Violência urbana: cresce número de chacinas em AL

Este ano, Alagoas registrou 25 ocorrências com mais de uma morte, sendo 5 com triplo homicídio e uma com 4 vítimas
A chacina que aniquilou três adolescentes e um rapaz de 24 anos, no Benedito Bentes, no último fim de semana, chama a atenção para uma das modalidades de crime mais perversas. Pistoleiros que não perdem a viagem assassinam a granel. Não importa quem esteja por perto, a bala “come no centro” e é corpo caindo para todo lado. Sejam execuções, latrocínios ou tiroteios, Alagoas registra este ano um notável aumento nos casos de duplos homicídios e de chacinas.

Em todo o ano passado, o Instituto de Criminalística (IC) registrou 15 casos de duplo assassinato e nenhuma chacina. Já em 2010, até o último dia 17, o índice saltou para 25 ocorrências com mais de uma morte, sendo cinco chacinas com triplo homicídio e uma com quatro vítimas. O secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, descarta a existência de grupos de extermínio e atribui a maioria dos óbitos a desavenças entre bandidos, sobretudo por causa do tráfico de drogas.

Bandidos não poupam inocentes

A imagem dos quatro cadáveres juvenis deitados no fundo da barreira dá arrepios. Jazem tão bem arrumados que até parece que ainda estão vivos. Quatro outros garotos observam do alto, num momento eternizado pela foto da jornalista Porlane Santos, da Gazetaweb. Não precisa ser perito para concluir que a chacina do Benedito Bentes foi uma execução sumária, realizada com frieza por profissionais, sem dar chances às vítimas, rendidas e levadas para o leito de morte.

Um crime que foge das características dos homicídios cometidos na região. Segundo a delegada de homicídios, Rebecca Cordeiro, 90% dos casos que ela apura são execuções cometidas por traficantes e que seguem determinadas características. Nos acertos de contas do tráfico, as mortes são escancaradas, acontecem no meio da rua, num bar ou dentro da casa das vítimas. Por vezes, os matadores nem se preocupam em esconder os rostos.

Secretário diz não haver chacinas

O secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, destaca que quase todos estes casos com mais de uma morte estão relacionados com outros crimes. “São homicídios envolvendo desacertos entre bandidos, a princípio por tráfico de drogas, mas também por roubo de cargas ou assaltos, tirando os casos de crimes passionais, que são a minoria”, afirma.

Para Rubim, a violência urbana está com destaque na mídia porque virou o principal tema da campanha política. “Mas poucos dos candidatos mostram alguma alternativa”, critica o homem forte da segurança pública em Alagoas.
O titular da SDS afirma que a boa investigação policial é a melhor solução para combater estes casos de homicídios por atacado, bem como para reduzir a violência. Para tanto, depende de políticas sociais, tecnologia e reforço do número de policiais.

Original em: http://gazetaweb.globo.com/

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