CPI das Crianças Desaparecidas realiza audiência na Assembleia

O tema do encontro são as medidas tomadas pelo Governo do Estado para a localização de crianças e adolescentes desaparecidos

De pé, os presentes fizeram um minuto de silêncio pela morte do ex-governador Geraldo Sampaio

Com o objetivo de discutir medidas a serem tomadas pelo Governo do Estado para a localização de crianças desaparecidas, foi realizada, na tarde desta segunda-feira (12), no plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas, uma audiência pública promovida pela CPI das Crianças Desaparecidas da Câmara Federal.

 

A mesa foi composta pelo presidente Casa, Fernando Toledo (PSDB), a presidente da CPI e criadora do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos Bel Mesquita e o deputado federal Antônio Chamariz (PTB). O secretário da Defesa Social, Paulo Rubim, a delegada Barbara Arraes, da Delegacia de Crianças e Adolescentes, a delegada Lucy Mônica, diretora do Departamento de Estatística e Informática da Polícia Civil (Deinfo), e o presidente do Conselho Estadual em Defesa da Criança e do Adolescente de Alagoas, Claudio Soriano, também estiveram presentes para apresentar dados e discutir soluções.

A sessão teve início com um minuto de silêncio, a pedido do presidente da Casa, pela morte do ex-governador Geraldo Sampaio. Em seguida, o secretário da Defesa Social, Paulo Rubim, usou a tribuna para esclarecer o papel da secretaria no combate ao desaparecimento de crianças e adolescentes. “Os números de desaparecidos aqui no estado não são assustadores, e a Secretaria de Defesa Social já deu um bom passo, que foi um convênio assinado junto com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) com um laboratório de DNA forense, para que as famílias que tenham entes desaparecidos possam realizar o exame gratuito, a fim de localizá-los e identificá-los”, esclarece Rubim.

Bel Mesquita: ‘As autoridades precisam enxergar este tema com mais seriedade e compromisso’

Quando questionado sobre a criação de uma delegacia especializada, o secretário foi sucinto ao afirmar que o estado não tem condições de fazê-lo. “Neste momento é inviável a criação de uma nova delegacia. Entretanto, o que devemos fazer é especializar os nossos setores com a finalidade de diminuir as causas pelas quais nossas crianças e adolescentes saem de casa de forma voluntária, causa maior dos desaparecimentos em Alagoas”, disse Rubim.

Contrapondo às ideias do secretário, a deputada Bel Mesquita e o parlamentar Antônio Chamariz frisaram a importância da criação da delegacia. “Encontramos aqui o mesmo que temos encontrado nos demais estados visitados: descaso e desarticulação dos elos de proteção à criança e ao adolescente. As autoridades precisam enxergar este tema com mais seriedade e compromisso”, alegou Bel Mesquita.

Quanto ao fato de Alagoas apresentar um número ‘reduzido’ de casos, a deputada foi enfática ao afirmar que basta o desaparecimento de uma criança para o número ser alarmante. “Isso não existe. O desaparecimento de uma criança já é o suficiente para assustar, principalmente quando é nosso filho. As autoridades deveriam pensar desta forma e se colocar na realidade daqueles que perdem seus filhos”, desabafou.

Números

As delegadas Barbara Arraes e Lucy Mônica apresentaram os dados durante a audiência. “A importância da vinda da CPI se reflete principalmente no despertar para a temática. Pela primeira vez nós realizamos uma estatística envolvendo esta questão e isto contribui para uma conscientização da sociedade em geral”, destacou a delegada Lucy Mônica.

De acordo com os dados apresentados, de 2005 a 2009 foram registrados 131 casos de desaparecimentos na capital alagoana. Já em 2010, 12 casos foram notificados, sendo que todos já foram solucionados. O relatório explica ainda que o número de adolescentes do sexo feminino é bastante considerável. “O número de adolescentes do sexo feminino entre 12 e 17 anos é assustador. Durante a infância, encontramos um número maior de meninos. Geralmente os causas estão ligadas à má convivência familiar”, declarou Bárbara.

Presença do menino Serginho

O menino José Sérgio Guedes da Silva, que foi encontrado em Campos dos Goytacazes (RJ) depois de ter sido sequestrado há dois anos em União dos Palmares, e seus pais, José Heleno Guedes da Silva e Eliane Santos da Silva também estiveram presentes na audiência. O pai do garoto demonstrou a satisfação e felicidade pelo drama familiar ter servido como alerta para o estado. “Fico muito feliz por esta audiência está sendo realizada. Isto fará que medidas sejam tomadas para que outras famílias não sofram o que nós sofremos. É muito gratificante poder ajudar, de alguma forma, as pessoas”, encerrou José Heleno.

Menino Serginho e seus pais estiveram presentes na audiência

Original em: http://gazetaweb.globo.com

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