Estudo no Amazonas ajudará na investigação de homicídios

Ufam e Inpa desenvolvem método que poderá identificar criminosos

Fragmentos de pólvora são importantes para chegar aos autores de crimes (Foto: Nathalie Brasil)

Manaus – O Instituto de Criminalística do Amazonas poderá contar com um novo método de investigação através de um exame, ainda em desenvolvimento, para ajudar a identificar resíduos de disparos de arma de fogo em acusados de homicídio. O trabalho é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O novo método faz parte do trabalho de doutorado de Christian Gama, realizado sob orientação dos pesquisadores Ézio Sargentini e Marcos Bolson, dentro do Programa de Pós-graduação em Química da Ufam. Ele também é perito criminal da Polícia Civil e viu a necessidade de métodos eficazes para identificação de possíveis criminosos.

Quando acontece um disparo de uma arma de fogo, gases da combustão da pólvora e microfragmentos do projétil atingem, principalmente, braço e mãos do atirador. O trabalho do pesquisador está focado no desenvolvimento de um método específico para essa tipo de análise, a fim de determinar com precisão o elemento chumbo nos disparos.

“Em geral, além de outros compostos químicos, estão presentes partículas de chumbo, bário e antimônio, elementos que fazem parte da composição da pólvora e projétil”, disse ele. “Mas é necessário que o suspeito seja capturado o mais rápido possível, para que não se perca esses elementos. Mesmo que sejam resistentes ao tempo, acabam saindo com a lavagem de mãos e banhos”.

Durante a metodologia, são utilizados equipamentos mais comuns, entretanto capazes de identificar os resíduos de disparos de arma de fogo e ganhar uma adaptação de um método já utilizado há 25 anos: a espectometria de absorção atômica. Segundo a pesquisa, a grande diferença está nos materiais utilizados, que têm um valor mais em conta.

“Os métodos existentes no mercado são mais caros, chegam a custar cerca de R$ 1,5 milhão. Neste caso, utilizamos materiais existentes na Universidade (Ufam) e no Instituto (Inpa). Isso traria ganhos para o trabalho da polícia e justiça, apontando os suspeitos de participação em crimes com equipamentos já disponíveis”, explicou Gama.

Resíduo gráfico é um dos métodos usados em Manaus

De acordo com a legislação do Código de Processo Penal (CPP), se o crime deixar vestígios é obrigatório o exame do corpo de delito, entendido aí como quaisquer elementos de prova relacionados ao delito que ficou no local. Em Manaus, um dos métodos utilizados é o resíduo gráfico, que detecta partículas de chumbo.

“Utilizamos apenas um reagente, que é barato, mas o método não é utilizado para decretar que um indivíduo atirou ou não, é apenas um indicativo”, destacou a farmacêutica bioquímica, perita criminal do laboratório de toxicologia, Fernanda Guimarães.

De acordo com o diretor do Instituto de Criminalística, Carlos Fernandes, há um esforço em conjunto que colabora para a solução do caso.

“Temos também o trabalho da balística, química, investigação local, perícia externa e também as delegacias”, destacou ele. “Seria um avanço, mais um método para ajudar a produção de um inquérito. Pesquisas como essa é um avanço. A perícia só tem a ganhar”, diz.

Original em:  http://www.d24am.com por Camila Pereira (portal@d24am.com)

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