Perita defende uso de reagente e diz que local do crime foi bem preservado

Segundo ela, manchas de sangue na porta de apartamento indicam que Isabella foi ferida fora do imóvel, o que elimina versão de roubo

O terceiro dia do julgamento havia começado com o depoimento da perita Rosângela Monteiro. Em um dos pontos altos do dia, Rosângela revelou um dos maiores trunfos da acusação: as marcas de sujeira na camiseta que Alexandre Nardoni usava na noite do crime só poderiam ter surgido se ele tivesse passado as mãos pelo buraco na tela da janela de seu apartamento segurando algo que pesasse 25 quilos, o peso de Isabella.

Só dessa forma é que o contato da tela com a camiseta produziria a marca detectada pela perícia. Ou seja, não bastava Alexandre Nardoni se aproximar da tela para ver o buraco ao supostamente descobrir que a filha havia caído do 6.º andar, em março de 2008 ? uma das teses da defesa para explicar as marcas na roupa. “Não bastava encostar na tela. É preciso jogar algo de pelo menos 25 quilos”, disse.

Rosângela estava depondo havia uma hora quando contou a conclusão. Ela começou a fala com um claro recado para a defesa do casal Nardoni. “Esse foi o local de crime mais bem preservado em que já atuei”, afirmou, como resposta a uma das perguntas do juiz Maurício Fossen.

Ela prosseguiu com uma aula sobre o uso de reagentes químicos e luzes forenses. Disse que o Bluestar (reagente) é usado para detectar vestígios de sangue, enquanto o Hexagon-Obit (outro reagente) é aplicado para saber se as manchas são ou não de sangue humano. Ambos foram usados no apartamento dos Nardonis, mas não indiscriminadamente, como chegou a dizer a defesa.

“O reagente você só aplica nas manchas latentes, o que para nós quer dizer invisíveis a olho nu”, explicou. Rosângela diz que o perito plantonista chegou à cena do crime com a tarefa de apurar um roubo seguido de morte. O primeiro sinal de que essa versão não correspondia aos fatos veio quando ele observou uma gota de sangue na soleira da porta do apartamento. “Estava evidente ali que a vítima tinha sido ferida fora do apartamento. As demais manchas visíveis de sangue nos indicavam uma sequência, que termina na janela do quarto”, afirmou Rosângela.

A perita também afastou qualquer descuido na análise dos acessos ao Edifício London. “Fotografamos os muros, que tinham de 2 metros a quase 5 metros, e todos os portões de acesso. Está tudo no laudo”, asseverou. A perita confirmou que as gotas de sangue encontradas no apartamento caíram de uma altura superior a 1,25 metro. As manchas, salientou, tinham característica “estática”, ou seja, caíram de alguém que era carregado no colo. “Verificamos a possibilidade de Isabella ter entrado caminhando no apartamento com um ferimento na testa, mas o ponto hemorrágico ficaria abaixo de 1,25 metro.”

Réus. Enquanto Rosângela falava, Alexandre Nardoni colocava o dedo na boca. Demonstrava interesse nas explicações e chegou a mover a cadeira para olhar fotos da camiseta exibidos em um telão. A mulher parecia tensa. Anna Jatobá permaneceu sempre com o cabelo preso.

O promotor Francisco José Cembranelli, enquanto isso, destacava para os jurados a experiência de 24 anos, como perita, da testemunha. E aproveitava o depoimento para questioná-la sobre possíveis alegações da defesa na estratégia de desacreditar os laudos criminais.

Pela segunda vez durante o julgamento do caso um dos sete jurados se manifestou. Ele pediu ao juiz para fazer uma pergunta à testemunha. O jurado disse que queria saber se a camiseta examinada pela perícia era a que Nardoni usava na noite do crime. “Sim. Sabemos que era ela pelas imagens da televisão”, disse Rosângela.

Original em: http://www.estadao.com.br

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O criador da estrela do júri

Fábio Fogassa, de 31 anos, fez a maquete do Edifício London que provocou alvoroço durante o julgamento e foi até danificada por testemunha

Por enquanto, a maquete que virou estrela no julgamento dos Nardonis não rendeu novos clientes ao autor. “Só me ligaram amigos, para dar parabéns”, conta Fábio Fogassa, que fez um precinho especial para o Instituto de Criminalística São Paulo. Diz ele que pensou no investimento, não no lucro.

Por uma maquete como a do Edifício London (1,30m de altura, 1,70m de largura e 1,50m de profundidade) e a do apartamento onde o réus moravam (1m de altura por 1m de largura), Fogassa cobraria algo entre R$ 20 mil e R$ 60 mil. Então, as duas maquetes do caso podem ter saído por uns R$ 40 mil?

“Quem disse que o valor está dentro desse limite? Eu posso ter cobrado abaixo disso; posso até ter pago, em vez de ter cobrado…”, diz.

Críticas. Estrela no meio da constelação de magistrados, a maquete foi criticada, chegou a ser agredida involuntariamente por uma testemunha e até acusada de promover o atraso no segundo dia de julgamento.

“Mentira!” reage Fogassa, de 31 anos. “Começamos a montagem por volta das 8h15 e não levamos mais de 10 minutos.” A Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça afirma que, por volta de 9h, horário marcado para o início da sessão, ainda havia gente mexendo na maquete. O julgamento começou às 10h15.

Ao oferecer um abatimento no preço para o Instituto de Criminalística, Fogassa não pensou apenas na publicidade indireta, mas no ineditismo da situação. “Não existe na história recente o registro do uso de maquetes em julgamentos. Queríamos ser os primeiros”, diz o maquetista (não é “maqueteiro”).

De fato, a perita Carla Campos, que trabalha na superintendência da Polícia Científica (da qual o IC é subordinado), diz que o pedido do promotor Francisco Cembranelli foi uma surpresa. “Não tínhamos recursos técnicos para a execução da maquete. O próprio doutor Cembranelli teve de nos indicar uma empresa especializada”, diz.

Em seus 30 anos de experiência, o desembargador Nélson Calandra, ex-presidente da Associação Paulista dos Magistrados, diz que não se lembra de ter visto um recurso técnico tão apurado. “Já vi até simulação, mas, maquete, não me recordo. Em um caso desses, em que não há prova testemunhal, o aparato técnico é importantíssimo. Se não fosse por ele, precisaríamos supor uma porção de situações e, ao fim, os réus seriam absolvidos por falta de provas.”

Três funcionários de Fogassa estiveram no Edifício London para “tirar as medidas”. Como o apartamento dos Nardonis está judicialmente lacrado, eles usaram como modelo uma unidade idêntica, em outro andar.

Dubai. Festejada no mundo, a Adhemir Fogassa tem em seu currículo trabalhos como a maquete da vila olímpica de 2016 (R$ 230 mil), do Shopping Cidade Jardim (R$ 800mil) e a do World Trade Center paulistano (R$ 140 mil). Adhemir, de 56 anos, pai de Fábio, começou a montar maquetes em 1973 e se aposentou em 2008.

O site da empresa oferece quatro opões de línguas, entre elas o árabe. Sim, Fogassa chegou a Dubai. A Ferrari encomendou a maquete de um parque temático de 80milm².

Até o irmão de Osama Bin Laden, o xeque Tarek Mohamed Bin Laden, tornou-se cliente. Em 2008, ele encomendou a maquete de um prédio misto, com 1,5m por 1,5m. Custaria R$ 50 mil, mas Fogassa, de olho no mercado árabe, despachou a obra por R$ 35 mil.

Original em: http://www.estadao.com.br

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Sede do IC vai ser inaugurada em Penápolis na Sexta-Feira

Prédio próprio do Instituto de Criminalística fica na rua João Fatori, 50

Penápolis – A Prefeitura de Penápolis vai inaugurar nesta sexta-feira (26), às 9h, a sede do IC (Instituto de Criminalística), localizada na rua João Fatori, 50, ao lado da delegacia de polícia da cidade. Apesar de o prédio já ter sido ocupado pela equipe da Polícia Científica, a inauguração oficial será realizada com a presença de autoridades municipais, profissionais da área e comunidade.

A construção do prédio próprio para o IC é resultado de convênio entre a Prefeitura de Penápolis e a Secretaria de Segurança Pública do Estado, que destinou R$ 500 mil para a obra. O município doou o terreno.

A Polícia Científica trabalhava em salas da delegacia, em condições precárias. A sede é composta por 18 salas, divididas em área de espera, plantão, expediente, informática, espaço para reunião, almoxarifado, laboratórios de fotografia, desenho, imagem e som, peças, toxicologia, entre outras. Também foram construídos seis banheiros adaptados para pessoas com necessidades especiais e 105 metros quadrados de estacionamento coberto.

ATENDIMENTO
Para o responsável pela equipe de perícia criminal de Penápolis, Aparecido Dias Pereira, a construção da sede melhorou muito as condições de trabalho da equipe. “Há 17 anos atuo como perito criminal em Penápolis e somente agora temos uma estrutura que possibilita organizar nossos materiais, os arquivos próprios, espaço para cada profissional, entre outros benefícios”, afirmou.

O Instituto de Criminalística de Penápolis atende a um total de 13 municípios, correspondentes ao trecho da rodovia Marechal Rondon que vai de Avanhandava a Coroados; da rodovia Assis Chateaubriand, que vai de Santópolis do Aguapeí a Barbosa, além das vicinais e estradas rurais. (Com informações da assessoria da Prefeitura)

Original em: http://www.folhadaregiao.com.br

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‘Caso Nardoni: há certeza de justiça?’

Quando a tragédia ocorrida com a pequena Isabella Nardoni ganhou a mídia, sem pestanejar passamos a emitir, com base nas informações preliminares, nosso pré-julgamento sobre o caso e, sinceramente, raros foram os que não acompanharam a opinião da massa que, imediatamente, condenou o pai da garota, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Ana Carolina Jatobá.

Presos desde então, o casal aguardava o momento de ter sua situação jurídica em definitivo resolvida. Culpados ou inocentes? Isso é o que o júri popular, formado, nesse caso, por quatro mulheres e três homens, vai decidir nesses próximos dias, após ouvidas dezesseis testemunhas e as devidas sustentações orais da promotoria e da defesa.

Cidadãos comuns, os integrantes desse júri, ante a repercussão do caso, já devem ter, cada um, sua pré-opinião. Certamente, em suas consciências, já os culparam ou os absolveram. Mas suas opiniões, antes de comporem o atual conselho de sentença, eram meras especulações pessoais. Agora, diante do conjunto probatório sustentado por defesa e pela acusação e integrando o órgão jurisdicional, essas especulações pessoais resultarão na sentença que definirá o futuro dos acusados.

Mesmo depois de todo trabalho da perícia oficial e dos peritos particulares, o que de fato se passou naquele quarto no sexto andar do Edifício London em 29 de março de 2008, no momento da morte da pequena Isabella, ninguém, além dos que protagonizaram a cena, jamais saberá. E se não há como saber o que se deu no mundo físico, naquele quarto, que dizer das reais motivações para o crime? Como chegarão os jurados a uma decisão realmente justa?

A defesa se valerá justamente dessa incerteza de acontecimentos para alegar que, na dúvida, os réus não podem ser considerados culpados. Já a promotoria, com vídeos, maquetes e demais artifícios tecnológicos, tentará reconstruir sua versão para o crime, levando os jurados a condenarem os Nardoni. Vencendo defesa ou acusação, como teremos certeza que se operou a justiça?

A resposta é simples: a decisão, seja qual for, será presumidamente justa. Não há como ter certeza plena de justiça! Os jurados terão a missão muito mais de avaliadores das atuações de promotor e do advogado de defesa do que, realmente, de decidirem se o casal Nardoni executou o crime naquele fatídico dia. A tarefa será não de julgar o que ocorreu em 26 de março de 2008. A sentença será o reflexo de quem melhor se saiu nesses dias de julgamento. A verdade, de verdade, pouco importa. O que vale é a atuação naquele teatro da vida real.

Se os jurados forem influenciáveis, ganhará o páreo o mais inclinado a emocionar. Se forem racionais, o que melhor articular fatos, circunstâncias e provas sairá vencedor. Se forem legalistas, aquele que demonstrar maior conhecimento processual terá a vitória. Mas, se os jurados tiverem apenas coração e fizerem do senso comum seu guia, como a maior parte da população, é difícil desfazer o pré-julgamento e, justo ou não, será praticamente impossível à defesa evitar que Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá passem muitos e longos anos privados de sua liberdade.

Original em: http://oglobo.globo.com

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Segundo dia de julgamento do casal Nardoni terá quatro depoimentos

 

Alexandre Nardoni sai do Cadeião de Pinheiros rumo ao Fórum de Santana - Imagem GloboNews TV

SÃO PAULO – Quatro testemunhas serão ouvidas nesta terça-feira, segundo dia do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Três delas servem tanto à defesa quanto à acusação por terem participado das investigações do assassinato da menina Isabella Nardoni, 5 anos: o médico legista Paulo Sérgio Alves, a delegada Renata Pontes e a perita criminal Rosângela Monteiro, coordenadora da equipe do Instituto de Criminalística (IC) que elaborou o laudo da cena do crime. O PM Luiz de Carvalho, primeiro a chegar ao edifício London, onde o crime ocorreu, também será ouvido.

 

O casal já está no Fórum de Santana, aguardando a abertura do júri. Alexandre Nardoni dormiu no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, o Cadeião de Pinheiros, na Zona Oeste, e Anna Carolina Jatobá na Penitenciária Feminina do Carandiru, na Zona Norte da capital paulista. De calça marrom e camisa branco, aparentemente sem algemas, Alexandre foi levado para o Fórum pouco depois de 8h. O carro da Secretaria de Administração Penitenciária que levava Anna Carolina Jatobá chegou logo atrás. O julgamento deve ser retomado às 9h.

Os jurados, que não podem ter contato externo, ocuparam quartos do Fórum de Santana, onde o casal está sendo julgado pelo 1º Tribunal do Júri. As testemunhas dormiram em quartos do Fórum da Barra Funda, entre eles a mãe de Isabella, Anna Carolina Oliveira.

O promotor Francisco Cembranelli considerou lamentável o pedido da defesa do casal Nardoni para que Ana Carolina Oliveira, na condição de testemunha, dormisse no Fórum . O pedido foi feito pelo advogado Roberto Podval, logo após o depoimento de Ana Carolina. Ele alegou que pode haver necessidade de acareação entre a mãe de Isabella e o pai.

Ana Carolina Oliveira foi a primeira a depor ao Tribunal do Júri e arrancou lágrimas de uma jurada ao contar sobre a morte da filha. Ela disse que Alexandre era violento e chegou a ameaçar de morte a ela e à mãe.

 

Ana Carolina Oliveira chega para depor

Afirmou ainda que Anna Carolina Jatobá tinha ciúmes dela e de Isabella, pois a menina recebia mais atenção dos pais de Alexandre do que os dois filhos do casal.

– Considerei lamentável. É desumano. Além de perder a filha ela será privada de assistir ao julgamento dos assassinos de sua filha. Ela vai sofrer bastante por ficar sozinha e absolutamente isolada – disse ele, lembrando que Ana Carolina estava sendo acompanhada por um psicólogo.

A ideia era que Ana Carolina fosse dispensada após o depoimento e participasse do julgamento ao lado da família, na plateia.

 

Original em: http://oglobo.globo.com

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Motorista do assassino de Glauco é indiciado

Amigo de Nunes, que matou cartunista, é acusado de ter sido partícipe do crime; segundo delegado, ele facilitou entrada do criminoso na casa

O estudante Felipe de Oliveira Iasi, de 23 anos, foi indiciado ontem como partícipe do assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, de 53, e de seu filho Raoni, de 25. Segundo a Polícia Civil, no último dia 12, o rapaz contribuiu para que o amigo Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, matasse as vítimas a tiros. O crime aconteceu em Osasco, Grande São Paulo.

Iasi deve responder ao processo em liberdade. O indiciamento como partícipe não é igual à coautoria, em que a pessoa ajuda o assassino a matar a vítima. O estudante foi ouvido ontem durante duas horas pelo delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Osasco. Ao deixar o prédio da Delegacia Seccional, às 16h45, acompanhado da mãe, Eneida, e do padrasto, Antonio Lima, o rapaz não quis falar com jornalistas, mas fez um breve desabafo. “Estou revoltado. Sou inocente”, disse. Em seguida, entrou no carro de seu advogado, Cássio Paoletti.

De acordo com Veras Júnior, a contribuição de Iasi no crime foi ter pulado o muro e aberto o portão da chácara onde o cartunista vivia com a família, facilitando assim a entrada de Nunes. “Ele poderia ter alertado as vítimas. Estava o tempo todo com o telefone celular e também poderia, se quisesse, ter avisado a polícia”, argumentou o delegado.

Em seu primeiro depoimento, prestado dia 14, Iasi alegou ter sido sequestrado por Nunes e obrigado a levá-lo, em seu Gol cinza, à casa de Glauco. Veras Júnior afirma que apurou, no entanto, que durante o trajeto o carro de Iasi cruzou com um veículo da PM e que nada fez para comunicar o fato. Iasi disse ainda ter fugido da chácara antes de Nunes matar as vítimas, em um momento de distração do acusado.

Ajuda. A Polícia Civil, porém, diz ter apurado que Nunes não fugiu a pé. Iasi é suspeito de ajudá-lo a escapar. O Gol do estudante foi apreendido para ser periciado. Integrantes do Instituto de Criminalística (IC) procuravam, ontem, no carro, vestígios de pólvora ou de sangue.

Veras Júnior também aguarda a análise do GPS do Gol para saber o horário e qual itinerário Iasi fez no retorno de Osasco. O rapaz afirmou que, depois de fugir, foi para casa, dormiu às 6h, acordou às 10h, ligou o computador, acessou a internet, soube dos crimes e avisou sua mãe. Ambos tiveram o sigilo telefônico quebrado pela Justiça. O mesmo foi feito com Nunes.

O padrasto de Iasi disse ontem na delegacia que seu enteado é vítima de Cadu. “Ele é inocente e disse a verdade em seus depoimentos”, argumentou Antonio Lima. Paoletti afirmou que vai recorrer contra o indiciamento com pedido de habeas corpus à Justiça. O advogado chamou o delegado Veras Júnior de arbitrário: “Ele não me deixou tirar cópia dos autos. No inquérito não há laudos técnicos nem provas contra meu cliente”, completou Paoletti.

Foz do Iguaçu. Ontem, o irmão e o pai de Nunes o visitaram na Polícia Federal de Foz do Iguaçu (PR), onde ele está preso desde o dia 14. De acordo com a PF, a visita teve início às 9 horas e terminou 15 minutos depois. Nesse tempo, o pai e o irmão do preso entregaram produtos de higiene e conversaram com o jovem.

Ainda não há informações sobre uma eventual transferência do preso para São Paulo, pois ele responde no Paraná por tentativa de homicídio – ao fugir, ele feriu um policial durante uma troca de tiros. O episódio aconteceu quando o estudante foi abordado por policiais rodoviários em Foz do Iguaçu. Na ocasião, ele tentava fugir para o Paraguai. O policial passa bem.

Nunes é conhecido da família das vítimas e frequentava a Igreja Céu de Maria, adepta dos princípios do Santo Daime, fundada por Glauco. Ele afirmou à polícia que no dia do crime pretendia levar o cartunista até sua mãe, para que ele confirmasse que o irmão é a reencarnação de Jesus Cristo.

PARA ENTENDER

Juiz decide pena de partícipe

Partícipe
É o indivíduo que colabora para a execução de um crime. No caso de Iasi, a polícia o considera partícipe porque ele abriu o portão da chácara do cartunista para a entrada do criminoso

Coautoria
Ele não deve ser confundido com coautor de homicídio, ou seja, aquele que ajuda alguém a matar alguma vítima

Pena
É mais branda do que para o autor do homicídio. O juiz é quem decide a pena, levando em consideração se o acusado é primário, tem emprego e residência fixa. O partícipe de homicídio é enquadrado no artigo 121 combinado com o artigo 29 do Código Penal.

Original em: http://www.estadao.com.br

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Testemunha aparece e surpreende defesa do casal Nardoni

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou nesta segunda-feira (22) com revés para os acusados. Uma testemunha que não era encontrada apareceu por conta própria, surpreendendo até a defesa, e o juiz Maurício Fossen, que negou os pedidos de nulidades formulados pelo advogado Roberto Podval, deu início aos trabalhos com duas horas de atraso, às 15 horas.

Podval reiterou os mesmos pedidos feitos no mês passado em habeas corpus entregue ao Tribunal de Justiça de São Paulo – simulação das teses sustentadas pela defesa; comparação da tela retirada da janela do apartamento do casal com a usada pela perícia; reexame dos lençóis e contraprova do sangue do casal. Entre as solicitações estava ainda levar o júri para conhecer o Edifício Residencial London, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de São Paulo), onde morreu Isabella Nardoni em março de 2008. A defesa queria ainda repetir a reconstituição do crime.
Anteriormente, o desembargador Luís Soares de Melo já havia indeferido os pedidos da defesa, por não vislumbrar nenhuma irregularidade na perícia oficial. A defesa do casal também solicitou a transmissão do júri, o que foi negado por Fossen.

Após análise dos pedidos preliminares, o juiz deu início à escolha dos sete jurados. Dos 40 convocados a comparecer ao Fórum Regional de Santana, na zona norte, 28 se apresentaram. A defesa vetou uma mulher, que declarou ser mãe de gêmeos. O promotor Francisco Cembranelli também recusou uma mulher. O conselho de sentença acabou composto por quatro mulheres e três homens. Cinco deles disseram que nunca haviam participado de um júri.

Das 23 testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação, sete acabaram dispensadas. A assistente de acusação desistiu da oitiva de Rosa Cunha de Oliveira, avó materna de Isabela. A defesa do casal abriu mão de Geralda Afonso Fernandes, que teria ouvido uma voz infantil dizendo “Para, pai!”, dos escrivães Paulo Vasan Geu e Adriana Mendes Porusselli e dos investigadores Luiz Alberto Spinola, Waldir Teodoro Mendes e Cláudia Mercado.

Chefe dos investigadores do 9º Distrito Policial, Spinola ficou decepcionado ao saber que estava dispensado. “Gostaria de ficar só para detonar esse casal”, afirmou. “Não conheço um advogado que entenda o motivo da minha convocação. Na minha opinião era um suicídio para a defesa.”

O policial disse ainda que os advogados do casal se surpreenderam com a apresentação do pedreiro Gabriel dos Santos Neto, tido como uma das mais importantes testemunhas da defesa. Ele trabalhava como pedreiro em uma obra vizinha ao London e, na época do crime, declarou à polícia que o canteiro havia sido invadido por um ladrão no dia do crime. Diante das dificuldades em intimá-lo, o advogado Podval cogitou pedir o adiamento do júri. “Ele ficou sabendo do julgamento pela televisão, tomou um ônibus na Bahia e se apresentou espontaneamente no Fórum hoje, às 10h30”, contou Spinola. “Isso quebrou as pernas da defesa do casal.”

O depoimento mais aguardado do dia, o de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabela, começou por volta das 19h30 – e até as 20h30 não havia terminado. A expectativa é de que na sequência os trabalhos fossem interrompidos – a retomada deve ocorrer na manhã desta terça-feira (23).

PRÓXIMOS PASSOS – Apesar da demora inicial de hoje, acredita-se que os trabalhos sejam concluídos nesta semana. Depois da fase dos depoimentos, será a vez dos debates entre a acusação e a defesa. Cada um terá o direito de falar por duas horas e meia. Se a promotoria quiser, poderá usar mais duas horas para réplica, o que automaticamente dará direito à defesa de usar o mesmo tempo para tréplica.

Terminado o debate, os jurados serão questionados pelo juiz se têm condição de julgar o caso e se querem alguma explicação. Se o júri responder que sim, todos passarão à sala secreta e decidirão o destino do casal.

Em caso de condenação, dificilmente os réus terão o direito de recorrer em liberdade. Se forem absolvidos, o juiz Maurício Fossen terá de emitir um alvará de soltura ao término da sessão.

Original em: http://jcrs.uol.com.br

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Peritos do IC e do IML fazem greve de advertência

Eles pedem equiparação salarial com os delegados da Polícia Civil; os trabalhos vão voltar ao normal nesta terça-feira

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Medicina Legal (IML) fazem, nesta segunda-feira (22), uma greve de advertência. Em frente ao IC, no bairro de Campo Grande, os servidores fizeram um protesto.

Peritos e médicos legistas pedem equiparação salarial com os delegados da Polícia Civil. Com a paralisação, nenhuma perícia será feita hoje. Além do IC, as delegacias de polícia também estão com as atividades reduzidas durante todo o dia. Somente os flagrantes estão sendo registrados.

IML
No início na tarde, o necrotério estava com 32 corpos para serem examinados. De acordo com o Sindicato dos Peritos e Médicos Legistas, somente terça-feira (23) os trabalhos vão voltar ao normal. A Secretaria de Defesa Social não confirma o número de corpos e vai enviar um ofício para o gestor do IML para investigar o caso.

Original em: http://pe360graus.globo.com

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Mãe acusada de colocar cocaína na mamadeira da filha passou 37 dias presa

SÃO PAULO – Daniele Toledo do Prado passou 37 dias presa na Cadeia Pública de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Na prisão, apanhou por cerca de 4 horas seguidas de outras detentas. Teve a mandíbula fraturada e uma caneta enfiada no ouvido, além de ficar com diversos hematomas no rosto, 85% da visão e 70% da audição direita comprometidas. Ela foi acusada de ter colocado cocaína na mamadeira da filha, Victoria Maria do Prado Iori, de um ano e três meses, que morreu em 29 de outubro de 2006 em Taubaté.

A menina chegou ao hospital com vômitos, crise convulsiva e síndrome de ausência (não reagia a estímulos de dor, tinha pressão e batimento cardíaco baixos). A acusação foi feita após uma médica e uma enfermeira que atenderam a criança terem relatado a existência de um ‘pó branco’ na boca da menina.

O laudo preliminar, feito no Instituto Médico Legal de Taubaté, onde Victoria morreu, apontou overdose de cocaína no leite. Foi com base neste laudo que a prisão de Daniele foi decretada. Mas o exame definitivo e, depois, o da contraprova, deram negativo.

Laudos de três testes realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) comprovaram que a mamadeira não continha qualquer tipo de droga.

Em setembro de 2008, a Justiça absolveu Daniele. A mulher move ação contra o estado. A causa da morte da criança é considerada ignorada.

Original em: http://oglobo.globo.com

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Nova delegada da Homicídios quer delegados em todos os locais de morte em Curitiba

Vanessa Alice assumiu chefia na Homicídios e tem o desafio de enfrentar os índices elevados de violência registrados na capital. Ela é a primeira mulher a ocupar o cargo na delegacia

Operações conjuntas com a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) e a presença dos delegados em todos os locais de morte. Estas são duas medidas que a delegada Vanessa Alice pretende estabelecer na Delegacia de Homicídios (DH). Desde a última semana, ela substitui o delegado Hamilton da Paz no comando da DH. Ela é a primeira mulher a ocupar o cargo de chefia na Homicídios.

Vanessa assume a delegacia em um momento em que os números da violência têm batido recorde em Curitiba e região (RMC). Nos dois primeiros meses do ano, 411 mortes violentas foram registradas. Apenas na capital, são pouco mais de 200 crimes fatais cometidos em janeiro e fevereiro. Para a delegada, o uso de entorpecentes e o aumento populacional são os principais fatores ligados aos índices elevados de mortes.

Ela já trabalhou por três anos na DH. Desde 1997, quando entrou na Polícia Civil, também passou pela Delegacia do Adolescente, Estelionato e Roubo de Cargas, 1º e 7º Distritos Policiais e Cope. Nestes locais, sempre atuou como delegada operacional ou adjunta. Vanessa recebeu a reportagem da Gazeta do Povo On-line na sede da DH, no Centro de Curitiba, e conversou sobre o aumento da violência na capital e os principais objetivos que possui ao assumir a nova função. Confira a entrevista:
Quais são os principais desafios ao assumir a Delegacia de Homicídios?
A delegacia trabalha exclusivamente com crimes contra a vida. O objetivo é a proteção da vida e este é o nosso principal bem. É uma delegacia de suma importância entre as unidades policiais da cidade. Inicialmente meu maior desafio é organizar as equipes para continuar o trabalho que estava sendo realizado. Eu pretendo implantar a presença do delegado de polícia nos locais de crime, porque eu entendo que, dessa forma, nós conseguimos um maior índice de elucidações.

Os dois primeiros meses do ano registraram índices recorde de violência em Curitiba e região. Como a senhora enxerga este quadro? Existe algum tipo de meta de redução estabelecida?
Eu atribuo o aumento no número de homicídios ao crescimento da população e ao uso de substâncias entorpecentes. A violência está relacionada a isso. O crack está vitimando várias pessoas e famílias. Estas são as maiores causas para os crimes na capital. Eu pretendo, no decorrer do trabalho, realizar operações em conjunto com o Denarc (Divisão Estadual de Narcóticos) para tentar coibir o uso de entorpecentes que está diretamente ligado aos homicídios.

Além do aumento no número de mortes violentas, percebe-se que mulheres e jovens estão se envolvendo mais com esses crimes. Em sua opinião, por que isso ocorre?
Realmente está crescendo o número de jovens, adolescentes e mulheres como autores e vítimas dos crimes. Como já disse, muitas destas pessoas estão ligadas às drogas. Algumas mulheres são companheiras de homens com histórico de tráfico de drogas e acabam participando ativamente das atividades irregulares. Isso contribui bastante para esta taxa de participação nos homicídios.

Como avalia os primeiros dias no comando da delegacia?
Houve uma transferência de muitos delegados e investigadores daqui (Delegacia de Homicídios) para o Cope (Centro de Operações Policiais Especiais) e vice-versa. Nestas primeiras semanas, buscamos reformular as equipes, trazer delegados novos, enfim, montar esta nova equipe da delegacia que vai trabalhar daqui para frente. Depois, já com tudo certo, vamos estipular os objetivos, como, por exemplo, a presença do delegado no local de crime. Também teremos equipes de investigação que vão permanecer na delegacia aguardando as ocorrências para atendimento.

Como será a relação da senhora com a imprensa?
Normal como sempre foi. Eu já trabalhei com os jornalistas em outras ocasiões, inclusive aqui na Homicídios. A imprensa só contribui com o trabalho da polícia. Muitas vezes, até passa informações importantes para a elucidação dos crimes. Não haverá nenhum problema.

Original em: http://www.gazetadopovo.com.br

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