Perícias devem ser entregues na segunda

Os resultados das perícias dos Institutos de Medicina Legal (IML) e de Criminalística (IC) realizadas no corpo e no veículo do professor Paulo Sperança, 53, assassinado na madrugada do último domingo deverão chegar às mãos da delegada Sylvana Lelis, responsável pelo inquérito, segunda-feira.

Fontes da Secretaria de Defesa Social informaram ao Diario que o crime teve motivação passional e a principal suspeita já foi identificada. Com os laudos, a polícia deverá ter provas e não mais indícios de quem teria matado o professor com pancadas e facadas. E se essa pessoa teve ajuda de um ou dois cúmplices.

A polícia informou que pode ter havido luta corporal e que o assassino poderá ser identificado através do material genético. Os resíduos encontrados debaixo da unha do professor já foram encaminhados para outro estado, onde será feita a análise de DNA. A previsão é de que o laudo fique pronto em até 30 dias. Ainda de acordo com a polícia, Paulo Sperança teria sido assassinado no banco do passageiro – onde havia mais sangue – e, em seguida, duas ou três pessoas o teriam colocado no banco de trás do veículo.

Sperança foi encontrado com cortes nas palmas das mãos, um hematoma no braço esquerdo e com o lábio superior inchado e roxo (possível marca de murro), além das sete facadas. No carro da vítima foram encontrados um cano de ferro, um chumaço de lã, uma garrafa com resquícios de gasolina e cordões de tecido que serviriam para amarrá-lo. Além de um par de luvas, que passou pelo exame de papiloscopia na parte interna para a identificação das digitais. Esse exame já está com a delegada. As imagens do sistema de segurança do Shopping Center Recife que teriam registrado o último passeio do professor com a sua esposa e sogra, ainda no sábado, não foram solicitadas pela delegada à Justiça para serem entregues.

Na manhã de ontem, o vigilante que chamou a polícia para alertar sobre o veículo do professor que teria sido abandonado na porta da empresa em que trabalha, no último sábado, prestou depoimento à delegada Sylvana Lelis.O depoimento pode ajudar a esclarecer se Paulo foi ou não assassinado no local onde o corpo foi achado. Essa semana também prestaram depoimentos oficiais, Vitor Rossiter, filho da vítima, e a psicopedagoga Ana Terezinha Zanforlin, 50, última esposa de Paulo, que conversou com a delegada durante 14 horas. Os depoimentos vão subsidiar a conclusão do inquérito juntamente com outros indícios coletados pela delegada durante a investigação. Entre eles, uma gravação telefônica que indica uma relação conturbada da vítima com Ana Terezinha.

Na ligação, acusações mútuas de infidelidade apontam um médico como amante da psicopedagoga e uma aluna com quem Paulo teria um relacionamento amoroso. Os personagens também serão intimados a prestar esclarecimentos à delegada. Além da gravação, durante a vistoria feita no apartamento em que o professor residia, no bairro da Torre, um recado escrito pelo próprio Sperança dizia que se algo lhe acontecesse determinadas pessoas deveriam ser avisadas. O professor passou a temer ser assassinado depois que sobreviveu a um atentado, em dezembro passado, quando foi atingido por dois disparos ao passar pela Avenida Recife. Assustado, desde então o professor adquiriu a síndrome do pânico e andava com um colete à prova de balas. Ao prestar depoimento sobre o caso, teria dito que uma mulher com quem se relacionou seria a provável suspeita. A polícia não concluiu o inquérito. Ontem à noite, familiares, amigos e alunos se reuniram na Paróquia Nossa Senhora de Boa Viagem para a missa de sétimo dia. “Nesse momento estamos todos juntos. Só assim podemos confortar um ao outro”, disse Fátima Mello, 49, irmã do professor.

Origina em: http://www.diariodepernambuco.com.br/

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