Polícia Científica terá kit contra crime

Cabelos, manchas, pegadas no chão, digitais e trajetória de projéteis serão identificados com avançada tecnologia

O cenário de um crime pode fornecer vestígios para a investigação policial apontar um autor ou esclarecer o envolvimento de pessoas suspeitas. As pistas localizadas pelo trabalho minucioso do perito criminal da Polícia Científica de São Paulo podem ajudar na reconstituição de fatos passados durante um crime. Cabelos, manchas, pegadas no chão, digitais e a trajetória de um projétil incrustado em um objeto ou parede revelam histórias.

Para dinamizar o trabalho de campo dos peritos criminais, as equipes da Polícia Científica no Interior de São Paulo passarão a utilizar da tecnologia no cenário de crimes, muitas apenas presentes em laboratórios e algumas somente em São Paulo. Os peritos sairão munidos com uma maleta de atendimento de campo composta por inúmeros equipamentos.

O perito criminal Alex Gehringer Ursini, da Polícia Científica em Bauru, formado como multiplicador da tecnologia do kit, comenta que, sem a tecnologia disponível na maleta, dificilmente o perito localizaria fios de cabelo, manchas e outros vestígios. Os recursos representam um enorme avanço, porém, têm sua utilidade específica e que não elimina o exame em laboratório especializado do Instituto de Criminalística (IC). Ursini exemplifica que a maleta, por exemplo, proporciona a definição de que uma mancha é de sangue. No entanto, o resíduo sanguíneo coletado só será esmiuçado com exames específicos disponíveis em laboratório.

Ele destaca como facilitador do trabalho pericial o conjunto de lanternas para revelação de vestígios (luz forense multi-espctral). O equipamento possibilita a localização de manchas de sangue, pêlos, unhas, fibras e impressões digitais que, normalmente, passariam desapercebidos no local de perícia.

Entre as diversas tecnologias, a maleta é composta de trena digital, GPS (Global Positionig System Global), reagentes de drogas e sangue, lupas, material para coleta de impressão digital, material para isolamento de área entre outras tecnologias.

Outra inovação é a presença de um netbook embarcado no kit que vem com um programa (software) de confronto de impressão digital. Ursini esclarece que, futuramente, a intenção é a formação de um banco de dados com impressões digitais para comparação e identificação de pessoas. Essa estrutura ainda não está disponível no País. No entanto, os peritos já estão se familiarizando com os procedimentos.

O diretor do Núcleo de Perícias Criminalísticas de Bauru, José Carlos Fioretti, destaca que o trabalho do perito criminal se define com uma metodologia particular e que será facilitada com o emprego da tecnologia diretamente no campo. O Núcleo dirigido por Fioretti recebeu oito maletas, sendo quatro para atender Bauru, duas para as equipes de Lins e outras duas para Jaú.

Ele explica que Bauru e mais 18 municípios são atendidos por seis peritos criminais atuando em campo e possuindo um total de 20 profissionais. Ursini salienta que Bauru e mais as cidades de abrangência somam, aproximadamente, uma área de 8.500 quilômetros quadrados onde atuam apenas seis peritos.

Lins e mais 10 cidades atuam quatro profissionais, com três diretamente em ações de campo e ainda recebendo suporte das equipes de Bauru. Fioretti acrescenta que Jaú e mais dez municípios abrigam oito peritos, com seis em trabalho externo de perícia criminalística.

Todos esses peritos receberão aperfeiçoamento para utilizarem a maleta de campo. Nesta semana, Bauru sediou um curso para peritos criminais conhecerem os recursos do kit de perícia. Nesta etapa, foi preparado um grupo de várias regiões que vão multiplicar o conhecimento da tecnologia para os demais profissionais.

O assistente-técnico e coordenador de cursos do IC, o perito criminal Roberto Monteiro da Fonseca, comenta que foram preparados 250 peritos em todo Estado e que vão disseminar as informações nos próximos meses. A partir de outubro, o IC-SP inicia uma nova fase com treinamento com mais de mil profissionais para alicerçar o conhecimento desenvolvido no kit.

____________________

Recursos da maleta vão propiciar resposta rápida

O diretor do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo, Adilson Pereira, visitou Bauru na última terça-feira para conhecer o trabalho do Núcleo de Perícias Criminalísticas de Bauru e acompanhar o curso. Pereira explica que a tecnologia do kit visa homogeneizar o trabalho de perícia criminal em todo o Estado. Ele destaca que o trabalho do perito criminal ganhará em qualidade com o profissional racionalizando sua varredura de vestígios, focando aquilo que interessa e, na ponta do processo, abreviando o tempo de expedição de laudos.

O diretor do IC-SP explica que a maleta fornecerá uma resposta mais rápida à perícia, com resultados de análises no local do material coletado. Até então, determinados exames de vestígios captados no Interior somente eram processados em laboratórios na Capital. Ele ressalta como avanço da maleta os modelos de lanternas portáteis utilizadas na observação de vestígios através da luz forense.

Anteriormente, os equipamentos eram pesados, sem condição de portabilidade para uso nos locais de perícia, e disponíveis apenas na Capital. O diretor do IC-SP destaca, ainda, a gama de lanternas para um número maior de visualização de vestígios, como resíduos de disparo de arma de fogo e manchas de cosméticos, que eventualmente passam de uma pessoa para outra.

Pereira explica que o planejamento para atualizar os peritos criminais foi organizado em sete módulos e distribuídos no Estado preparando multiplicadores para as regiões.

A compra das maletas de atendimento de campo integra um convênio entre a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão ligado ao Ministério da Justiça (MJ), com o Estado de São Paulo. Pereira comenta que o Senasp investiu R$ 1,9 milhão para a compra do primeiro lote, com cerca de 280 valises.

As polícias científicas do Brasil definiram quais equipamentos serviriam para atuação do perito em campo. Além de São Paulo, os estados do Amazonas, Goiás e Mato Grosso do Sul já aderiram à tecnologia no convênio com o Senasp. O diretor do IC-SP acrescenta que, até o final deste ano, outros Estados terão o equipamento já disponível em Bauru e todo o Interior do Estado de São Paulo. A empresa vencedora dessa licitação foi a Conecta190.

Ricardo Santana

Original em: http://www.jcnet.com.br

Leave a Reply