Laboratório forense equipado com meios de última geração

Com um investimento de mais de trinta milhões de dólares, empregues na reabilitação, apetrechamento técnico material e formação de quadros, o Executivo angolano colocou em funcionamento, a partir de quinta-feira, 24, o laboratório forense (para apoio a investigação criminal), tido como dos mais modernos existentes em África.

Um total de 22 laboratórios especializados compõem a instituição, pertença do Comando Geral da Polícia Nacional, para apoio à Direcção Nacional de Investigação Criminal, assegurados por 263 técnicos com níveis médios, superiores e doutorados.

Localizado na rua Machado Saldanha, no bairro Neves Bendinha, o Laboratório Central de Criminalística funciona ali desde 1991. Antes estivera confinado no sexto andar do desabado edifício da Direcção Nacional de Investigação Criminal, na Avenida Hoji ya Henda.

Agora, completamente renovado e equipado, desde 2008, ele engloba unidades técnicas capazes de investigar tanto provas físicas, quanto humanas.

Entre os investimentos feitos constam os laboratórios de Retrato Falado, Fotográfico, Documentos, Balística, ADN, Química Analítica, Biologia Genética, Toxicologia e Fluidos Humanos.

Dactiloscopia, Salas médicas, Laboratórios Móveis, Captador de Disparos, Perícia de Campo, Sala Operativa e o Sistema EFIS (de identificação por impressão digital), também fazem parte do acervo.

As áreas do laboratório central funcionam integradas entre si, através de um sistema de informação ligado em rede. Cada caso será acompanhado por responsáveis técnicos das respectivas áreas de investigação.

O ministro do Interior, chamado a cortar a fita e a descerrar a lápide, disse que este esforço vale a pena para aquilo que é a nossa grande tentativa de trabalhar no sentido de, cada vez mais, criar condições para que técnica e cientificamente estejamos em condições de ajudar o alcance da boa justiça em Angola.

Com efeito, disse haver já condições dos órgãos judiciais, do Ministério Público e de investigação da própria Polícia Nacional, poderem produzir elementos que facilitem a obtenção da prova pericial ou material e, por via disto, acelerar as acções de instrução processual e da condução em juízo.

Segundo o ministro do Interior, pela sua dimensão e pelo investimento feito, o Laboratório Central de Criminalística vai servir o país em geral, colocando-se o desafio de serJosé Meireles vir também outras instituições policiais da região Austral do continente que cooperam com Angola.

“Este laboratório se afirma como um dos mais desenvolvidos e mais apetrechados da nossa região e, por via disso, podemos considerar que ele estará, seguramente, a breve trecho, disponível para as acções de cooperação que temos com as polícias da África Austral”, concluiu.

OS QUADROS
O Laboratório Central de Criminalística está bem servido em recursos humanos e materiais e a formação dos seus especialistas não vai parar por ai, garantiu o director da instituição, subcomissário Carvalho Sobrinho.

Em seu entender, a formação do seu efectivo deverá ser permanente e constante para que se possa ombrear com os demais laboratórios existentes na região Austral de África e quiçá do mundo.

O nível de formação dos técnicos vai desde o médio, superior e doutoramento. Neste momento estão em curso especialização em medicina legal 20 médicos legistas, com término previsto para o próximo ano. Na mesma senda, dois toxicólogos estão a fazer especialização na área de toxicologia. A instituição fez recrutamento de alguns elementos junto de algumas universidades locais que ministram cursos de medicina, de química, biologia, física e na instituição os mesmos recebem a componente de especialização forense para se entrosarem na actividade prática do laboratório.

QUALIDADE TÉCNICO MATERIAL
Independentemente de alguns exames serem morosos, o seu director acredita que irá encontrar as respostas para a grande maioria dos casos solicitados, a julgar pela elevada qualidade técnico material e humana.

Para o efeito, sublinhou, é necessário que haja uma interacção entre os diversos órgãos que concorrem para a administração da justiça e fundamentalmente na abordagem do local do crime.

Segundo o comissário Carvalho Sobrinho, para a concretização desse desiderato, implica ser necessário que os órgãos da criminalística estejam em tempo oportuno no local do crime para que possam recolher todas as evidências do crime.

Essa acção, de acordo aquele responsável do laboratório forense, vai concorrer para o devido tratamento e processamento e dai, com a interacção que certamente há-de existir com os outros órgãos, poder-se-á muito facilmente descobrir grande parte dos casos.

Laboratórios nas Divisões de Polícia
Ao todo, 263 elementos dão corpo ao laboratório de criminalística.Estes estão também disseminados em todas as Divisões de Polícia, disse o comissário Carvalho Sobrinho.

A sua distribuição pelas Divisões de Polícias visa em tempo oportuno recolher todas as evidências de crime, para o devido processamento e torná-las em provas materiais, para prover os respectivos processo-crime em investigação e instrução processual.

Por outro lado, o director do LCC assegurou que os técnicos de criminalística estão espalhados por todo espaço do território nacional, não na dimensão do Laboratório Central de Criminalística de Luanda, mas em núcleos.

Com excepção de Cabinda, Benguela e Huíla existem núcleos da estrutura forense que vão ao local do crime, recolhem as evidências e enviam-nas para Luanda para o devido tratamento.

Nas províncias, os técnicos de criminalística estão apenas talhados para identificar estupefacientes como liamba, fazer trabalhos dactiloscópicos, fotografia e inspecção do local do crime, devido a falta de infra-estrutura e de material técnico para o efeito.

A formação dos técnicos vem sendo efectuada há três anos, no país e em Israel. Três delegações estiveram, no ano passado, em Israel, sob a égide da empresa LRD Group, responsável pela montagem dos equipamentos e formação de quadros.

A nível local a formação é assegurada por instrutores israelitas que procedem o acompanhamento das acções, disse Guy Sher o responsável da empresa LRD Group.

Beneficiaram da formação que vem sendo ministrada desde meados de 2008, mais de cem técnicos, estando a ser acompanhados outros tantos que manuseiam os 22 laboratórios existentes no local .

Os técnicos que operam no Laboratório de Central de Criminalística são agentes da Polícia Nacional, com alto nível de formação académica.

Original em: http://www.opais.net

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