Câmeras não registraram atropelamento de bebê no Méier

Rio – As câmeras de segurança de prédios vizinhos ao local onde ocorreu o atropelamento que matou uma criança de um ano e oito meses no Méier, na Zona Norte, não gravaram o acidente. Segundo a polícia, imagens da CET-Rio também registraram a colisão, ocorrida nesta quinta. As imagens seriam peça fundamental na investigação policial. Ainda de acordo com a polícia, o laudo pericial e mais testemunhas podem ajudar no andamento do processo.

O histórico de multas dos dois motoristas envolvidos no acidente também analisado pelos investigadores. A tragédia, provocada por dois veículos, chocou a vizinhança, que depositou flores na esquina das ruas Coração de Maria e Padre Idelfonso Penalba.

Os motoristas podem responder por homicídio doloso (intencional), cuja pena é de até 20 anos de prisão. Renata Cibelli, internada com fratura exposta em um pés, não foi ao enterro do filho, no Cemitério de Irajá, na quinta-feira. Mesmo que pudesse, disse que não queria ver o filho ser sepultado.

Rodrigo Cibelli de Oliveira foi atingido na calçada e morreu no hospital | Foto: Arquivo pessoal

Rodrigo Cibelli de Oliveira foi atingido na calçada e morreu no hospital | Foto: Arquivo pessoal

Para o delegado da 24ª DP (Piedade), Rodrigo Oliveira, se ficar comprovado que os motoristas estavam acima de 50 km/h, a velocidade permitida na via, eles vão responder por homicídio intencional pois assumiram o risco de que poderiam provocar acidentes fatais.

Testemunhas contam que o Fiesta prata KRG-1150, dirigido pelo professor de inglês para crianças Fábio Silveira Porto da Silva, 34 anos, bateu na traseira do Fiesta preto LBY-6707. A condutora desse carro, a inspetora da Polícia Civil Edna Nascimento Silva, 45, ia dobrar na R. Coração de Maria, quando foi atingida por Fábio, que estaria em alta velocidade. Ela perdeu a direção e atingiu mãe e filho na calçada, às 18h40.

Bebê morto em atropelamento no Méier é enterrado em clima de comoção | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Bebê morto em atropelamento no Méier é enterrado em clima de comoção | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Renata acabara de buscar Rodrigo na creche, a menos de 200 m do local do acidente. “Ele passou em alta velocidade por mim. Depois do acidente ainda saiu falando “Que m. eu fiz!”. Na hora eu disse: você matou uma criança”, contou José Ferreira Nunes, 50 anos. Sedada, Renata só soube da morte do filho ontem de manhã. O irmão da criança, de 11 anos, ainda não sabe da tragédia.

Condutora chorou ao depor e disse que foi uma ‘fatalidade’

Nesta quinta, a inspetora da Delegacia de Combate às Drogas compareceu à 24ª DP para depor. Chorando, Edna disse que o outro carro, e não o dela, estava em alta velocidade e classificou a tragédia de fatalidade: “Estava virando na minha rua e ele (o outro Fiesta) veio com muita velocidade. Senti a batida e, ao levantar a cabeça, já estava no muro” Os dois motoristas não fugiram do local. O depoimento de Fábio deve ser tomado na segunda-feira. O laudo sai em 15 dias.

Coro lembra grito de alegria de Rodrigo 

No enterro de Rodrigo, parentes e amigos lembraram em coro a brincadeira que o bebê mais gostava. Com gritos de “Aeeeeee” — expressão que o menino sempre falava quando se divertia —, o pai, o empresário Carlos Fernando de Oliveira, e mais 150 pessoas se despediram dele, na tarde de ontem, no Cemitério de Irajá.

Acidente na Rua Coração de Maria, no Méier, envolveu dois motoristas | Foto: Leitor @brielpgomes

Acidente na Rua Coração de Maria, no Méier, envolveu dois motoristas | Foto: Leitor @brielpgomes

Tia de Rodrigo, a pedagoga Francinete Ferreira, 49 anos, revelou que o sentimento da família não é de raiva e revolta, mas de tristeza: “Estou com uma tristeza doída no coração, mas acredito que com o tempo fique apenas saudade e lembrança dos momentos bons ao lado dele”. Ela garantiu que ainda não culpa ninguém pelo acidente: “Não posso culpar ninguém porque não sei o que aconteceu. Vou esperar a investigação”.

Moradores relatam que acidentes são frequentes

Segundo moradores, são comuns acidentes da Rua Coração de Maria e perpendiculares, por excesso de velocidade ou tráfego de veículos na contramão. “Aqui deveria ter quebra-molas. Não vemos fiscalização. Sempre atravesso com minhas filhas neste ponto da calçada. Estou apavorada”, reclamou a inspetora penitenciária Sabrina Assumpção, 33.

Carrinho de bebê ficou totalmente destruído após o choque | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia

Carrinho de bebê ficou totalmente destruído após o choque | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia

Parte da via, que tem radares de velocidade de 50 km/h no sinal com a R. Castro Alves, é ladeira, o que contribui para desrespeito aos limites de velocidade.

A 1ª semana na creche

Rodrigo começara a frequentar a creche segunda-feira. A família tinha se mudado para a Rua Padre Idelfonso Penalba há 4 meses, para ficar perto do trabalho. O irmão de Rodrigo, João Vitor, 11, ainda não sabe o que houve com o irmão. Sob os cuidados do avô, ainda pensa que mãe e irmão estão viajando.

Os dois motoristas envolvidos também moravam perto do local do acidente. O professor estava indo para Rua Visconde de Tocantins, a menos de 800 m dali. A policial morava em prédio vizinho ao de Renata.

Original em: http://odia.terra.com.br

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