Falência pericial no AM

Instituto de Criminalística do Amazonas está impossibilitado de realizar exames periciais por falta de reagentes químicos. Não há bancadas para computadores. Peritos usam equipamentos pessoais

Embora disponha de pessoal qualificado, o Instituto de Criminalística do Amazonas (IC/AM) está sucumbindo no descaso do poder público para cumprir o seu papel que é o de produzir provas técnicas e científicas que auxiliam nas investigações e no trâmite dos processo nas varas criminais.

Faltam instrumentos e reagentes químicos para que os peritos possam realizar perícias, o que explica a demora para a emissão de laudos periciais no Estado.

Reagindo às declarações da diretora do Departamento de Polícia Técnica-Científica (DPTC), Lilibeth Albuquerque, dadas durante entrevista coletiva na quarta-feira passada, 16, alertando que peritos que não apresentarem os laudos periciais no prazo serão encaminhados à Corregedoria Geral para responder pela falha, peritos recorreram ao Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Amazonas (Sinpol/AM) e mostraram o que tem motivado constantes atrasos dos laudos.

Na sexta-feira, 18, o presidente do Sinpol, Moacir Maia, fez uma visita ao IC e  constatou a falta de estrutura do órgão. Os laboratórios com deficiências para a realização de perícias por falta de reagentes químicos já apresentam também problema de espaço.

Pelo menos mil armas de calibres diversos estão espalhadas pela sala, que não possui nenhuma segurança. Faltam armários de aço ou cofres para armazená-las. Não há bancadas para os peritos  desmontá-las.

No laboratório de toxologia, a situação é semelhante. As amostras de droga (maconha, cocaína, ecstasy, craque e outras) estão espalhadas pela sala. Segundo peritos, qualquer pessoa pode trocar uma arma por outra ou a amostra de droga por outro material.

Peritos, que preferiram não dizer os nomes, disseram que há muito tempo eles vêm enfrentando dificuldade para fazer exames de balística.

“Não há interesse das autoridades em fazer esse tipo de exame porque vai mostrar quem são os verdadeiros bandidos”, disse um dos peritos. Há dificuldades para fazer exames de fonética, informática, de documentoscopia, toxilógico em material biológico e até o exame de DNA por falta de reagente químico.

Um comparador balístico não é usado porque nenhum perito fez o curso para manipular o aparelho. Há, ainda, um cromatógrafo gasoso e outro líquido. O primeiro está há três anos no IC e ainda não foi instalado e o segundo há dez e também não foi instalado. Um espectômetro atômico está há dois na mesma situação.

O aparelho é usado para exames de substâncias em água, solo e ar. Faltam também computadores. A maioria dos peritos trabalha com equipamento próprio e ainda tem que tirar dinheiro do bolso para comprar tinta de impressora. Para agilizar o resultado dos trabalhos, eles recorrem a órgãos parceiros como Inpa e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

JOANA QUEIROZ

Original em: http://acritica.uol.com.br

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