Trabalho científico de perito e médico legista da Politec é tema de palestra em Congresso

Abrindo a programação do I Congresso Internacional – Violência, o Tráfico e as Mulheres, Enfrentamento e Desafios’, realizado pela Sejudh, uma das palestras do primeiro dia do evento foi ‘Mulas Humanas’- nome que se dá à pessoa usada por traficantes para transportar a droga ilegal no corpo.

O assunto virou tema de pesquisa realizada nos últimos cinco anos na fronteira Oeste de Mato Grosso, pelo perito oficial e médico legista da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Cáceres, Manoel Francisco Campos Neto.

Em sua palestra, o perito apresentou os fatores que motivaram a realizar a pesquisa, devido o aumento do número de pessoas levadas aos hospitais pela polícia, suspeitas de atuar como ‘mulas’.

Em sua apresentação Manoel fez um panorama geral sobre a história e o cultivo de diversas drogas utilizadas no Brasil e no mundo e suas consequências na vida da pessoa e dos seus familiares.

Na sua pesquisa, que resultou em um livro de sua autoria “Mulas Humanas”, suicidadas em potencial, que será lançado na última noite do Congresso, ele explica que atuar como mula é uma prática suicida. “Em média cada cápsula contém 15 gramas de cocaína e mede 10 centímetros, e a forma como esta droga é embalada para ingestão são diversas, podendo levar a óbito, por isso classifico como mulas humanas suicidas em potencial”, explica.

Na fronteira Brasil/Bolívia, 983 quilômetros dividem os dois países, sendo 720 deles de fronteira seca. São inúmeras as estradas chamadas ‘cabriteiras’, que passam de uma fazenda para a outra facilitando o tráfego clandestino. Com o passar do tempo, para dificultar a detecção das cápsulas, várias técnicas vêm sendo empregadas pelos traficantes.

No início da pesquisa, o médico constatou cápsulas feitas com material usado em mangueiras para água, depois em balões de aniversário e por fim em película usada em vidros de carros. Por isso, além da radiografia, os suspeitos passaram a fazer a tomografia, considerada infalível na detecção das cápsulas. “Essa prática começou na Colômbia, se alastrou pelo Peru, Bolívia, Paraguai e ganhou forças na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia”, conta o médico.

De acordo com os dados levantados em sua pesquisa o médico legista registrou do ano de 2005 à 2010, 101 mulas apreendidas na fronteira. Grande parte com cápsulas de cocaína ingeridas. Desses números, 60,80% são bolivianas que tentam entrar no Brasil com a droga e 39,20% são brasileiras. “A minha intenção nunca foi fazer um trabalho policial, e sim buscar informações na área científica sobre o assunto que é preocupante, e não adianta tentarmos combater as drogas na cidade se o maior problema está nas fronteiras. Por isso vim contribuir com este Congresso para que seja levado a carta de intenção e que possa mudar as leis de entorpecentes em nosso país”, disse.

O I Congresso Internacional sobre violência contra mulheres segue até o próximo sábado (16.04) no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. O evento é uma iniciativa da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), realizado por meio da Superintendência de Política para Mulheres.

Original em: http://www.24horasnews.com.br

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