Delegado ouve prima do noivo que matou esposa durante casamento e recebe laudos do IML e ITB

O delegado do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), Igor Leite, faz hoje a ouvida de uma prima de Rogério Damascena, o noivo que matou a esposa e um colega de trabalho durante a festa do próprio casamento no sábado passado, em um condomínio em Aldeia. O depoimento de Daniela Siqueira Brito está sendo ouvida na sede da delegacia, na Imbiribeira.

O delegado adiantou que já recebeu os laudos do Instituto de Medicina Legal (IML) e do Instituto Tavares Buril (ITB) e aguarda agora a perícia na arma do crime, entregue nesta quarta-feira ao Instituto de Criminalística (IC). Leite disse ainda que não vai revelar horário nem local do depoimento da mãe de Rogério. Muito abalada, ela não quer ser assediada pela imprensa.

Na noite desta quarta-feira, após entrar em contato com o advogado da família da noiva, o pai de Rogério entregou a arma do crime, mantida escondida desde a madrugada do domingo. Assustado com a repercussão do caso e com as notícias de que a polícia estava fechando o cerco, o funcionário público João Bosco Damascena contratou dois advogados, que o instruíram a entregar a pistola calibre 380.

Segundo o novo depoimento de João Bosco à polícia, o filho tinha a arma há cerca de três anos. Ele teria dito aos advogados que não sabia que o filho iria cometer os crimes. O caso ainda não foi fechado, mas a polícia acredita que Rogério Damascena sofreu um surto psicótico movido por ciúme patológico.

O Gestor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Joselito Kehrle do Amaral informou que as investigações não indicam que o noivo tenha planejado os homicídios e o suicídio com muita antecedência. O delegado acredita que Rogério tomou a decisão de cometer os crimes entre as 20h do último sábado, quando chegou na festa com a noiva, e as 2h30 do domingo, quando pegou a pistola e efetuou os disparos.

A polícia ainda não explicou por que a arma estava na caminhonete de João Bosco. O veículo estava em posse do filho desde o dia anterior à festa. Também não foi esclarecido se Rogério costumava andar com a arma no veículo.

De acordo com Joselito Kehrle, João Bosco teria dito que sabia que o filho estava vivo quando tomou a iniciativa de esconder a pistola. “Ele diz que, num ato desesperado, retirou a arma do local porque o filho poderia sobreviver”, disse o delegado. Um dos advogados de João Bosco chegou a dar a mesma versão à imprensa, mas, em seguida, os advogados disseram que o cliente achava que o filho estava morto e que a arma foi retirada no intuito de evitar uma tragédia maior.

A pistola não está registrada no nome de nenhum dos dois. Por causa do novo depoimento de João Bosco, a polícia irá realizar mais diligências e ouvidas, que podem interferir no indiciamento. Mas, em princípio, o pai do noivo deverá ser indiciado por falso testemunho, porte ilegal e obstrução da Justiça. A entrega espontânea da arma livrou João Bosco da autuação em flagrante.

Original em: http://www.pernambuco.com

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