigação Penal (PIP) da 1ª Central de Inquéritos, Alexandre Murilo Graça afirmou que são “gravíssimos os fatos relatados na reportagem”. Graça é o mesmo promotor de Justiça que fez a denúncia contra o cantor Belo, que no início da década foi condenado a seis anos de prisão. Adriano — que embarcou ontem para o jogo contra a Universidad do Chile, hoje à noite, pela Libertadores — não quis comentar o caso.

Na portaria 01/2010, o promotor determinou que, além do craque do Flamengo, a delegacia ouça a mãe de Mica, gerente e funcionários da concessionária em Vicente de Carvalho, onde foram adquiridas as duas motocicletas. Além da Hornet de cor preta, Adriano pagou outros R$ 37 mil num modelo quase idêntico, só que de cor vermelha, que registrou em seu nome.

O Ministério Público solicitou ainda que o Detran forneça informações sobre o histórico da moto registrada em nome da mãe do traficante. A compra foi feita em 14 de julho de 2008 e emplacada no mesmo dia. O promotor quer saber se a dona do veículo tem habilitação.

O documento foi encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, ao secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e ao chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski.

OUVIDO COMO TESTEMUNHA

De manhã, o diretor do Departamento de Polícia da Capital (DPC), Ronaldo Oliveira, já havia determinado que Adriano fosse ouvido em outro inquérito, já instaurado na 22ª DP (Penha), que investiga a quadrilha que domina as bocas de fumo do Complexo da Penha. Nenhum dos dois depoimentos têm data marcada.

“Em princípio, o Adriano será ouvido como testemunha. Vamos ver o que ele vai falar em relação às motos que comprou”, afirmou o delegado Jader Amaral, titular da 22ª DP.

DETRAN VAI INVESTIGAR PROCESSO DE TRANSFERÊNCIA

A corregedoria do Detran do Rio (Detran-RJ) instaurou uma sindicância para investigar o processo de transferência da moto Hornet 600 de cor vermelha, placa KXB-1788.

O veículo foi comprado juntamente com a moto preta que o craque colocou em nome da mãe do traficante. Esta, no entanto, foi registrada em nome de Adriano Leite Ribeiro, no dia 25 de julho de 2008.

A motocicleta — uma das mais desejadas do mercado — foi transferida para um homem identificado como Evaldo Serrano Pereira Rodrigues, em 29 de abril de 2009. Menos de um mês depois, em 26 de maio, o veículo foi transferido novamente. Desta vez, o comprador, F.C.E.S., acabou sofrendo um assalto, em 2 de julho, levando dois tiros. Ele sobreviveu. Mas a moto jamais foi recuperada.

O curioso é que, quase cinco meses depois de a moto ter sido vendida por Adriano — pelo menos oficialmente, nos registros do Detran —, o jogador procurou a polícia e disse que um amigo chamado ‘Marcos’ teria lhe tomado o veículo e desaparecido.

Conforme ‘O DIA’ mostrou ontem, o registro de apropriação indébita, de nº 904-00390/2009, foi feito pelo jogador na Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), em Pilares, no dia 23 de setembro do ano passado. Na ocasião, ele contou que havia emprestado a moto para Marcos no mês de abril, época em que embarcou para a Europa. Ao voltar para o Rio, Marcos teria se recusado a devolvê-la. O craque disse não saber o nome completo de seu ex-amigo.

“Para que um veículo seja transferido para uma outra pessoa no Detran-RJ é preciso que o dono assine um recibo de compra e venda confirmando a negociação. Este documento deve ter sua autenticidade reconhecida em cartório justamente para evitar fraudes. Mas, se Adriano procurou a polícia depois de a transferência ter sido realizada, dizendo que não vendeu a moto, vamos investigar em que circunstâncias essa transferência foi feita”, explicou o corregedor do Detran, David Anthony.

O resultado da investigação será encaminhado à DRF. Caso não seja encontrada nenhuma irregularidade no processo de transferência, o documento poderá ser enviado para perícia no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), para saber se a assinatura existente no recibo é do jogador do Flamengo ou se foi falsificada.

Original em: http://odia.terra.com.br


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