PM que confundiu furadeira com arma é indiciado por homicídio doloso

Inquérito foi enviado para o Ministério Público nesta quarta-feira (28).
Hélio Barreira morreu durante uma operação do Bope no Andaraí.

A polícia encerrou o inquérito da morte do supervisor de vendas Hélio Barreira, que foi baleado em maio no terraço de casa, no Andaraí, Zona Norte do Rio, depois que um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) confundiu a furadeira que ele tinha na mão com uma arma.

Segundo a delegada Leila Goulart, da 20ª DP (Vila Isabel), o cabo Leonardo Albarello foi indiciado por homicídio doloso, quando há a intenção de matar.

“Ele teve a intenção de matar, estava no local, numa incursão, visualizou o que poderia ser uma arma, não tinha como distinguir e atirou. Agora, quanto ao erro, por se tratar de uma furadeira, isso cabe ao Ministério Público e o juiz analisarem”, explica a delegada.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público nesta quarta-feira (28), mas ainda não foi analisado por promotores do órgão.

Laudo
No início do mês, a Polícia Civil do Rio divulgou o laudo da reconstituição do crime. No documento, os peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) admitem que, “nas circunstâncias em que ocorreu o evento, era possível o policial ter confundido a furadeira de cor escura empunhada com uma arma de fogo”.

Para chegar a essa conclusão, os peritos afirmam que, pela distância de 28 metros da posição do policial do Bope para a casa de Hélio, e pela “influência dos raios solares”, seria possível o policial ter percebido apenas uma “silhueta do objeto”. A luz do sol e a distância são apontados pelos peritos, “essencialmente”, como fortes obstáculos “para uma precisa e rápida identificação” do objeto. No dia do crime, o policial participava de uma operação no local.

Os peritos ressaltam no laudo que chegaram a essa conclusão mesmo “sem a adrenalina inerente de uma operação policial e sem a necessidade de velocidade de interpretação” que o PM precisa ter durante uma ação. Além disso, os peritos ainda acrescentam que vasos de plantas do “tipo xaxim”, que estavam pendurados no terraço onde Hélio Ribeiro foi baleado, teriam bloqueado a luminosidade no local e contribuído para o policial ter confundido a furadeira com uma arma.

Como foi
Os policiais faziam uma operação próxima à vila onde morava Hélio Ribeiro, à procura de traficantes do Morro do Borel, na Tijuca, que estariam escondidos no Morro do Andaraí.

Ele estava no terraço usando uma furadeira e, segundo testemunhas, o policial do Bope atirou a uma distância de 40 metros, achando que a furadeira era uma arma. Hélio foi atingido e morreu.

Segundo a família, o policial atirou sem falar nada. Já a PM deu outra versão. De acordo com o capitão Ivan Blaz, do Bope, foi dado um grito de alerta para o morador, que fez um movimento brusco e o policial fez o disparo.

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