Tiroteio entre policiais civis e federais será refeito em 3D

A cena do tiroteio envolvendo equipes da Polícia Federal e da Polícia Civil, que acabou com a morte do agente federal Jorge Washington Cavalcanti, vai ser reconstituída com a ajuda da tecnologia 3D. Três peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), órgão central de perícia da Polícia Federal em Brasília (DF), chegaram ontem à tarde ao Recife trazendo um scanner de terceira dimensão. Com informações repassadas pelo equipamento, os peritos vão montar uma maquete em 3D, que vai possibilitar o confrontamento da veracidade das versões apresentadas pelas duas corporações. As comparações serão feitas através de simulação. O mesmo scanner já foi usado em investigações como a do acidente da TAM, que matou 199 pessoas em julho de 2007, no Aeroporto de Congonhas (SP).

Segundo informações confirmadas pela Polícia Federal, hoje os peritos voltam à cena do tiroteio, na BR-232, no bairro do Curado, em busca de novas provas que ajudem a explicar o que realmente aconteceu na troca de tiros. É provável que o grupo chegue até a BR à tarde, após uma reunião na sede da PF, no Cais do Apolo, pela manhã. O scanner será usado para mapear o posicionamento dos carros, além de mostrar a localização de obstáculos e de árvores. O tiroteio foi causado porque as equipes da PF e da Civil tinham o mesmo alvo em comum: o traficante Wagner Alves. Na ânsia por prendê-lo, os policiais acabaram se confundindo. Depois do incidente, as duas corporaçõe se acusam quanto ao início do tiroteio.

O equipamento de última geração funciona como um radar, emitindo ondas. Ele é capaz de guardar informações precisas, com um retrato de mais de 500 mil pontos por segundo. Mesmo que o crime tenha acontecido há muito tempo. Em alguns casos, o scanner pode ajudar a elucidar casos ocorridos há mais de quatro anos. O tiroteio entre as polícias completa oito dias hoje.

O mapeamento dos peritos deve ser concluído ainda hoje. Eles devem retornar à capital federal no final do dia ou mesmo amanhã. Em Brasília, o grupo vai repassar as informações para o computador, onde poderá verificar as possibilidades das versões informadas pelos policiais envolvidos nas operações e pelas testemunhas. A PF ainda não informou o prazo em que o laudo será concluído, mas a avaliação acontecerá em caráter de urgência. As imagens das câmeras das empresas localizadas na BR-232 próximas ao tiroteio não mostraram a sequência da operação.

Só o INC dispõe do scanner 3D no país. A primeira vez que a Polícia Federal utilizou esse tipo de recurso foi para esclarecer as circunstâncias do acidente da TAM. O objetivo era definir a rota do avião até o momento em que ele se chocou com um prédio na frente do Aeroporto de Congonhas. Na primeira tentativa, os peritos usaram uma escada do Corpo de Bombeiros para medir, manualmente, 30 pontos. Esse trabalho durou um dia inteiro. No dia seguinte, a máquina captou 4 mil pontos em cerca de cinco minutos.

Ontem, o delegado federal responsável pelas investigações sobre o tiroteio, Renato Cintra, prosseguiu com depoimentos. As declarações foram acompanhadas pelo procurador da República Leandro Bastos Nunes. A presença do Ministério Público Federal (MPF) é praxe em apurações da PF. Na última terça-feira, no entanto, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) entregou um ofício na Procuradoria Regional da República, pedindo que o órgão fique atento a possíveis parcialidades por parte da PF.

A Polícia Civil, que abriu sindicância para apurar a conduta dos policiais que participaram da operação, vai dar prosseguimento ao seu inquérito hoje. O corregedor auxiliar da Secretaria de Defesa Social (SDS), Paulo Jean Barros, vai ouvir duas testemunhas. Um pedreiro que passava pelo local na hora da troca de tiros e um funcionário da fábrica da Coral. Foi em frente à indústria que os carros da Polícia Civil e da Polícia Federal se encontraram.

Original em: http://www.pernambuco.com

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Polícia vai instaurar inquéritos para investigar tragédia em Teresópolis

“Pode ser que a perícia criminal tenha alguma responsabilidade a dar a mais do que só o evento natural”, diz delegado

"A polícia não quer responsabilizar quem quer que seja, mas colher todas as informações necessárias", diz delegado Wellington Pereira

Para a polícia, a tragédia que já provocou mais de uma centena de mortes em Teresópolis é considerada até o momento “um evento natural”. Porém, o delegado Wellington Pereira informou que inquéritos serão instaurados para investigar as ocorrências em cada região da cidade. “Posteriormente, vários inquéritos vão ser instaurados. Pode ser que a perícia criminal tenha alguma responsabilidade a dar a mais do que só o evento natural”, afirmou o delegado.

Pereira informou que regiões como Caleme, Bonsucesso, Campo Grande, Santa Rita, Vieira e Motas são alguns dos lugares que receberão investigações detalhadas, a fim de que “algumas causas adjacentes sejam avaliadas”, ainda que as vítimas não pertençam a mesma família.

Segundo o delegado, uma das investigações será feita sobre o reservatório de água da Cedae, localizado no Caleme. “A água da chuva superlotou o reservatório e ele desabou. Vamos conversar com engenheiros da Cedae nesta quinta-feira (13), para saber informações sobre a capacidade de armazenamento de água do lugar”, informou Pereira. “Não que a polícia queira responsabilizar quem quer que seja, mas para a que a gente possa colher todas as informações necessárias, para ter um raciocínio jurídico lógico e aí colocar a coisa bem acertada nos inquéritos”, falou.

Embora tenha anunciado a intenção de ouvir engenheiros da Cedae nesta quinta-feira, o delegado não informou quando começam as investigações.

Flávia Salme, enviada especial a Teresópolis (RJ)

Original em: http://ultimosegundo.ig.com.br

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